lunedì 9 luglio 2018

Roma: Novo cardeal presidiu a Missa na igreja dos portugueses


Com alguns dias de atraso, Via dei Portoghesi re-publica aqui o texto de Octavio Carmo publicado em http://www.agencia.ecclesia.pt/portal/roma-novo-cardeal-presidiu-a-missa-na-igreja-dos-portugueses-c-audio/




D. ANTÓNIO MARTO CONVIDOU CATÓLICOS A TOCAR «FERIDAS» DOS OUTROS

Roma, 30 jun 2018 (Ecclesia) – O novo cardeal D. António Marto presidiu hoje a uma Missa na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, na qual convidou os católicos a “tocar as feridas” dos outros.

A Eucaristia de ação de graças contou com a presença da ministra da Justiça, Francisca Van Dunen, que representou o governo português no Consistório 2018, a que o Papa presidiu na quinta-feira, autarcas e dezenas de peregrinos da Diocese de Leiria-Fátima que acompanharam o seu bispo.

Na homilia da Missa, D. António Marto sublinhou a importância de “tocar” o outro, como Jesus, aceitando-o “pelo que o outro é, mesmo na sua fragilidade”.

    “Também nós, como seus discípulos, também a Igreja deve ousar abraçar e tocar, cuidar e curar a carne de Cristo nos mais frágeis, nos mais vulneráveis, nos mais pobres, em todos e todas aqueles que sofrem, nos doentes, nos sós, nos abandonados, nos prisioneiros, nos refugiados, nos excluídos, nos rejeitados, nos escravizados”.

O novo cardeal falou das “periferias humanas e existenciais que Jesus enfrentou com misericórdia” e recordou as palavras do Papa, na Missa do consistório, quando Francisco realçou que “tocar a carne sofredora dos outros” é prosseguir com a “revolução da ternura de Deus”.

O bispo de Leiria-Fátima falou da igreja de Santo António como um “sinal da presença de Portugal em Roma”, onde celebrou várias vezes, nos seus tempos de estudante na capital italiana.

A Eucaristia foi concelebrada por 19 padres e dois bispos, D. Amândio Tomás, bispo de Vila Real, e D. Serafim Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima.

D. António Marto recordou, na sua intervenção, que Jesus tocou quem era considerado “impuro”, pessoas sobre quem tinha sido declarada a “morte cívica”, indo ao encontro das “periferias humanas e existenciais”, até aos extremos das “consequências que isso trazia”.

“São ações de misericórdia, de salvação, de vida nova”, acrescentou.

No final da Missa, o reitor da igreja de Santo António dos Portugueses, Monsenhor Agostinho Borges, seu antigo aluno, qualificou D. António Marto como “um homem bom, mas muito exigente”.

OC


António Marujo sobre o órgão de Santo António dos Portugueses






O ÓRGÃO “ÚNICO NO MUNDO” DE SANTO ANTÓNIO DOS PORTUGUESES
António Marujo, 2 de Julho de 2018

O novo cardeal português foi saudado por 2500 tubos de um órgão “único no mundo”. Ontem, na Igreja de Santo António dos Portugueses, de Roma, o bispo de Leiria-Fátima falou da importância do verbo tocar. Para ele, a música da Igreja deveria falar de comunicação, afecto, ternura e consolação.

O improviso do organista Giampaolo di Rosa no órgão de tubos da igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, marca o momento da entrada processional dos celebrantes: jubilosos, intempestivos, como uma grande aclamação, os 2500 tubos soltam-se e enchem o espaço da bela nave, uma das jóias do barroco na cidade dos papas.

Esse início da missa que o novo cardeal português celebrou ontem em Roma não podia ser mais simbólico: enquanto António Marto, bispo de Leiria-Fátima, incensava o altar, as mãos do organista tocavam os cinco teclados da consola do órgão, enchendo de perfume sonoro o espaço de culto.

Tocar seria também o verbo que, na homilia, o novo cardeal usaria para falar do que deve ser a missão da Igreja Católica nos tempos do Papa Francisco. D. António Marto apareceu vestindo apenas um fato eclesiástico escuro. Na missa, usou apenas o solidéu de bispo, mas não a mitra. O barrete de cardeal, já avisara, só usará em Roma, quando tiver mesmo de ser.

Perante mais de uma centena de pessoas (incluindo dois bispos, uns vinte padres e a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, em representação do Governo português), o cardeal Marto referiu-se ao texto bíblico lido momentos antes para dizer que, tal como Jesus, os cristãos devem tocar e deixar-se tocar por todas as pessoas. “Tocar é uma experiência de comunicação, de afecto, de ternura e consolação. Tocar é aproximar-se do outro, com compaixão.”

Isto afirmava enquanto uma mulher entrava na igreja a pedir esmola. Mãos postas, dirigiu-se a duas ou três pessoas à entrada, sentou-se por uns momentos, voltou a sair. “Jesus toca a miséria humana, comunica a força revolucionária da ternura de Deus”, diria o cardeal, momentos depois. “Os que têm fé são chamados a testemunhar a ternura de Deus, o evangelho da alegria, da misericórdia, da compaixão e da paz.”

Um órgão “único no mundo”

De alegria falou todo o tempo o órgão da igreja, “único no mundo”, como diria o reitor do Instituto Português de Santo António de Roma (IPSAR), padre Agostinho Borges, que gere o espaço de culto. Os três improvisos de Giampaolo di Rosa (no início, no momento do ofertório e no final) pretendiam “criar formas musicais em tempo real”, dizia ao PÚBLICO o organista, no final da missa.

A ideia do órgão nasceu como forma de colocar a Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, no mapa cultural da capital italiana. O reitor falou com o organista Giampaolo di Rosa, que lhe recomendou Jean Guillou, o organista da igreja de Saint Eustache, em Paris. Assim nasceu um órgão de tubos que não é “uma massa sonora”, mas um instrumento com uma grande sonoridade. Para quem escuta, a sensação é de ouvir “como se fossem muitos solistas”, distribuídos pela nave central e pelas capelas laterais da igreja a cantar ou tocar. Uma espécie de surround instrumental de diferentes vozes e timbres, numa envolvência plena sem amplificação electrónica. (...)


O ÓRGÃO “ÚNICO NO MUNDO” DE SANTO ANTÓNIO DOS PORTUGUESES
António Marujo, 2 de Julho de 2018

Laurinda Alves sobre José Tolentino Mendonça


AS CAMADAS GEOLÓGICAS DE TOLENTINO
Laurinda Alves
3/7/2018

Tolentino é um homem, um padre e um poeta que todos conhecemos, mas também desconhecemos. Reservado e, por vezes, um pouco distante, começa tudo com um silêncio, que pode ser uma escuta ou uma espera.

“A dada altura, damos por nós a aceitar melhor que a vida tem camadas geológicas como a terra, que a vida se expande por tempos de formação ocultos à superfície, e que em todas as existências há uma crosta terrestre e metros e metros de filamentos, mergulhados no silêncio.” Pergunto-me se Tolentino Mendonça será como os escritores que dificilmente voltam aos livros que escreveram, ou se as frases que ficam a fazer eco em nós, leitores, também permanecem vivas na sua memória. Não sei.

E por não saber, cito este fragmento por me fazer sentido devolvê-lo ao autor nas vésperas da sua partida para Roma. Depois da surpresa do convite do Papa, para ser o responsável da Biblioteca Vaticana e do Arquivo Secreto da Santa Sé, e no auge da ressaca que muitos sentimos após a notícia de que só o teremos connosco, em Lisboa, até ao fim deste Julho, percebo ainda melhor os metros e metros de filamentos mergulhados no silêncio de que ele fala, e tantas vezes nos escapam por não se verem nem nos lembramos que existem sob a crosta do nosso quotidiano.

Tolentino é um homem, um padre e um poeta que todos conhecemos, mas também desconhecemos. Reservado e, por vezes, um pouco distante, começa tudo com um silêncio. Pode ser uma escuta ou uma espera, mas é sempre um silêncio. Um tempo para se colocar na recta atitude, para ouvir, para abraçar ou para simplesmente contemplar. Pára antes de falar e acredito que precise de um tempo ainda mais demorado para começar a escrever. As suas palavras, depois dos seus silêncios, são quase atordoantes. Fortes, belas, vibrantes, inquietantes, iluminantes e, quase sempre, transfigurantes.

Transfigurar também é converter e isso é o que Tolentino melhor sabe fazer. Fala de coração e braços abertos a todos, sejam crentes ou descrentes. Escapa às regras, às modas e tendências dentro e fora da Igreja, mas não porque crie o seu próprio cânone ou goste de se distanciar das normas vigentes, do fundamento Absoluto. Muito pelo contrário. Escapa como Jesus escapava. Por amor. Por acolher todos e ir ao encontro de cada um, onde quer que cada um esteja, tal como está. Sem perguntas, sem devassas nem preconceitos.

Tolentino provoca admiração e fascínio. Transparente nos gestos e intenções, é tão forte quando cala como quando fala. O seu olhar é limpo e o seu abraço é exacto. A justa medida que precisamos para nos sentirmos próximos de tudo o que é essencial. Os seus silêncios elevam-nos e as suas palavras fazem-nos mergulhar em profundidades que deixamos de temer por saber que o temos próximo, a percorrer connosco profundezas onde nos perderíamos sem a Luz que ele revela.

Solitário, mas também gregário, Tolentino é um explorador subtil da humanidade e um fervoroso adivinhador da divindade que trazemos em nós. Nada o assusta, nada o espanta e nada lhe provoca temor. Tudo, para ele, está carregado de beleza e prodígio. Ralph Waldo Emerson dizia que “o génio era o Deus interior” e Tolentino acredita no Deus interior de cada um. Mostra-nos quem não sabemos que somos. Vai além de nós e leva-nos com ele, mas depois deixa-nos livres e confiantes, em campos abertos com horizontes a perder de vista.

De certa forma Tolentino Mendonça também é um escultor. Usa as mãos para nos amparar e, porventura, moldar parte da massa de que somos feitos, mas as suas mãos não deixam vestígios. Faz tudo com tais cuidados que parece que fomos e voltamos sozinhos, sem sentir o peso de solidão nenhuma. Talvez por isso os cépticos e os descrentes o procurem tanto e o sigam com tanta paixão. Poucos sabem como chegar ao coração dos que não acreditam nem esperam, mas Tolentino faz desses caminhos de pedras o seu sacerdócio.

Volto a Emerson, citado por Bloom, mas também transcrevo o próprio Harold Bloom quando reforça a ideia de que “o génio invoca necessariamente a transcendência e o extraordinário, porque tem plena consciência deles”. Tolentino tem esta consciência plena e é fascinante que um só homem reuna em si tanta sabedoria e tanto silêncio profético. A sua aparente tranquilidade, bem como os seus passos firmes e compassados resultam certamente da sua confiança em Deus e nos homens. Uma confiança excessiva, diriam muitos. Mesmo que houvesse excessos, eram fundantes. Ou, como ele próprio gosta de dizer, eram arquitecturais em si mesmo.

Dotado de uma lucidez invulgar, de uma grandíssima liberdade interior e de uma paz fora do comum, Tolentino mantém a humildade dos anónimos, dos que constroem e erguem, dos que vivem e trabalham sem esperar outra paga, outro reconhecimento para além do que recebem do Pai. Tolentino é um buscador, um consolador, um incansável trabalhador da vinha a quem a certeza da amizade e da verdade com Deus basta.

Tolentino-poeta lê apaixonadamente a poesia de outros e sabemos que Daniel Faria é, para ele, um irmão. Nestes dias em que preparamos o coração para nos conseguirmos despedir de um amigo que nos vai fazer muita falta, também eu leio Daniel Faria. Talvez para me sentir próxima de Tolentino, para não o perder de vista e aprender a ler através dos seus olhos. E o que leio fala-me deste homem a quem também eu devo tanto.

“Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões”.

Tolentino parte para Roma em breve, e tarde ou nunca de lá voltará. Ficamos privados da sua voz, dos seus olhos nos olhos, do seu abraço demorado e da sua presença física. Guardamos para sempre no coração o homem que nos fala das nossas camadas geológicas e pacientemente nos ensina a única coisa que Deus realmente espera de nós: “sermos nós próprios”.


AS CAMADAS GEOLÓGICAS DE TOLENTINO
Laurinda Alves
3/7/2018

Custódio Castelo alla Filarmonica Romana, il13 luglio, ore 21.15


Venerdì 13 luglio
ore 21.45 - GIARDINI
PORTOGALLOCustódio Castelo duo 
Musiche della tradizione del fado
Custódio Castelo chitarra portoghese Siamese
Miguel Carvalhinho chitarra classica

http://www.filarmonicaromana.org/index.php/calendario-concerti/item/398-i-giardini-della-filarmonica


I GIARDINI DELLA FILARMONICA

  • ACCADEMIA FILARMONICA ROMANA
  • da lunedì 25 Giugno 2018
  • a sabato 14 Luglio 2018

Il festival estivo dell’Accademia Filarmonica Romana, anima da una decina d’anni un viaggio fra le arti del mondo.
Il programma, dal 25 giugno al 14 luglio, presenta oltre trenta appuntamenti divisi tra i generi musicali più diversi come classica, contemporanea, jazz, etnica e barocca.
Grazie al contributo appassionato degli Istituti di cultura stranieri e delle realtà internazionali che animano la vita culturale della capitale, la Filarmonica si trasforma dunque per tre settimane in uno spazio aperto alle molteplici espressioni artistiche contemporanee e alle tradizioni millenarie dei paesi coinvolti:
in programma musica (etnica, tradizionale, classica, contemporanea, jazz, barocca), incontri, letture, degustazioni e cucina creativa e ogni qualsivoglia evento che possa incuriosire e sorprendere il pubblico.
Fra le nazioni che come ogni anno animano il Festival, ritroviamo dall’Oriente l’Iran, l’India, la Corea e il Giappone protagoniste le loro raffinate tradizioni poetiche e musicali, mentre dall’Europa si ascolteranno ritmi e melodie di Austria, Malta, Slovacchia, Spagna, fino al personalissimo fado di Custódio Castelo maestro indiscusso della chitarra portoghese.

Pubblicato tra grande entusiasmo "Tre secoli nel Tridente" di Pino Coscetta

Enorme entusiasmo accompagna la pubblicazione di
Tre secoli nel Tridente. 1696-2018. Alvarez de Castro, una famiglia portoghese a Roma
di Pino Coscetta
come testimoniano i rettagli del “Corriere della Sera” che pubblichiamo qui.
Tanti complimenti all’Autore!




Tre concerti d'Organo per la rentrée a Sant'Antonio dei Portoghesi