venerdì 6 febbraio 2015

Tre progetti portoghesi vincitori del Premio di Architettura “Building of the Year 2015”

IN http://www.roma.embaixadaportugal.mne.pt/it/l-ambasciata/notizie/523-tre-progetti-portoghesi-vincitori-del-premio-di-architettura-building-of-the-year-2015.html

Tre progetti portoghesi vincitori del Premio di Architettura “Building of the Year 2015”:

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/tres-projectos-portugueses-vencedores-do-premio-de-arquitectura-building-of-the-year-1685223


http://boty.archdaily.com/us/2015/candidates/80880/sambade-house-spaceworkers

http://boty.archdaily.com/us/2015/candidates/79299/fogo-natural-park-venue-oto

http://boty.archdaily.com/us/2015/candidates/80112/the-building-on-the-water-alvaro-siza-carlos-castanheira

Isabella Mangani, domenica in omaggio a Amália

https://www.facebook.com/events/909985529052222/?ref_newsfeed_story_type=regular


L'Associazione Culturale Liberipassi, che ringrazio, ha avuto la bella idea di organizzare un tardo pomeriggio dedicato al Portogallo.

Sono onorata di essere stata chiamata a rappresentare questo Paese che mi sta nel cuore e tutto intorno, insieme a due valenti musicisti, Stefano Donegà e Felice Zaccheo.
E sono felice di condividere il palco con un amico e mentore d'eccezione, Francisco de Almeida Dias.

Sua è stata infatti l'idea di creare un percorso di poesia e musica intorno alle parole dei grandi poeti cantati da Amália Rodrigues e ai versi - di minor spessore letterario, forse, ma altrettanto intensi - scritti dalla stessa Amália.

Durante la serata poetico-musicale verranno suonati dei fado e letti testi in portoghese e in italiano.

E poi si mangerà portoghese!

Con:
Francisco de Almeida Dias
Voce: Isabella Mangani
Chitarra classica: Stefano Donegà
Chitarra portoghese: Felice Zaccheo

Domenica 8 Febbraio alle ore 18,00
SAUDADE DE LISBOA - "AMÁLIA TRA I POETI"
Poesia, musica e cibo dal Portogallo
Presso Associazione Culturale Aleph
Vicolo del Bologna, 72 - Trastevere

**Biglietti Esauriti - prenotazioni per futura replica**

Info: Associazione Culturale Liberipassi
liberipassi1@gmail.com - liberpass00.blogspot.com
Tel. 320 3336570


https://www.facebook.com/pages/Isabella-Mangani-Music-Page/331262090229544



lunedì 2 febbraio 2015

4/4: Radiana Nigro, “Lemos para sabermos que não estamos sós”


A propósito de uma deixa teatral do texto de Maria Velho da Costa Madame, que na sua estreia no palco estava na boca da atriz brasileira Eva Wilma - no papel de Capitu (a do Dom Casmurro, de Machado de Assis) que contracenava com Eunice Muñoz / Maria Eduarda d’Os Maias - lançámos o repto à nossa turma de nível avançado. Que see screvesse sobre o conceito “Lemos para sabermos que não estamos sós”.


Responderam quatro vozes femininas: as nossas alunas Ferena Carotenuto, Ivana Bartolini, Mariarita Vecchio e Radiana Nigro, com os belíssimos textos que publicamos em seguida e a quem muito agradecemos pelo interesse e pela qualidade dos seus trabalhos.


Virginia Woolf escreveu “Às vezes acho que o Paraíso é um contínuo infinito ler”.

Se é assim, eu queria absolutamente lá ir. A leitura, para mim, é a Vida porque, segundo penso, ela é um verdadeiro instrumento de crescimento pessoal e de ampliação do nosso espaço interior.

As palavras salvam quer quem escreve quer quem lê, contam da nossa vida e convidam-nos a interrogarmo-nos.

Os livros consolam, nutrem, são amigos fiéis e inseparáveis especialmente em momentos de abatimento e solidão. Portanto - como diz Borges - ler é uma maneira importante de  ‘ter cuidado de si próprio’ou então - como ironicamente salienta Woody Allen - é uma ‘acção de legítima defesa’.

Mesmo que seja verdade que a leitura é uma actividade íntima e pessoal não se deve porém negar a sua dimensão social: ler é também um momento de intercâmbio como outros, é descobrirmos nas palavras que encontramos, é dar um nome às nossas emoções, é encontrar amigos que partilham o nosso mesmo caminho.

O facto de perceber que alguém encontrou os nossos mesmos problemas, tem ou teve as nossas mesmas ideias, faz ou fez frente às nossas mesmas dificuldades, dá-nos a conhecer que não estamos sós.

Através das páginas dum livro cada um pode descobrir partes de si mesmo, dar-se conta de que situações, alegrias, dor são comuns também aos outros e assim a leitura vai tornar-se abertura mental em direcção a mundos outros e longínquos.

Alguém, talvez Eco, afirmou que quem não lê, aos 70 anos terá vivido uma só vida, a própria! Pelo contrário, quem lê terá vivido 5.000 anos porque ele viveu também a vida dos outros: ali estava quando Caim matou Abel, quando Renzo se casou com Lucia, quando Leopardi admirava o ‘Infinito’… Porque a leitura é uma ‘imortalidade para trás’.

O prazer da leitura infelizmente não pode ser ensinado -“o verbo ler, como os verbos sonhar e amar,  não suporta o imperativo” (este é Pennac) - mas pode ser transmitido com o exemplo.

Quando alguém for próximo a pessoas que querem ler, e tiver contacto com a paixão que pode ser desencadeada pelos livros, será talvèz possível que – tomara! - a leitura, mesmo se devagarinho, se torne para ele numa necessidade vital, como é para mim.   
    
RADIANA NIGRO

3/4: Mariarita Vecchio, “Lemos para sabermos que não estamos sós”


A propósito de uma deixa teatral do texto de Maria Velho da Costa Madame, que na sua estreia no palco estava na boca da atriz brasileira Eva Wilma - no papel de Capitu (a do Dom Casmurro, de Machado de Assis) que contracenava com Eunice Muñoz / Maria Eduarda d’Os Maias - lançámos o repto à nossa turma de nível avançado. Que see screvesse sobre o conceito “Lemos para sabermos que não estamos sós”.

Responderam quatro vozes femininas: as nossas alunas Ferena Carotenuto, Ivana Bartolini, Mariarita Vecchio e Radiana Nigro, com os belíssimos textos que publicamos em seguida e a quem muito agradecemos pelo interesse e pela qualidade dos seus trabalhos.



Companheiros  duma viagem infinita

“É um raro emocionante prazer encontrar um velho livro vestido à moda do seu tempo” (Emily Dickinson)


Com certeza vamos continuar a ler livros de papel, porém devemos começar a percorrer novos caminhos aprendendo novas formas de leitura. De todo o modo, a coisa mais importante é o que um  livro - de papel ou electrónico - contém.

Os livros excitam o pensamento, satisfazem a curiosidade intelectual, são uma terra imensa e viva de tinta em que nós  encontramos  caminhos sempre novos.  Aliás, pelos livros, cada leitor tece uma trama de relações com outros homens, sentimentos, experiências, sonhos.

Outrora as pessoas mais velhas eram a “memória da espécie” porque contavam aos jovens o que acontecera no passado de maneira que um jovem pudesse acumular as experiências dos homens que tinham vivido antes dele. Hoje os nossos velhos são os livros porque permitem nós vivermos, com a nossa, inumeráveis outras vidas, muitas das quais já vivemos: fomos atormentados pelo nosso amor mas também por aquele de Romeo e Giulietta, cheirámos  o odor repugnante dos esgotos de Paris junto a Jean Valjean, trememos de  frio , na tempestade de neve, junto a Zivago abrimos o coração no mar, no silêncio da noite sob um céu cintilante de estrelas, esperando por Moby Dick…
                                                               
Além disso, o livro, pelo facto de ser um instrumento de transmissão das ideias e da memória foi vítima do fanatismo e da censura. Milhares de livros foram destruídos pela intolerância política e religiosa. A simples ideia que quase cada livro contém – a existência de um Outro ou de um Além talvez imaginados melhores – enfraquece fidelidades e obediências dogmáticas. Ler é um gesto que faz discutir o presente, aproxima outros homens, outras épocas, também afastadas e inimigas, é o nexo “ com o diabólico espírito do passado “ chamava-o Goebbles.

Poderia ser interessante conhecer as motivações das pessoas que em Qumram, perto do Mar Morto, em Mogao, no deserto do Gobi, em Florença, no ano 1966, semelhantes aos  “Homens-Livros” de Bradbury salvaram qualquer coisa: um papiro, uma pequena tábua, um manuscrito, uma memória. Estas pessoas conservaram, esconderam, guardaram a delicada e vulnerável fé no futuro que ao longo de milhares de anos – uma viagem infinita – nós homens entregamos aos livros.


MARIARITA VECCHIO

2/4: Ivana Bartolini, “Lemos para sabermos que não estamos sós”


A propósito de uma deixa teatral do texto de Maria Velho da Costa Madame, que na sua estreia no palco estava na boca da atriz brasileira Eva Wilma - no papel de Capitu (a do Dom Casmurro, de Machado de Assis) que contracenava com Eunice Muñoz / Maria Eduarda d’Os Maias - lançámos o repto à nossa turma de nível avançado. Que see screvesse sobre o conceito “Lemos para sabermos que não estamos sós”.

Responderam quatro vozes femininas: as nossas alunas Ferena Carotenuto, Ivana Bartolini, Mariarita Vecchio e Radiana Nigro, com os belíssimos textos que publicamos em seguida e a quem muito agradecemos pelo interesse e pela qualidade dos seus trabalhos.


Não sabia que a frase “Lemos para sabermos que não estamos sós” faz parte dos diálogos dum filme de que gosto imenso.
O seu título é: “Shadowlands” de Richard Attenborough de 1993. Um filme, para mim, magnífico.
Naquela altura uma outra frase, sempre no mesmo filme, atraiu a minha atenção: “A dor de amanhã faz parte da felicidade de hoje e a dor de hoje faz parte da felicidade de ontem.
Lembrá-la acompanhou-me nos anos a seguir.
Hoje descubro uma outra frase. E’ uma afirmação que compartilho completamente. Ler um livro é como ter um amigo perto de nós. Gosto de livros.
Leio bastante e tenho na minha casa um cantinho cheio de livros. São novos e usados. Os livros usados têm um cheiro particular, um cheiro que é proprio destes livros.
Gosto do livro usado porque respiro e imagino nas folhas a presença de outras pessoas que o leram antes de mim. Aquelas pessoas tiveram  vidas diferentes da minha mas o escolheram-no e gostaram dele como agora eu faço.
Com todas estas sensações a minha leitura parece melhor.
Gosto oferecer livros e recebê-los. Digo que um livro é para sempre. Sim, porque também um amigo é para sempre, e o livro é um bom amigo. Não tenho a dizer mais coisas sobre  “aquela frase”, mas uma coisa é certa. A diferença que está no ler um livro na internet e ler um livro de papel é:
um livro de papel posso senti-lo vivo nas minhas mãos. Ponho-o sobre o meu peito quando me adormeço e reencontro-o sempre ali quando acordo.   E’ uma sensação lindissima de amizade e eu já não estou sozinha.

IVANA BARTOLINI

1/4: Ferena Carotenuto, “Lemos para sabermos que não estamos sós”


A propósito de uma deixa teatral do texto de Maria Velho da Costa Madame, que na sua estreia no palco estava na boca da atriz brasileira Eva Wilma - no papel de Capitu (a do Dom Casmurro, de Machado de Assis) que contracenava com Eunice Muñoz / Maria Eduarda d’Os Maias - lançámos o repto à nossa turma de nível avançado. Que see screvesse sobre o conceito “Lemos para sabermos que não estamos sós”.


Responderam quatro vozes femininas: as nossas alunas Ferena Carotenuto, Ivana Bartolini, Mariarita Vecchio e Radiana Nigro, com os belíssimos textos que publicamos em seguida e a quem muito agradecemos pelo interesse e pela qualidade dos seus trabalhos.




“Lemos (...)”
A actividade da leitura foi sempre fundamental na minha vida. Começando com o facto que eu era tão impaciente de poder ler, que apreendi a ler sem a ajuda da educadora, aos cinco anos. Ainda devia frequentar a primeira classe, quando no jardim-de-infância começavam a deixar conhecer as letras do alfabeto, uma após a outra, depois de termos traçado os primeiros circulinhos, os futuros “a” e “o”, depois os tracinhos verticais, enfim os arquinhos. Páginas e páginas de elementos gráficos. Nós pequeninos, sem ter ideia nenhuma da razão de tudo isso, inocentes, obedientes, passávamos horas e horas de grande empenho físico e mental, enchendo papéis. Quem sabe se também os génios da literatura, Dante, ou Leopardi, quando eram crianças, traçaram as mesmas linhinhas e circulinhos? 
Então, tantas letras separadas, sons isolados. E um dia de verão, no carro do meu pai, mantendo o jornal no colo, pus os sons e as letras juntos e comecei a ler, tanto era grande o meu desejo de saber o que podiam significar aqueles símbolos misteriosos que cobriam os muros da cidade, estavam em cima das lojas, nas páginas dos jornais. Eu percebia que aqueles sinais eram uma mensagem para mim, e era muito curiosa, à descoberta infantil do mundo. A partir daquele verão de 1966, o mundo da leitura abria-se aos meus olhos: podia iniciar a exploração do oceano imenso dos inúmeros livros do passado, presente e futuro. 
Os livros na casa eram tantos, e eu devia só buscar aqueles adequados para a infância: nem sempre era possível!

“(...) para sabermos que não estamos sós”
É óbvio: quem escreve não escreve só para si, mas também para as outras pessoas. Às vezes uma pessoa escreve um diário, que deveria ser destinado para si próprio, mas é claro que um diário quer sempre comunicar algo a alguém, ainda que só àquele que o escreve. 
Quem tem um livro consigo nunca é só. O ponto interessante é que todos estamos por exemplo em companhia do mesmo autor, lendo o mesmo livro. Mas o tipo de companhia é variável, dependendo de cada uma pessoa na sua unicidade. Para mim os sentimentos causados pela leitura de uma poesia de Montale não serão idênticos àqueles da minha vizinha Bárbara, lendo a mesma poesia. Nesse sentido, todos estamos intimamente relacionados de várias maneiras  com os autores: a nossa é, e sempre será, uma relação unívoca, isto é, eu e o autor. Relação que muda no tempo e no espaço em termos de qualidade, dependendo de condições diferentes: as minhas reacções lendo Montale na juventude com certeza divergem com os sentimentos que tenho lendo Montale no outono da vida. 
É bom que, lendo livros, nunca estejamos sós. É positivo ter livros. O livro é sempre um óptimo amigo: nunca te vai deixar sozinho. E o livro é também amante dos solitários.
Faz bem possuir livros e ter inúmeras possibilidades de leitura em qualquer momento: abre-se então o contacto autor-leitor, contacto longínquo embora imediato. 
Porque é fantástico poder falar com os mortos, caminhando pelas ruas da cidade e levando consigo na mochila Dostoievski. Embora Fëdor tinha morrido há mais de cem anos, ele é ainda vivo e fala connosco quando nos comunica os pensamentos de Raskólnikov em Crime e Castigo. E assim será com todos os autores que poderemos ler até o fim. 
Que pena não poder ler todos os livros escritos neste mundo! Não poder ter aquela biblioteca infinita, a Biblioteca de Babel, para falar como Borges. 
Enfim, os livros vão ser eternos até que haja leitores. Nesse sentido, graças à literatura, ninguém estará só, até que haja um único livro na terra.    


FERENA CAROTENUTO

“Lemos para sabermos que não estamos sós”.


A propósito de uma deixa teatral do texto de Maria Velho da Costa Madame, que na sua estreia no palco estava na boca da atriz brasileira Eva Wilma - no papel de Capitu (a do Dom Casmurro, de Machado de Assis) que contracenava com Eunice Muñoz / Maria Eduarda d’Os Maias - lançámos o repto à nossa turma de nível avançado. Que see screvesse sobre o conceito “Lemos para sabermos que não estamos sós”.

Responderam quatro vozes femininas: as nossas alunas Ferena Carotenuto, Ivana Bartolini, Mariarita Vecchio e Radiana Nigro, com os belíssimos textos que publicamos em seguida e a quem muito agradecemos pelo interesse e pela qualidade dos seus trabalhos.

1/4: Ferena Carotenuto, “Lemos para sabermos que não estamos sós”
2/4: Ivana Bartolini, “Lemos para sabermos que não estamos sós”
3/4: Mariarita Vecchio, “Lemos para sabermos que não estamos sós”

4/4: Radiana Nigro, “Lemos para sabermos que não estamos sós”