lunedì 30 novembre 2009

Genial: "Notas parental-zoológicas para Continelli Telmo" de Stefano Valente


Divirtam-se come ste magnífico texto do nosso aluno Stefano Valente.


O que é preciso que os sobrinhos (e as tias) descubram o mais cedo possível (para uma melhor sobrevivência)

Notas parental-zoológicas para Continelli Telmo (texto inédito encontrado na margem do guião do filme A Canção de Lisboa, 1933)

A humanidade inteira é constituída por sobrinhos. Se encontrarem uma pessoa que afirma «Nunca tive tias», é só porque não o sabe.

Para os elefantes — especialmente para os que estão enjaulados — as palhinhas são uma verdadeira gulodice.

Chapéus há muitos: isto é, todos nós temos de aceitar o facto que no mundo existem mais chapéus do que sobrinhos.

A experiência ensina que é o chapéu a fazer o homem, nunca o contrário.

O bilontra (bilontrus sobrinus) é um animal esquisito: mamífero anfíbio, de índole essencialmente velhaca, pelintra e preguiçosa, às vezes — quando não o pode evitar — gosta de passear com as suas tias (pelo menos duas), pelas quais não desdenha fazer-se manter. Nos jardins zoológicos é fácil encontrar bilontras que param diante das jaulas doutros animais e escarnecem deles. Uma característica da bilontra, pois, é a de ela rir das desventuras de outrem, embora odeie que os outros se riam das dela mesma.

Como as tias são fundamentais na formação e no desenvolvimento do indivíduo, os sobrinhos dividem-se em duas categorias básicas:

  • os que viram o meu filme A Canção de Lisboa;

  • os que leram o romance Le sorelle Materassi, por Aldo Palazzeschi.

STEFANO VALENTE

Lanciani parla dell’ambasceria portoghese a Leone X oggi, nel seminario internazionale "Nella Cultura Europea"


NELLA CULTURA EUROPEA
seminario internazionale

Facoltà di Economia “Federico Caffè”
Via Silvio D’Amico, 77

30 NOVEMBRE 09
II SESSIONE

CROMA
centro per lo studio di Roma


All’ambasceria portoghese a Leone X, giunta a Roma nel 1514, non sembra eccessivo attribuire, sia pure in via ipotetica, la responsabilità o il merito di essere stata, direttamente o indirettamente, il tramite per l’arrivo in Italia del canzoniere o dei canzonieri che, fatti trascrivere dall’umanista Angelo Colocci e poi scomparsi, hanno salvato dal quasi totale naufragio un’intera stagione letteraria, ovvero tutta la poesia lirica del medioevo ispanico, elaborata in volgare sul modello provenzale – ma ideologicamente e tecnicamente adattata ad un ambiente socio-culturale notevolmente diverso da quello originario –, inizialmente in Galizia, poi in Castiglia e in Portogallo e in altre regioni della Spagna centro-occidentale, dove si diffonde rapidamente tra vari centri di produzione.Pure in assenza di prove documentarie, una serie di indizi e di coincidenze consentono di supporre che l’ambasceria del 1514 sia stata se non altro l’occasione per l’arrivo in Italia di un corpus di 1680 testi lirici attribuiti a 153 fra trovatori e giullari.



Aula XI
ore 9,30 - 13,30
Presiede MARIA DEL SAPIO, Università Roma Tre

JOHN GILLIES, University of Essex, UK
From Seneca to the subaltern tragedy of Elizabethan England

SILVANA CASARTELLI NOVELLI, Università Roma Tre
Roma “capitale cristiana”/nascita dell’Europa, nella nuova epoca storiografica della tarda Antichità

STUART DUNN, King’s College, London, UK
Beyond writing: non-textual evidence from Roman inscriptions

discussione
coffe break

GIULIA LANCIANI, Università Roma Tre
L’ambasceria portoghese a Leone X e l’umanesimo a Roma


RITA FIORAVANTI, direttrice Biblioteca Casanatense, Roma
Censimento delle guide e trattati su Roma nell’editoria europea, dagli inizi della stampa alla fine del Settecento

PAOLO D’ANGELO, Università Roma Tre
Roma capitale del Neoclassicismo europeo

PAOLA PAVAN , Direttrice Archivio Storico Capitolino
L’idea di Roma dopo il 1870: riflessi sulla politica culturale del Comune di Roma

discussione
lunch

ore 14,30 - 17
Presiede CARLO M. TRAVAGLINI, Università Roma Tre

Tavola rotonda su nuove proposte di lavoro e aggiornamenti
Hanno assicurato fin d’ora il loro intervento:
MARINA CAFFIERO
LETIZIA NORCI CAGIANO
FRANCESCA CANTU’
MARTINE BOITEUX
MADDALENA PENNACCHIA
IOLANDA PLESCIA
CATERINA RICCIARDI

Segreteria organizzativa:
CROMA - Università Roma Tre, via Ostiense 139 00154 06 57334016 croma@uniromatre.it
Presidenza Facoltà di Economia «Federico Caffè», Via Silvio D’Amico, 77, 00145 06 57335601/5606
colucci@uniroma3.it - fnicolai2@uniroma3.it - news.economia@unroma3.it
Il seminario è promosso in collaborazione tra: Comune di Roma - Assessorato alle Politiche Culturali e della Comunicazione, Università Roma Tre (CROMA, Dipartimento di Letterature Comparate)

venerdì 27 novembre 2009

"A Canção de Lisboa" por Germana Lardone


Mais um comentário ao filme "A Canção de Lisboa" pela nossa aluna Germana Lardone, a quem muito agradecemos as repetidas e qualificadas intervenções no nosso blog.


O filme “Canção de Lisboa” está cheio de trocadilhos. Por exemplo, na cena da chamada para o exame, o Professor chama “- Valente!”, e ele responde “- Valente sou eu”, jogando com o significado da palavra (que não tem medo). Na mesma cena, um estudante mulato chama-se Teófilo das Neves Claro e diz “Vou para o exame completamente em branco” (não sabe nada), ao que Vasco lhe responde ”estou a ver coisas muito negras” (prevê que será chumbado).
Teófilo invoca a protecção de S. Francisco Xavier e Vasco invoca a de “S. Francisco Gentil”. Na verdade, Francisco Gentil foi médico e professor (1878-1964) pioneiro no tratamento do cancro. Foi responsável pelas reformas no ensino médico e criou hospitais universitários.

Outra cena interessante é a da discussão de Vasco com Alice, a sua namorada. Ela diz que ele não lhe deve repetir que é a sua única paixão e que “tem o destino marcado desde a hora em que me viu” (palavras do famoso Novo Fado da Severa), ao que Vasco responde: “Ó filha, não sejas Severa!” aproveitando o significado da palavra severa (austera, rigorosa, rígida, inflexível).
Maria Severa Onofriana (Lisboa 1820- 1846), cigana e prostituta, foi a primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento; cantava e tocava a guitarra nas ruas da Mouraria; levou o fado para as rua aonde existia somente dentro das tabernas. Era amante do conde de Vimioso e o romance entre eles è tema de vários fados.

1933, o ano em que se estreou o filme Canção de Lisboa é também o ano da instauração do regime ditatorial de António de Oliveira Salazar. Estado Novo é o nome deste regime que durou 41 anos quando foi derrubado pela Revolução do 25 de Abril. Esta designação oficiosa foi criada por razões ideológicas e propagandísticas por marcar a entrada numa nova era.
A cena na loja do alfaiate, com Vasco disfarçado de manequim é muito engraçada sobre todo pelo trocadilho do cartaz (Ocasião – 95.00 - Estado Novo).
São também cheias de significado as frases do alfaiate. Na minha casa há de tudo – Na minha casa não quero barulho – Muito prazer de receber em minha casa – Faço tudo desinteressadamente - … e outras, claras alusões ao carácter nacionalista, conservador, corporativista etc., semelhante aos regimes autoritários do mesmo período (Mussolini, Franco, Hitler, Peron ).
Muito divertida a cena com a chegada do rato, pequeno mas bastante para baralhar a ordem da loja e o cartaz “Estado Novo” pendurado nas costas de D. Jacinta.

A minha pergunta é: Como é que a censura não se apercebeu de nada?

GERMANA LARDONE

"A Canção de Lisboa" por Vilma Gidaro


Depois do visionamento do filme "A Canção de Lisboa" (1933) de Cottinelli Telmo, com Vasco Santana, Beatriz Costa e António Silva, a nossa aluna Vilma Gidaro escreveu este comentário. Obrigado, Vilma, pelo entusiasmo e constante participação no nosso blog!



Por volta de 1933, ano da produção do filme “A Canção de Lisboa”, iniciava em Portugal o Salazarismo. E no filme o realizador ridiculariza o regime ditatorial com a cena na alfaiataria do pai de Alice.
O Alfaiate Caetano e Dona Jacinta chegam à alfaiataria falando e, vendo-os, Vasco (Santana) vai “esconder-se” dentro de um casaco, fingindo-se um manequim. Sobre o casaco do Vasco estava preso um letreiro com as palavras: "Estado Novo - 99 escudos", cartaz que no fim da cena vai parar - pela mão do Vasco - ao "traseiro" da Dona Jacinta. Aqui está claro o intento de ridicularizar o Estado Novo.
O filme continua com a cena do concurso da “Rainha das Costureiras”. Nesta cena vejo um paralelo entre o Alfaiate Caetano, júri do concurso, e o ditador. A linda Alice é aspirante rainha deste concurso. Linda rapariga, com certeza, mas também desajeitada e embaraçada. O Alfaiate proclama, com grande autoridade, que o júri é quem decide quem será a Rainha do concurso quando é ele quem realmente decide - e decide que será a sua própria filha.
Outra coisa interessante no filme é a frase: "Chapéus há muitos, seu palerma!". É um outro modo, divertido, de dizer que "não interessa nada".Mas para mim pode ter também um outro sentido para além deste. “Chapéus há muitos” seria como dizer que nenhuma pessoa deve obrigatoriamente escolher um chapéu igual ao das outras, porque um chapéu pode ser um símbolo de pertença a uma qualquer ideologia e se uma pessoa se sente obrigada a vestir-se igual às outras é um palerma. “Chapéus há muitos” significa então ser um homem, ou uma mulher, livre.
VILMA GIDARO

mercoledì 25 novembre 2009

Stefano Valente - Lo Specchio di Orfeo


O nosso aluno Stefano Valente, que tem já participado neste blog várias vezes, é um escritor de renome traduzido também em Portugal. O seu último romance, editado em 2008 pela Liberamente (Barbera Editores) chama-se "Lo Specchio di Orfeo" - em Portugal, "O Espelho de Orfeu", editora Ésquilo - e é definido como "uma viagem de cortar a respiração, que parte do Egipto Antigo para chegar, através dos mistérios medievais dos Templários e dos fumadores de haxixe, até aos segredos dos grandes poderes económicos contemporâneos. Um thriller esotérico denso de sugestões literárias e mitológicas".

Muitos parabéns ao Stefano e a sugestão a todos os nossos leitores de comprarem este romance, em Italiano ou em Português - encomendando-o on-line.




Nel 2008 è uscito il suo romanzo Lo Specchio di Orfeo, pubblicato da Liberamente (Barbera Editori):«Un viaggio mozzafiato fra il segreto della Vita e il mistero della Morte, che parte dall’Antico Egitto per arrivare, attraverso i misteri medioevali dei Templari e dei fumatori di hascisc, fino agli indicibili segreti dei grandi poteri economici contemporanei. Un thriller esoterico denso di suggestioni letterarie e mitologiche» (dalla quarta di copertina).In traduzione anchein Portogallo e Spagna.


"Lo studioso di manoscritti antichi Carl Darmesteter muore cadendo dal balcone di un albergo a Coimbra, dove si trova per un convegno.
Jonas Leustig, il suo più fidato allievo, sospettando che si tratti di un omicidio, cerca possibili indizi negli appunti sugli ultimi studi del professore e nei files del suo computer.
Scopre così che poco prima della morte Darmesteter si stava occupando di uno sconosciuto manoscritto medioevale, il De Orpheo, che nella narrazione del mito di Orfeo nasconde un segreto di vitale importanza.
Le anomalie di questo antico poema, le reticenze dei proprietari, e le indicazioni lasciate da Darmesteter porteranno Leustig a una scoperta sensazionale, in grado di sconvolgere le menti e gli equilibri mondiali.
Ma a quanto pare Leustig non è il solo a conoscere la verità: qualcuno gli dà la caccia, ansioso di impossessarsi del suo segreto.
Qualcuno dall'aspetto del tutto simile al nostro; ma anche qualcuno che ha il volto degli antichi Faraoni d'Egitto.
Un romanzo emozionante ed erudito, ricco di suggestioni e colpi di scena, documentatissimo, che rivela un grande talento letterario.
Un autore e un romanzo destinati a diventare di culto. "


Ver também:

C& C - Cinderela e Chanel, por Eros Olivieri


Inspirado na história de Cinderela (em Português também conhecida como "a Gata borralheira") o nosso aluno Eros Olivieri, que já outras vezes tem participado neste blog com histórias divertidas e originais, oferece mais esta aos leitores de Via dei Portoghesi... Obrigado, Eros!


O príncipe chegou à igreja e esperava a Cinderela.
Após duas horas, com muito atraso, ela chegou enfim, com um coche não luxuoso mas luzente, todo em branco e ouro.
Cinderela descendeu com lentidão e elegância.
Vestia de branco e azul e todos os olhos se dirigiram para ela.
Com vagar ela deu três passos para o príncipe e parou.
O príncipe avançou para ela e fez uma elegante reverência.
Mas ela estava parada, imóvel, com a cara coberta por o véu de noiva que não permitia ao príncipe de ver a sua cara, nem os seus olhos, nem o seu nariz que ele tanto amava.
As pessoas sustinha a respiração….
Então o príncipe tomou com delicadeza a mão direita de Cinderela, aproximou-a dos seus lábios, fez com a nariz uma profunda aspiração e, para imensa surpresa de toda a gente, deixou cair a mão da Cinderela.
E depois gritou:
“ Vai-te embora! Tu não és a minha amada Cinderela. Este perfume não è o “CHANEL N. 5”, o único perfume que a minha amada Cinderela usa sempre!”

O príncipe tinha razão.
Realmente, a irmã mais nova de Cinderela tinha-se mascarado com os vestidos dela e tinha-se maquilhado como ela.
Mas, sendo esta irmã um bocado tola, não tinha considerado que o perfume é “o embaixador do assado” e que uma verdadeira princesa só pode usar um perfume: o “CHANEL N. 5” de Cocco Chanel.


EROS OLIVIERI

venerdì 20 novembre 2009

Cavaleiro de Sophia em Veneza - versão Rocco Costantino


Desafiámos os nossos alunos a prosseguir a história de Sophia de Mello Breyner, "O Cavaleiro da Dinamarca", depois da chegada deste a Veneza e da pergunta que faz ao Mercador que o hospeda, a respeito do belo palácio que tem diante dos olhos, do outro lado do Canal...


Lá fora, sob a luz azul da lua, Veneza parecia suspensa no ar.
Certa noite, terminada a ceia, o veneziano e o dinamarquês ficaram a conversar na varanda. Do outro lado do canal via-se um belo palácio com finas colunas esculpidas.
- Quem mora ali? - perguntou o Cavaleiro
(...)


O primeiro a responder ao desafio foi Rocco Costantino: OBRIGADO!



- Quem?
- Ninguém sabe quem mora ali. Há muitos anos que só se vê a sombra duma Senhora passear sozinha no seu palácio. Quando ela chegou era uma maravilhosa mulher, o seu nome ficou sempre um mistério, um segredo guardado cuidadosamente por poucos homens.
- E tu não sabes o porquê deste mistério?
- No passado perguntei a muita gente a razão do mistério, mas sem nenhum resultado. Apenas uma coisa é certa: a Senhora é muito rica e parece que é também muito triste, sempre sozinha e sempre fechada no seu palácio. Os criados também nunca falam dela ou nunca podem falar.
Enquanto o mercador falava, o Cavaleiro ficou triste por uma solidão tão grande e sentiu o desejo de compreender e conhecer a misteriosa Senhora.
Durante muitos dias o Cavaleiro pensou na Senhora, mas era já tempo de prosseguir a viagem. Na última noite o cavaleiro passeava pelas ruas e pelos canais de Veneza para ver uma última uma vez tantas maravilhas e levá-las no seu coração e na sua memória. Só o luar iluminava Veneza e quando o Cavaleiro chegou ante o palácio misterioso, da escuridão do portão do palácio o Cavaleiro ouviu uma voz :
- Cavaleiro queria conhecer-te, vem sem medo a minha casa.
O Cavaleiro de repente percebeu que a voz da Senhora o chamava e ficando sem palavras entrou no pátio do palácio.
A Senhora caminhava diante dele com uma vela na mão, o cavaleiro seguia-a sem falar e sem uma qualquer razão. Não sentia nenhum medo, tudo lhe parecia normal.
O palácio era maravilhoso, o salão onde chegaram por fim era desmesurado e iluminado por mil velas. No fundo a Senhora estava sentada e sorrindo convidou-o a aproximar-se.
O Cavaleiro notava em si mesmo um sossego, uma segurança, talvez uma tranquila felicidade nunca experimentada antes. Não compreendia a razão disto: talvez fosse um sonho, talvez a Senhora fosse uma feiticeira.
- Cavaleiro, há muitas noites que te vejo às janelas do palácio do Mercador e ao fim de alguns dias apercebi-me de que algo estava para acontecer. Não conseguia pensar noutra coisa e por fim compreendi. Agora estou feliz, estou enfim tranquila, já não quero me esconder agora que te encontrei.
As palavras da Senhora atingiram a alma do cavaleiro com uma terrível doçura, não compreendia - ou talvez não quisesse compreender o porquê. Nesse momento apercebeu-se de que tinha chegado ao fim da viagem, compreendeu que a sua viagem já não valia, o intento de encontrar a felicidade e a paz nos lugares do Cristo estava ultrapassado. A procura acabara, o coração dele dizia-lhe que tinha procurado a Mãe que nunca tinha visto.
Talvez o Mercador e o palácio fossem ilusão, talvez a mãe também fosse só um desejo, mas enfim: mais nada valia, o cavaleiro tinha chegado ao destino e, sorrindo, morreu.

ROCCO COSTANTINO