martedì 15 marzo 2016

Fiorella Ialongo - sulla mostra all'Istituto Portoghese





Mostra dei docenti della Scuola d’Arte e dei Mestieri dedicata a Nicola Zabaglia

    Scritto da Fiorella Ialongo       
    Pubblicato: 13 Marzo 2016 - Matchnews Arte


Da molti decenni si tramanda un’antica tradizione artigiana nelle Scuole d’Arte e dei Mestieri. In esse si realizza, fin dalla loro costituzione, “un’alternanza scuola lavoro ante litteram”.

Queste scuole sono nate da un gruppo di artigiani e professionisti tra cui pittori, scultori, decoratori, architetti i quali decisero di unirsi condividendo l’utilità di una formazione pratica unita ad un approfondimento culturale artistico. Si tratta di due elementi che, ancora oggi, possono costituire la base di una crescita sia professionale, sia competitiva e, in prospettiva, elementi in grado di favorire  la concorrenza anche in ambito internazionale.

In questa prospettiva è da ricordare, a Roma, la Scuola d’Arte e dei Mestieri dedicata a Nicola Zabaglia, mastro carpentiere della Fabbrica di San Pietro nel XVIII secolo. In essa, fin dalla sua costituzione nel 1871, si sono formati culturalmente in maniera specifica scalpellini, ebanisti, decoratori, intagliatori, che già esercitavano queste professioni. Tra i maestri si ricordano C. Mariani, D. Bruschi, L. Seitz, L. Bazzani che hanno formato allievi quali Boccioni, Severini, Guidi, Mafai, Ziveri. Con il trascorrere del tempo, le specificità artigiane e professionali sono state adattate alle diverse esigenze che maturavano  e sono state rese funzionali a quelle attuali. Nell’ottica appena delineata i docenti della predetta scuola hanno organizzato la seconda edizione di una mostra intitolata “Zab Art”, che si sta tenendo negli storici locali della galleria d’arte dell’Istituto Portoghese di S. Antonio, a Roma, in Via dei Portoghesi 6 e che resterà aperta fino al 30 marzo, da mercoledì a domenica, dalle 17 alle 20. L’evento ha l’Alto Patrocinio dell’Ambasciatore del Portogallo presso la Santa Sede, Dott. Antonio de Almeida Ribeiro, e del Dipartimento Sviluppo Economico e Attività Produttive Formazione Lavoro di Roma Capitale.

Nel corso del vernissage abbiamo chiesto alla prof.ssa Laura Mocci, docente di storia dell’arte presso la Scuola d’Arte e dei Mestieri dedicata a Nicola Zabaglia, quale sia il fine dell’evento. “Questa mostra è la concretizzazione di un progetto fortemente voluto dal coordinatore della scuola, l’arch. Roberto Cumbo e da me. Si tratta di un’esposizione differente rispetto a quelle solitamente allestite per mostrare le opere degli allievi al termine dell’anno scolastico. Nell’antologica presentata oggi sono stati gli stessi insegnanti che hanno voluto mettersi in gioco offrendo ai visitatori un saggio delle loro competenze e professionalità. In particolare hanno cercato di sottolineare come ogni professore sia innanzitutto un artista che cerca di approfondire la propria ricerca personale artistica, nella consapevolezza che uno studio più attento e curato sia la base per un insegnamento proficuo e stimolante”. E’ stato individuato un tema specifico? “No, ogni docente è stato libero di presentare un proprio lavoro scegliendo lo stile e la tecnica che ha preferito”. Quali sono gli elementi di novità rispetto alla precedente mostra? “Essi sono numerosi, tra gli altri, vorrei sottolineare la presentazione del progetto “Dalla scuola al cantiere”, portato avanti dalla docente Elisabetta Accoto con i suoi allievi. Si tratta della riproduzione in mosaico degli stemmi rionali storici di Roma Capitale. Inoltre, per ringraziare della disponibilità e del sostegno alla nostra iniziativa della struttura che ci ospita, abbiamo donato all’Istituto Portoghese una riproduzione in mosaico del suo stemma, raffigurante S. Antonio. Quest’opera è stata realizzata dai nostri allievi". Quali sono i nomi dei docenti che espongono? “Gli artisti presenti alla mostra sono: Elisabetta Accoto, Letizia Ardillo, Laura Barbarini, Rossella Canuti, Daniela Caporali Viggiani, Marco Castracane, Riccardo Civitella, Egidio Cosimato, Monica Cosimi, Gabriella D’Anna, Barbara Duran, Giuditta Gaudioso, Maurizio Lauri,  Giovanni Papi, Alessandra Pasqualoni, Osvaldo Sabene, Giuliano Salaro, Otello Scatolini, Antonio Toscano, Claudio Valenti, Romana Vanacore.”


http://www.matchnews.it/it/arte-cultura/947-mostra-dei-docenti-della-scuola-d-arte-e-dei-mestieri-dedicata-a-nicola-zabaglia.html
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Poligrafia? Multigrafia? Plurigrafia? Arbitriografia?

A nossa aluna CHRISTINE VITALI partilha connosco a sua leitura deste artigo...



https://www.publico.pt/politica/noticia/ortografia-e-que-nao-1725738

Ortografia é que não

Chamem-lhe poligrafia, multigrafia, plurigrafia, arbitriografia, o que quiserem. Ortografia é que não.
 
 
Marcelo Rebelo de Sousa escreveu um longo artigo no Expresso sem respeitar o novo Acordo Ortográfico em vésperas de tomar posse. Ah!; Marcelo tem vários assessores anti-acordistas. Ena!; Marcelo subscreveu um manifesto de personalidades anti-Acordo em 1991. Caramba!; o discurso presidencial de Marcelo respeitou, afinal, o Acordo Ortográfico de 1990. Oooooh!
Tudo isto se passou em poucos dias e tudo isto acendeu, para logo atenuar, nova chama na velha querela ortográfica. O vigilante Malaca veio logo clamar que Marcelo, em Belém, teria que se submeter ("é a lei!") e outros exigiram clarificações. Nada de novo, a não ser o disparate do costume. Mas o mais importante reside na frase que rematava o artigo do agora Presidente: "Marcelo Rebelo de Sousa escreve de acordo com a antiga ortografia". Ora a frase é absurda por uma razão simples: não existe uma nova ortografia. Existe, sim, um acordo que destrói a noção mais básica de ortografia, a que vem descrita, com clareza e secura, no relatório académico que antecedeu o acordo de 1945: "Não se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra da língua portuguesa terá uma grafia única. Não se consideram grafias duplas as variantes fonéticas e morfológicas de uma mesma palavra" (por exemplo: ouro, oiro; louça, loiça; touro, toiro, etc). Pois a tal "nova ortografia" não só consente como multiplica à exaustão grafias duplas e facultativas. Antes dela, o Brasil tinha uma ortografia. Portugal também. Agora, têm um supermercado de palavras, muitas delas caricatamente deformadas, para usar ao gosto do freguês — o "escrevente".
Ora Marcelo respeitou a ortografia (em vigor, já que nenhuma lei explicitamente a revogou) aprovada em 1945 com bases científicas. O que por aí anda é outra coisa. Chamem-lhe poligrafia, multigrafia, plurigrafia, arbitriografia, o que quiserem. Ortografia é que não. Por isso, se o senhor Presidente quiser poligrafar, poligrafe. Se não quiser, ponha algum tento nisto.


lunedì 14 marzo 2016

Dia de anos de Celeste Rodrigues: a alegria da música

Hoje a grande fadista CELESTE RODRIGUES faz 93 anos de vida!

Vida longa, vida rica, cheia de emoções, que a fadista soube sempre transmitir, através da sua arte e do seu modo de estar perante as coisas da vida.

Nesta curta entrevista concedida a Anabela Mota Ribeiro diz como nunca pensou ser artista e como a música a acompanha em cada momento, transmitindo-lhe alegria!

https://vimeo.com/105430883

Bem-haja, CELESTE por estes anos longos e brilhantes, em que tem enchido as nossas vidas, com a sua voz e com o que ela desperta nas almas. É com grande emoção que Via dei Portoghesi, os seus leitores e amigos e um grupo de admiradores seus em Roma lhe dá os parabéns, de todo o coração.
E lhe deseja uma vida muito longa ainda e muito feliz!



 http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=375

Celeste Rodrigues é uma fadista tradicional das mais conceituadas do universo musical português, considerada uma referência pelas mais jovens gerações de intérpretes.
Maria Celeste Rebordão Rodrigues nasceu no Fundão a 14 de Março de 1923. Quando tinha 5 anos os seus pais vieram para Lisboa e estabeleceram-se no bairro de Alcântara. Celeste Rodrigues frequentou a Escola Primária da Tapada e recorda a sua infância como igual à de tantas outras crianças, com a excepção de se reconhecer como uma "maria rapaz", traquina, embora tímida e envergonhada. Quando não quis estudar mais, empregou-se numa fábrica de bolos. E, mais tarde, junto com a irmã Amália, trabalha num ponto de venda de artigos regionais na Rocha Conde de Óbidos (cf. “Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967).

A sua carreira é impulsionada pelo empresário José Miguel, à data proprietário de várias casas típicas, que depois de a ter ouvido cantar, entre amigos, na Adega Mesquita, insiste na sua profissionalização como fadista.
Celeste Rodrigues estreia-se em 1945 no Casablanca (actual Teatro ABC) e, dois meses depois, ingressa numa Companhia teatral e parte para o Brasil, acompanhando a irmã Amália Rodrigues na representação da opereta "Rosa Cantadeira" e da revista "Bossa Nova". Esta digressão acaba por durar cerca de 1 ano. Ao longo da sua carreira Celeste Rodrigues receberá diversos convites para integrar peças de teatro, mas recusa sempre.
No regresso a Lisboa dá continuidade à sua carreira de fadista, apresentando-se no elenco de diversos espaços de fado como o Café Latino, o Marialvas ou a Urca (na Feira Popular). Mais tarde, transita do Luso para a Adega Mesquita, onde se mantém por 4 anos. Posteriormente integra os elencos da Tipóia e da Adega Machado.
No início da década de 1950 a fadista regressa ao Brasil, desta feita para actuar na rádio, na televisão e no restaurante Fado, de Tony de Matos, sempre com assinalável êxito.
Aos 30 anos casa-se com o actor Varela Silva, com quem tem duas filhas. É contratada para cantar na casa Márcia Condessa e, em Janeiro de 1957, torna-se proprietária do restaurante típico A Viela, um espaço privilegiado para a convivência de poetas, intelectuais, cantores e de longas tertúlias, mas ao qual renuncia 4 anos mais tarde, confessando não sentir “queda para o negócio” (cf. Álbum da Canção, 1 de Maio de 1967).
Na década de 1950 Celeste Rodrigues era já uma figura ímpar no universo do Fado, levando-o além fronteiras, para países como o Brasil, Espanha, Congo Belga, África Inglesa, Angola e Moçambique. E, em território nacional, era também uma fadista consagrada, conforme revela à revista “Álbum da Canção”, foi das primeiras “a actuar no período experimental da RTP, no teatro da Feira Popular (…)” e “a primeira a enfrentar as câmaras, quando os estúdios do Lumiar passaram da fase de experiências para as emissões regulares.” (cf. “Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967), actuações em espaços bem demonstrativos da sua grande popularidade.
Continuando a pautar o seu percurso profissional pelas apresentações nas casas de fado de Lisboa, Celeste Rodrigues integra o elenco da Parreirinha de Alfama no início da década de 1960, e aí permanece por mais de 10 anos, altura em que João Ferreira-Rosa a convida para o elenco da Taverna do Embuçado, onde faz actuações ao longo de 25 anos. Posteriormente actuará nas casas Bacalhau de Molho e Casa de Linhares. A fadista concretiza uma carreira de sucesso, com actuações nas casas típicas, em programas de rádio e televisão, nacionais e internacionais. No auge da sua carreira artística, celeste Rodrigues foi também convidada a gravar para a BBC em Londres, a convite de Richard Engleby. E, no decurso de todos estes anos de actividade intensa, teve oportunidade de passar por algumas das maiores cidades do mundo.
Apesar das sucessivas comparações com Amália Rodrigues, sua irmã, Celeste Rodrigues possui uma autenticidade única, uma forma singular de interpretação, patente nos temas do seu repertório, como os populares “A lenda das algas” (Laierte Neves – Jaime Mendes), “Saudade vai-te embora” (Júlio de Sousa), “O meu xaile” (Varela Silva), ou o tema de Manuel Casimiro “Olha a mala”, que se tornou o seu maior êxito de vendas, entre os quase 60 discos que gravou.

Corre o ano de 2005 quando Ricardo Pais, director do Teatro Nacional São João, a desafia a participar no espectáculo "Cabelo Branco é Saudade" ao lado de outras três grandes vozes do Fado: Argentina Santos, Alcindo de Carvalho e Ricardo Ribeiro. Com este espectáculo a fadista teve a oportunidade de percorrer vários palcos nacionais e internacionais.
Mais recentemente, um dos momentos altos da sua carreira é a edição do álbum “Fado Celeste”, editado em 2007 na Holanda, e que reúne fados tradicionais e inéditos com letras de autores contemporâneos, como Helder Moutinho e Tiago Torres da Silva.
Nesse mesmo ano, em Outubro, decorreu no auditório do Museu do Fado uma homenagem à fadista, iniciativa da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, num reconhecimento da “voz bonita, capacidade interpretativa e a regularidade de uma carreira.” (declarações de Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF à agência Lusa).
Actualmente Celeste Rodrigues vive entre Lisboa e Washington, onde residem as suas filhas e os seus netos, mas mantém uma actividade fadista regular, participando em diversos espectáculos e actuando pontualmente em casas de fado de Lisboa. Como a própria revelou, em 1970: “a idade influi grandemente na maneira como se canta. Sentimos o que cantamos, com maior sensibilidade e emoção.” (cf. “Rádio & Televisão”, 11 de Novembro de 1970, in “Cabelo Branco é Saudade”, programa do espectáculo, 2005). E é certamente essa sensibilidade e emoção que todos continuamos a registar nas suas interpretações.




Fado Celeste
Tiago Torres da Silva / Pedro Pinhal

Quando a manhã desperta
A janela entreaberta
Deixa-me ver a cidade;
E p'ra não sofrer à toa
Não dou um nome a Lisboa
E só lhe chamo saudade

Há tanta gente a passar
Que às vezes chego a escutar
O pregão duma varina
Sei que a vida continua
Mas vejo passar na rua
Os meus tempos de menina

Olho outra vez a cidade
Mas quando o vento me invade
E a solidão me agarra
Fecho de vez a janela
Peço à saudade, cautela
E abraço uma guitarra



giovedì 10 marzo 2016

Gianni Pompeo: “La storiella di Chicco”. Tradução portuguesa de Luciana Brito



Em março do ano passado, o nosso aluno de 1º nível GIANNI POMPEO escreveu esta história que intitulou “A historinha de Chicco - La storiella di Chicco”.
Aquilo que era um exercício de estilo tornou-se depois num exercício de amizade, porque na tradução para o português, o Gianni contou com a ajuda de LUCIANA BRITO, da cidade do Porto.

As palavras de amizade que Gianni lhe dedica merecem ser citadas em parte:
«(Luciana) da me conosciuta alle Açores ad ottobre passato, dove lavorava come guida-biologa su di una barca per avvistamento balene,  ha cortesemente offerto la sua collaborazione per la traduzione. (…) Ci tengo in particolar modo che sia citata Luciana come traduttrice. (…) Quello che più mi  ha emozionato è stato il fatto di essere stato invitato dalla sua famiglia a cena a casa loro  a Porto e di avermi fatto sentire come uno di loro, della lunga chiacchierata con la mamma e la simpatia delle sorelle.»

Depois desta introdução, os textos:



La storiella di Chicco
(The journey of grain)

un ringraziamento particolare ad … “A” … musa ispiratrice


Pedro era inquieto, la notte appena passata lo aveva visto insonne, tormentato  dai pensieri.
La sera prima la sua terza moglie Soledad, gli aveva annunciato sorridendo, ma senza troppa enfasi, di essere embarazada (incinta); sarebbe il quarto con lei, a cui si aggiungono gli altri tre avuti con le due precedenti mogli.
Una bocca in più da sfamare aveva sentenziato nei suoi pensieri notturni, concludendo che dove ce ne è per cinque ne scappa anche per sei. Certo, se mesi prima fosse andato al Centro de la Familia quando distribuivano gratis i profilattici, la cosa si sarebbe potuta evitare, ma quel giorno iniziava la raccolta, proprio non fu possibile.
Il richiamo forte e minaccioso del Capataz, piccolo capetto del campo, lo distolse definitivamente dai suoi pensieri; era ora di iniziare. Certo che lui, Pedro, discendente del glorioso popolo dei Yanomani, più e più volte aveva maledetto il giorno che abbandonò la sua tribù per avvicinarsi alla civiltà, mai e poi mai ne avrebbe fatto ritorno. Troppo orgoglioso, troppo cocente la sconfitta.
Il campo era situato nella fazenda Los Cochinos, di proprietà di una famiglia di origini portoghesi, la paga era buona, 35 real al giorno, buona in confronto a quanto davano gli altri fazenderos della zona.
Il metodo di raccolta praticato era quello del Picking, si raccolgono a mano solo le bacche mature; un sistema certamente esoso, ma che garantisce una qualità più pregiata.
La Coffea Arabica qui coltivata costituisce i tre quarti della produzione mondiale, ed è insieme alla Coffea Robusta una delle miscele più apprezzate. Certo, non come il famoso indonesiano Kopi Luwak considerato il migliore, frutto della digestione dello Zibello delle palme, fatto questo, che a molti lascia un pò perplessi
Chicco aveva passato una notte tranquilla, con il suo gemello si parlava del più e del meno,  dell'umidità che era in aumento, dei cugini, e anche della leggenda che girava sui confratelli che all'improvviso sparivano senza dare più notizie di alcun genere. Chi diceva che erano emigrati, chi che li avevano rapiti e altre storie che si tramandavano da fioriture in fioriture. Certo è che nessuno ha fatto ritorno.
Con i suoi circa otto mesi di vita Chicco si sentiva pronto ad affrontare il futuro; inconsapevole di quale fosse, si apprestava a trascorrere la giornata con animo sereno.
Tutto accadde repentinamente,  un misto di violenza, delicatezza, rapidità. Chicco abbandonò per sempre mamma Coffea Arabica; insieme al suo gemello e altri confratelli si ritrovò nelle esperte mani di Pedro, che li ripose nella sacca stretta al suo fianco destro.
Non si sarebbero più rivisti.
Imprigionato, Chicco viene proiettato in una miriade di eventi sconvolgenti, a Lui incomprensibili, non ne era preparato. Disteso al sole insieme a milioni di confratelli, decortificato; e si che questa fu un'esperienza traumatica, si separò dal gemello, insaccato in un sacco di juta da 60 kg, immagazzinato, imbarcato in un immenso cargo, solcato l'oceano atlantico, sbarcato a Trieste, immagazzinato nuovamente, infine trasportato nella città eterna, Roma. Qui di nuovo in un magazzino, che esperienze, nessuno mai gliene aveva parlato, neanche un accenno. Le sorprese non finiscono, era ancora di un bel colore verde, ma un accadimento traumatico lo trasformerà irrimediabilmente; liberato dal sacco di juta, dopo un momento di timida euforia si ritrova  in compagnia di lontani cugini a lui ignoti, chi Africano, chi Asiatico, una miscela di razze, tutti insieme in un grande marchingegno. La temperatura sale a circa 200 gradi e il tutto dura una quindicina di minuti. Una super sauna.
Chicco ne esce traumatizzato e trasformato, la sua livrea è cambiata, marrone scuro, una camaleontica metamorfosi.
Su di un rullo trasportato, impacchettato e di nuovo in magazzino, trasportato; nuovamente approda in un ambiente apparentemente più tranquillo, piano terra, palazzo a uso uffici, zona piazza Vittorio.
La giornata era iniziata serena, meteorologicamente uggiosa, squilla il telefono, non può essere; dall'altro capo dell'etere una voce femminile scandisce con tono ironico e deciso: "ma allora questo caffè" lasciando l'interlocutore per una impercettibile frazione di secondo senza fiato, anche  se in effetti la sera precedente c'era stato una sorta di preavviso, ma la sorpresa, l'emozione per quell'invito  furono evidenti. Rapidamente ripresosi dall'evento concordò il da farsi; al piano terra di un palazzo uso uffici si convenne di incontrarsi.
Tu che prendi, tu che prendi e l'ordinazione partì. Una mano femminile prese un pacchetto da un kg,,  lo recise al bordo e ne versò distrattamente il contenuto in un recipiente meccanico.
Finalmente, di nuovo libero esclamò Chicco, ma un forte rumore gli spaccò i timpani, lamelle taglienti lo frantumarono riducendole in polvere, e insieme a un centinaio di confratelli per un magro peso di circa 14 grammi finisce nel portafiltro e pressato, incastrato nella bocca di una grande macchina e, quando la solita manina aziona un pulsante, una doccia di acqua calda pressata lo fa precipitare trasformandolo allo stato liquido, deliziando il palato dei due convenuti. Buono però esclamò lei, ottimo concordò lui.
Chicco non c'è  più.

GIANNI POMPEO



A historinha de Chicco
(a viagem dos grãos)

Pedro estava inquieto; a noite passada tinha-o visto sem sono, perturbado por certos pensamentos.
Na noite anterior, a sua terceira mulher, Soledad, tinha-lhe anunciado sorrindo, mas sem demasiada circunstância, de estar ‘embarazada’ (grávida); seria o quarto com ela, a que se juntavam os outros três tidos com as duas esposas precedentes.
Mais uma boca para tirar a fome…tinham sentenciado os seus pensamentos nocturnos, mas acabou por concluir que, onde há para cinco, há também para seis. Claro que, se meses antes tivesse ido ao Centro de Família quando distribuíam os anticoncepcionais, a coisa poder-se-ia ter evitado, mas naquele dia se iniciava a recolha,por isso não foi possível.
A recordação forte e ameaçadora do Capataz, pequeno cabecilha do campo, desviou-o completamente dos seus pensamentos; era hora de começar. Claro que ele, Pedro, descendente do glorioso povo dos Yanomani, muitas e muitas vezes tinha amaldiçoado o dia em que abandonou a sua tribo para aproximar-se da civilização, onde nunca e depois nunca mais voltaria. Demasiado orgulhoso; demasiada intensa a derrota.
O campo situava-se na fazenda ‘Los Cochinos’, propriedade de uma família de origem portuguesa, com um bom salário, de 35 reais por dia; bom, comparativamente a quanto pagavam os outros fazendeiros da zona.
O método de recolha praticado era aquele do ‘Picking’, recolhendo-se à mão só as bagas maduras; um sistema certamente muito caro, mas que garantia uma melhor qualidade.
A Coffea Arabica aqui cultivada constitui os três quartos da produção mundial e é, juntamente com a Coffea Robusta uma das misturas mais apreciadas. Claro, não como o famoso Kopi Luwak indonesiano, considerado o melhor, fruto da digestão do (Zibello delle palme - mamífero carnívero das palmeiras?), fato este, que suscita alguma incerteza.
Chicco tinha passado uma noite tranquila; com o seu irmão gémeo falava um pouco de tudo; da humidade que aumentava, dos primos, e até da lenda que rondava sobre os camaradas que improvisamente desapareciam sem dar mais notícias de algum género. Alguns diziam que tinham emigrado, outros que os tinham raptado e outras histórias em que se transferiam de floração em floração. O que é certo é que nunca mais ninguém voltou.
Com os seus aproximadamente 8 meses de vida, Chicco sentia-se pronto a enfrentar o futuro; no entanto sem saber qual fosse, preparava-se para passar o dia com ânimo sereno.
Tudo acontece repentinamente, num misto de violência, delicadeza, rapidez. Chicco abandonou para sempre a mãe Coffea Arabica; juntamente com o seu irmão gémeo e outros companheiros encontrou-se nas experientes mãos de Pedro, que os colocou na saca estreita ao seu lado direito.
Não se voltariam a ver.
Encarcerado, Chicco é projectado numa miríade de eventos desconcertantes, para ele incompreensíveis, pois não estava preparado. Estendido ao sol juntamente com milhões de companheiros, descascado; e sim esta foi uma experiência traumática; separou-se do seu gémeo; ensacado num saco de serapilheira de 60 kg, armazenado, embarcado num imenso cargo, atravessado o Oceano Atlântico, desembarcado a Trieste, armazenado novamente, e enfim transportado até à cidade eterna, Roma. Aqui novamente num armazém, onde experiências, nunca ninguém lhe havia falado, ou deixado um indício. As surpresas não acabam; era ainda de uma bonita cor verde, mas um acontecimento traumático o transformará irremediavelmente; livre do saco de serapilheira, depois de um momento de tímida euforia reencontra-se na companhia de primos distantes a ele desconhecidos; alguns africanos, alguns asiáticos, uma mistura de raças, todos juntos numa grande engenhoca. A temperatura sobe a aproximadamente cerca de ¬¬200 oC e tudo dura cerca de quinze minutos. Uma super sauna.
Chicco sai traumatizado e transformado; o seu aspecto não é mais o mesmo; castanho-escuro, uma metamorfose camaleónica.
Sobre um rolo transportado, empacotado e de novo num armazém, transportado; novamente chega a um ambiente aparentemente mais tranquilo, num andar térreo de um prédio para escritórios, na zona da piazza Vittorio.
O dia tinha começado sereno, meteorologicamente aborrecido; toca o telefone; não pode ser; da outra extremidade do éter (etere?), uma voz feminina pronuncia com tom irónico e decidido: “mas e então esse café” deixando o interlocutor durante uma imperceptível fracção de segundo sem fôlego, ainda que de facto a noite precedente tivesse existido uma espécie de pré-aviso, mas a surpresa, a emoção para aquele convite foram evidentes. Rapidamente recomposto do sucedido concordou sobre o que fazer; no andar térreo de um prédio para escritórios combinaram encontrar-se.
O que tomas, o que tomas e o pediu saiu. Uma mão feminina pegou num pacote de um quilo, cortou-lhe a borda e despejou distraidamente o conteúdo num recipiente mecânico.
Finalmente, novamente livre exclamou Chicco, mas um forte barulho rebentou-lhe os tímpanos, lâminas afinadas reduziram-no a pó, e junto a uma centena de companheiros por um peso magro de aproximadamente catorze gramas acaba no suporte de um filtro e prensado, entalado na entrada de uma grande máquina e, quando a mãozinha do costume acciona um botão, um duche de água quente sob pressão fá-lo precipitar transformando-o sob o estado líquido, deliciando o paladar dos dois amigos.
Bom, disse ela; Óptimo, concordou ele.
Chicco não existe mais.  

GIANNI POMPEO , tradução LUCIANA BRITO

Stasera: "Viagens" di Garrett all'Istituto Portoghese

http://viadeiportoghesi.blogspot.it/2016/02/prima-traduzione-italiana-del.html

PRIMA TRADUZIONE ITALIANA DEL CAPOLAVORO DI ALMEIDA GARRETT ALL’ISTITUTO PORTOGHESE IL 10 MARZO

 

L’Istituto Portoghese di Sant’Antonio in Roma, in collaborazione con la casa editrice “Tuga Edizioni”, è lieto di presentare giovedì 10 marzo 2016, alle ore 18:00, la prima traduzione italiana del capolavoro del Romanticismo portoghese Viagens na minha terra di Almeida Garrett (1799-1854). La presentazione, a cura della Professoressa Mariagrazia Russo (Università degli Studi della Tuscia – Viterbo), conterà con la presenza del traduttore, Federico Giannattasio, e di Gianluca Galletti (Tuga Edizioni). La sessione sarà presieduta da S. E. L’Ambasciatore del Portogallo presso la Santa Sede, Dott. António de Almeida Ribeiro e da Rev. Mons. Agostinho da Costa Borges, Rettore dell’Istituto Portoghese di Sant’Antonio.

QUANDO: GIOVEDÌ 10 MARZO 2016, ORE 18:00

DOVE: ISTITUTO PORTOGHESE DI SANT’ANTONIO IN ROMA

VIA DEI PORTOGHESI, 2 – 00186 ROMA (CENTRO STORICO)

INGRESSO LIBERO

 

Un viaggio reale da Lisbona a Santarém: è questo il filo rosso di questo complesso romanzo nel quale l’autore intesse tra di loro trame, viaggi, critiche sociali e storiche al tempo a lui coevo.  Il viaggio reale incontra il romanzo storico che vede al centro della narrazione la storia di una famiglia, la storia della “casa della valle” e della sorella Francisca, di Fra’ Dinis, di Carlos e di Joaninha — la “ragazza degli usignoli”. Mentre sullo sfondo si perpetra lo scempio delle guerre intestine tra costituzionalisti e assolutisti, la storia progredisce, si infittisce, le verità nascoste finiscono per essere note a tutti. Anche il viaggio reale, parallelamente, progredisce e l’autore arriva a Santarém, cittadina simbolo dell’antico fasto nazionale. Il lettore accompagna il narratore-autore nelle sue visite ai monumenti, chiese e palazzi antichi, ritornando poi con lui a Lisbona, lì dove il tutto aveva avuto inizio.

 
ISTITUTO PORTOGHESE DI SANT’ANTONIO IN ROMA

VIA DEI PORTOGHESI, 2 – 00186 ROMA (CENTRO STORICO)

+39 06 8880771 - www.ipsar.org – appuntamenti@ipsar.org

 

 

 

DALLA «PREFAZIONE»

Inscritto in una articolata contingenza storica, segnata da forte instabilità sociale e politica, lo scrittore e uomo di Stato João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799-1854), a lungo esiliato tra Francia e Inghilterra, impose la propria figura sullo scenario a lui coevo. Personalità di elevato spessore, l’autore imbracciò l’arma della cultura per sostenere la causa costituzionalista che si contrapponeva alla corrente assolutista, entrando, durante la guerra civile del 1820, tra le fila dell’esercito liberale del re D. Pedro IV (1798-1834). Inquadrato in questa cornice, si inserisce il romanzo Viagens na minha terra, pubblicato in volume, nel 1846 per i tipi della Typographia da Gazeta dos Tribunaes, di Lisbona, una delle opere maestre della produzione garrettiana, commistione di generi tra libro di viaggio e romanzo sentimentale, tra cronaca di giornale e saggio politico, tra autobiografia e descrizione: un ibrido comunque sempre ben commisurato capace di travalicare le nette separazioni tra categorie letterarie.

Professoressa MARIAGRAZIA RUSSO
 

 
IL TRADUTTORE

Federico Giannattasio, interprete e traduttore in attività, nasce a Salerno il 18 gennaio 1991. Dopo aver conseguito la maturità classica, nel 2009 si trasferisce a Roma per immatricolarsi al corso di laurea in Mediazione linguistica e interculturale presso l’Università La Sapienza, concludendo il primo ciclo di studi universitari con una tesi dal titolo Babel: se vuoi essere capito, ascolta. La comunicazione interculturale nel mondo contemporaneo. Dopo un breve soggiorno linguistico a Saragozza si immatricola al corso di laurea magistrale presso l’università UNINT di Roma, conseguendo cum laude, nel novembre del 2015 — di ritorno da Lisbona —, il titolo di Dottore in Interpretariato e Traduzione presentando, coordinato dalla prof.ssa Mariagrazia Russo e dal Rettore prof. Francisco Matte Bon, una tesi dal titolo Viagens na Minha Terra. Garrett e il Romanticismo portoghese. Percorso di una traduzione.

 

Tuga Edizioni

Via degli Scaloni, 2 - 00062 Bracciano (RM)

+39 328 9626254 - www.tugaedizioni.com


 
http://www.tugaedizioni.com/blog/2016/02/23/viaggi-nella-mia-terra-ospite-dellipsar-istituto-portoghese-di-santantonio/

L’Ambasciatore del Portogallo Manuel Lobo Antunes riceve il Premio "Ulisse d'Oro Speciale 2015"


L’Associazione "ANPEFSS cultura e lo sport" ha conferito a S.E. l’Ambasciatore del Portogallo in Italia, Manuel Lobo Antunes, il premio "Ulisse D 'Oro Speciale 2015” per i meriti legati alla sua veste istituzionale, per le eccezionali doti umane e professionali e per la concreta attività di divulgazione della cultura portoghese in Italia.
Hanno ottenuto l’importante riconoscimento, una scultura in bronzo dell’eroe omerico creata dal Mº scultore Guasca, tra gli altri, anche la campionessa olimpica Alessandra Sensini e Il Prof. archeologo Adriano La Regina.
La cerimonia si è svolta nella prestigiosa sede dei Musei Capitolini di Roma, nella Sala Pietro da Cortona, dove l’Ambasciatore ha tenuto un breve discorso, ricordando il legame mitologico ed etimologico tra Ulisse e la città di Lisbona.