lunedì 23 maggio 2011

Henrique Pousão, livro de Vítor Silva



Henrique Pousão, livro de Vítor Silva

Apresentação no MNSR

2 de Junho de 2011




Depois da celebração, em 2009, do 150.º aniversário do pintor, o livro Henrique Pousão, infância, experiência e história do desenho recomeça pelo princípio, ou seja, experimenta com o olhar, à minúcia, algumas obras do pintor. Vítor Silva, o autor do livro, explica que a redescoberta da pintura «pode começar pelo princípio, ou seja, pela experiência do olhar, pela experimentação directa das obras. Isso obriga a admitir que a imaginação e a montagem de imagens, a releitura de documentos e de textos, a associação de ideias e de sensações, se entrelaçam ininterruptamente para configurarem hipóteses, exercícios de escrita, apontamentos e estruturas de saberes.Essas associações não podem ser deduzidas ou inferidas pela demonstração de um método, mas são implicadas pela condição de abertura que as próprias obras nos oferecem.»


A apresentação do livro terá lugar no Museu Nacional Soares dos Reis, quinta-feira dia 2 de Junho pelas 18H30, numa conversa com Raquel Henriques da Silva, Mário Bismarck e Vítor Silva, perante as obras de Henrique Pousão.


mercoledì 18 maggio 2011

"Giorni Contati" di José Sasportes pubblicato da Voland



GIORNI CONTATI
Romanzo di José Sasportes
Traduzione di Daniele Petruccioli
Disegni di Jorge Martins
Voland, Roma 2011



Apresentação pela prof. Silvia Carandini no dia 25 de Maio de 2011, às 18 horas, na residência do Embaixador de Portugal junto da Republica Italiana, Via Zandonai 84.

Em 2 de Junho de 1904, Anton Tchecov faleceu em Bandenweiler, estância termal da Floresta Negra, vitimado pela tuberculose. No seu romance breve Os Dias Contados José Sasportes concedeu-lhe mais sete meses de vida e proporcionou-lhe novos encontros, novos amores, novos anseios quanto ao futuro da Rússia, até que a doença contra a qual se bateu dezenas de anos acaba por vencer.
Os Dias Contados constituem o primeiro elemento de um tríptico romanesco em se arquitectam futuros possíveis de que também fazem parte A Vingança de Marcolina ou o último duelo de Casanova (2009) e Os Novos Espectros, que serão editados em fim de Junho pelas Publicações Dom Quixote.


Agradecemos a notícia ao Prof. Paulo Cunha e Silva.

E-Mobility: Il Caso Portoghese




Il già indicato "Caso Portoghese" nell'ambito della Mobilità Elettrica (E-Mobility) sarà l'oggetto di un seminario che gli è interamente dedicato dall' Energy Lab Foundation, di Milano.
L'incontro, che conta con la partecipazione di esperti portoghesi ed italiani, avrà luogo il 18 maggio, a partire dalle ore 10,00, presso la Casa dell'Energia, in Piazza Po, 3 - Milano.
Portogallo è considerato un paese pioniere nell'ambito della sostenibilità e delle politiche del rinnovabile.

Tale iniziativa ha il patrocinio dell'Ambasciata del Portogallo in Italia.







Wednesday, May 18th, 2011
10.00 - 13.00
Casa dell’energia
Piazza Po, 3 - Milano







E-Mobility in Europe:
Portugal Case History





10.00 Registration


10.30 Welcome remarks
Marcello Di Capua, President - AEM Foundation

10.40 Case History in Portugal

MOBI.E - The Pioneer Portuguese Program for Electric Mobility
Pedro Fragoso Pires, CEO and Responsible for International Affairs of MOBI.E.International

The technical challenges of electric mobility
Alexandre Teixeira, CEIIA Center for Excellence and Innovation in the Automotive Industry, Maia


11.50 Q & A

12.20 Final remarks

Chairman:
Iva Gianinoni
Electric System Research Division, RSE SpA– Member of the Scientific Committee “Laboratory on E-Mobility” at EnergyLab Foundation




O já designado “Caso Português” no âmbito da Mobilidade Eléctrica (E-Mobility) será objecto de um seminário que lhe é inteiramente dedicado pela Energy Lab Foundation de Milão.
O encontro, que conta com especialistas nacionais e italianos, terá lugar às 10:00 do dia 18 de Março na Casa da Energia dessa cidade, situada na Piazza Po, n.3.
Portugal é considerado um país pioneiro no âmbito da sustentabilidade e das políticas do renovável.


Esta iniciativa tem o patrocínio da Embaixada de Portugal em Itália.


Agradecemos a informação ao Prof. Paulo Cunha e Silva.

lunedì 16 maggio 2011

Filipa em Roma

ALEGRIA

De passadas tristezas, desenganos,
amarguras colhidas em trinta anos,
de velhas ilusões,
de pequenas traições que achei no meu caminho…

De cada injusto mal, de cada espinho
que me deixou no peito a nódoa escura
duma nova amargura…

De cada crueldade
que pôs de luto a minha mocidade…

De cada injusta pena
que um dia envenenou e ainda envenena
a minha alma que foi tranquila e forte…

De cada morte
que anda a viver comigo a minha vida,
perdoada ou esquecida…

De cada cicatriz…

Eu fiz
nem tristeza, nem dor, nem nostalgia,
mas heróica alegria.

Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal pode vencer.
Doido prazer de respirar!
Volúpia de encontrar a terra honesta sob os pés descalços.
Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa
de trincar frutos e de cheirar rosas…

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz,
mas bem presa à raiz.

Volúpia de sentir na minha mão
a côdea loira do pão.
Volúpia de sentir-me ágil e forte
e de saber, enfim, que só a morte
é triste e sem remédio.
Prazer de renegar, de destruir o tédio
esse estranho cilício,
e de entregar-me à vida como a um vício.

Alegria!
Alegria!
Volúpia de sentir-me cada dia
mais cansada, mais triste, mais dorida,
mas cada vez mais agarrada à Vida!

Fernanda de Castro

Recensão da obra "Scultura Barocca Italiana in Portogallo" publicada pela Associação Portuguesa de Historiadores de Arte

O livro da historiadora da arte portuguesa Teresa Leonor M. Vale, apresentado em Setembro do ano passado em Roma, no Instituto Português de Santo António, foi recentemente objecto de uma recensão crítica da Professora Fausta Franchini Guelfi da Università degli Studi di Genova na Newsletter da Associação Portuguesa de Historiadores de Arte.




Os nossos parabéns à Autora.

Ver também:
http://viadeiportoghesi.blogspot.com/2010/04/gangemi-edita-scultura-barocca-italiana.html
http://viadeiportoghesi.blogspot.com/2010/09/presentazione-libro-scultura-barocca.html

http://viadeiportoghesi.blogspot.com/search?q=scultura+barocca





Come già nel 1504 scriveva Pomponio Gaurico nel suo trattato, creando opere di scultura l'uomo non avrebbe potuto concepire niente di più potente per superare la sua condizione di mortale, né di più propizio all'invidia degli dei. Difatti, le opere di scultura sopravvivono nel tempo, al di là degli artisti che le hanno realizzate, al di là delle personalità che rappresentano. La resistenza della scultura marmorea alle tante forme di erosione che il tempo porta con sé è difatti notevole; sono però numerose le sculture che non sono sopravvissute e delle qualle abbiamo soltanto notizie. Così, quando ci dedichiamo al tema della scultura barocca italiana in Portogallo, dobbiamo parlare di sopravvivenze, anche se, per ricostruirne correttamente il contesto, è necessario anche far menzione (più o meno accurata) delle opere distrutte o smarrite. Non è scopo di questo libro compiere un approccio dettagliato e complessivo alla tematica della scultura barocca italiana in Portogallo; come si vedrà, questa ricerca ha come primo obiettivo richiamare l'attenzione sulla scultura in generale e in particolare sulla scultura barocca italiana che non si presenta agli occhi dell'osservatore di oggi come una realtà distante ed inaccessibile, perché, assieme ad una raffinata cultura, carattere fondamentale del barocco è la viva espressione di emozioni e sentimenti, che ancora oggi coinvolge l'osservatore, con una suggestione emotiva che neppure il tempo è riuscito ad annullare.




Teresa Leonor M. Vale (1967) laureata in Storia e Storia dell'Arte (1989) presso la Facoltà di Lettere dell'Università di Lisbona e dottore in Storia dell'Arte presso la Facoltà di Lettere dell'Università di Porto (1994) con una tesi dedicata all'importazione di scultura barocca italiana in Portogallo nell'ambito dei rapporti artistici e culturali tra i due paesi nel seicento. Ha anche compiuto studi specialistici in Museologia e Conservazione delle Opere d'Arte e ha collaborato per anni con la Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais del Portogallo. Docente di Storia dell'Arte presso la Scuola Superiore di Arte Decorative della Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva e presso l'Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias di Lisbona, si è dedicata negli anni più recenti sopratutto alla ricerca, con un progetto dedicato all'argenteria barocca italiana e al ruolo degli scultori nell'ambito di questa produzione. É autrice di diversi articoli e libri tra i quali i più recenti sono A Escultura Italiana de Mafra (2002), Escultura Italiana em Portugal no Século XVII (2004), Escultura Barroca Italiana em Portugal. Obras dos Séculos XVII e XVIII em Colecções Públicas e Particulares (2005), Diário de um Embaixador Português em Roma (1676-1678) (2006), Um Português em Roma, Um Italiano em Lisboa. Os Escultores Setecentistas José de Almeida e João António Bellini (2008).

Stefano Valente: "Mesmo pensamento em Paris"



O nosso aluno Stefano Valente volta a surpreender-nos com um belíssimo texto em que a realidade e a ficção se entretecem... Um português e um espanhol que falaram francês na Paris dos anos 60, e cujo encontro Stefano reinventou à medida da sua fantasia... Muito obrigado!



Mesmo pensamento em Paris



Quatro da manhã. Ou da noite. Depende de quem está a falar – a contar – : se ele é um matemático insone ou um expatriado mordido pela saudade. (Para sermos sinceros, ambos os heróis dessa historiazinha – que é apenas a história de um momento, de dois pensamentos simultâneos – são exilados, fujões, embora de maneiras diferentes.)
Quatro da manhã – da noite. Secundí está a trabalhar num seu antigo projecto: uma “aplicação oblíqua” (ele chama-a assim) do teorema de Gauss. À luzinha fraca do abat-jour posto na mesa da cozinha – para não despertar os outros inquilinos do minúsculo apartamento. Na realidade Secundí não consegue pegar no sono. Também esta noite. Vela – lê equações, escreve fórmulas –, vela e fuma.
Quanto fumaram antes! – agora pensa. Fumaram, ambos, mais do que beberem. O que não se fumou!... Cigarros, charutos – havanos sobretudo, pois que o Manuel só gosta daqueles, e tem insistido com Secundí para que também provasse, e Secundí rendeu-se, aceitou, e agora essa enxaqueca... não é boa para o Gauss oblíquo, seria melhor conseguir adormecer...
Mas é inútil – Secundí, o insone matemático, sabe-o bem. Apesar de tudo, acende outro cigarro, aspira forte, profundo. Enquanto uma voz de bêbedo ressoa pela calçada, e parece que trepa pelas paredes do velho prédio, que alcança a própria janela de Secundí e, logo depois, se perde em direcção ao Sacré-Coeur.
Assim Secundí não pensa mais na sua terrível enxaqueca, nem em teoremas. A mente volta-lhe à noitada que há pouco passou com aquele comunista português com verborreia de candidato presidencial, fumando havanos e imitando Che Guevara – ele, o portuga, o Manuel Alegre, com certeza não o Secundí –, mas Ernesto Guevara de la Serna, el Che, falava em espanhol... com o Secundí o portuga nem tinha tentado, nem sequer uma vez...
Francês. Entre eles só falaram em francês. É nisto que agora Secundí está a pensar. E embora aquilo seja Paris, França, talvez sinta um bocado de amargura – ou somente de desilusão. E assalta-o outra enxaqueca, diferente...


Quatro da manhã – da noite. Manuel Alegre acorda de sobressalto na sua cama. O eco da voz do bêbedo pelas ruas do arrondissement. Então o português boceja, livra-se devagar do abraço daquela rapariga cujo nome nem se lembra, torna a arranjar a boina na cabeça, senta-se aos pés do colchão, toma um pavio para reacender o havano.
O meio charuto, porém, fica apagado. Manuel Alegre, boquiaberto, neste momento perde-se a pensar porque não lhe ocorreu falar em espanhol com o Secundí – porque não quis, não quis com todas as suas forças.
E diz para si mesmo:
Nunca deixarão de chamar-me marialva...

STEFANO VALENTE

Patricia Schmarczek escreve sobre o culto da beleza



A nossa aluna Patricia Schmarczek escreveu este interessante texto sobre o culto da beleza, que agradecemos e publicamos.






O CULTO DA BELEZA




Perfeição: é a palavra-chave do século XXI. E para alcançá-la… academias de ginástica, Spa, Ómega 3, cirurgia estética, Botox, Filler, colágeno, maquiagem, ácido ialurônico, agentes dermodistendentes, hidratação, massagem, cremes, perfumes, moda, acessórios, cabeleireiro, unhas e cílios postiços, entre outros. Os fantasmas das nossas vidas deixaram de ser os velhos espíritos vagantes ou o inconsciente de Freud para tornar-se algo muito concreto e ao alcance de todos: pele flácida, pés-de-galinha, rugas de expressão, barriga, celulite.
A corrida à perfeita forma física tornou-se universal. Inicialmente considerada uma obsessão feminina a beleza torna-se cada vez mais um aspecto importante da vida dos homens. De acordo com estimativa da Revista Acqua&Sapone de Março 2011, 50% dos homens italianos confessa curar muito o próprio aspecto e a própria imagem. Antes acessível somente a uma classe abastada, hoje é um recurso popular. Tudo isso graças ao desenvolvimento da indústria farmacêutica e publicitária e do consequente aumento da concorrência no sector da cosmética, o que determina uma diminuição dos preços e uma grande oferta de produtos. Além disso, o acesso ao financiamento possibilitou a entrada na sala operatória e a difusão dos centros de bem-estar e de cirurgia estética.
O interesse pela beleza é provavelmente intrínseco ao homem. Se pensarmos em diferentes povos poderemos identificar inúmeros acessórios, vestimentas ou decorações feitas sobre a pele com o intuito de embelezar. Por sua vez, os ícones de beleza também se transformaram: no Renascimento a beleza era formas arredondadas e pele alva como sinonimo de pureza e saúde. Nos anos sucessivos à Grande Guerra a beleza era romântica, como Rodolfo Valentino, nos anos 70 delicada como Twig. Hoje, talvez se possa deduzir que a beleza é parar o tempo, se possível rejuvenescer. Basta ver o sucesso dos reality shows sobre moda e estética. Já não basta acentuar a beleza natural devemos transformá-la, esculpi-la. E nessa busca somos induzidos a sermos semelhantes: os japoneses querem ter os olhos ocidentais e as ocidentais os cabelos dos orientais. E assim ganha a indústria da beleza.
O culto obsessivo do belo esconde provavelmente um medo profundo: o medo do envelhecimento. Processo natural de transformação de todos os seres vivos é hoje identificado como feio, inútil, desagradável, provavelmente porque caminho inequívoco para o fim. Pelo menos ao fim do mundo materialmente conhecido. Mas tendo em vista a perda da espiritualidade e da crença primitiva de uma continuidade após a morte e com o advento do materialismo e do consumismo é possível entender o medo desse desconhecido. E o homem no seu desejo de imortalidade tem mais do que nunca medo do “fim”.

Patricia Schmarczek