lunedì 8 febbraio 2010

As mulheres e os livros - por Germana Lardone


A nossa aluna Germana Lardone comenta assim a frase de Agustina no filme de Manoel de Oliveira, Vale Abraão...



“As mulheres não têm de ler … livros” é uma frase provocatória.
Na minha opinião existem dois tipos de discussão: um é o da condição em que se tenta manter as mulheres em alguns contextos e o outro refere-se à lógica da cultura.

Porque é que as mulheres não devem ler um certo tipo de livros?

Ler é saber e o conhecimento é liberdade.
A leitura abre novos conhecimentos e lança em mundos antes desconhecidos, faz reflectir sobre o nosso mundo interior e às vezes é uma simples evasão da dura realidade (por exemplo, uma pessoa que está cumprindo uma pena de prisão ou uma pessoa que vive insatisfeita com a vida que leva: podem escapar com a leitura).

Quando aumenta a consciência e a capacidade de julgar das pessoas que estão numa posição de inferioridade (às vezes as mulheres, os filhos, os subalternos) põe-se em discussão um equilibro e isto é assustador.

Além disso as estatísticas e as nossas próprias experiências dizem que as mulheres lêem mais dos homens e no estudo têm mais jeito que os companheiros...

Aliás, quando não há falta de determinação, ninguém jamais conseguiu impedir que uma mulher atingisse o vértice: há exemplos em todos os campos: literário, científico, artístico, político.

GERMANA LARDONE

Luciana Stegagno Picchio. Retrato de uma Lusitanista Uma Língua, uma Cultura, uma Vida


"Luciana Stegagno Picchio. Retrato de uma Lusitanista Uma Língua, uma Cultura, uma Vida" é o título da exposição que o ISPA - Instituto Universitário apresenta de homenagem a Luciana Stegagno Picchio (1920-2008), figura a quem David Mourão Ferreira, poeta e intelectual português, apelidou de "maior lusitanista do mundo".

A exposição biobibliográfica conta com documentação fotográfica, livros e documentos únicos do arquivo pessoal e da biblioteca da filóloga, historiadora da cultura e crítica literária que foi doada ao Instituto Português de Santo António, em Roma. Simultaneamente estará patente uma exposição In Memoriam de Luciana Stegagno PIcchio do pintor português contemporâneo, Paulo Alexandre Rego.

giovedì 4 febbraio 2010

JOSÉ EDUARDO AGUALUSA na Libritalia


JOSÉ EDUARDO AGUALUSA na Libritalia
Quinta-feira 11 de Fevereiro às 19.00 livraria italiana LIBRITALIA

Apresentação das traduções italianas "Un estraneo a Goa" e da antologia de contos "Borges all'inferno e altri racconti" de José Eduardo Agualusa com a presença do escritor.

Marco Bucaioni, das Edizioni dell’ Urogallo e tradutor para italiano, introduz e entrevista o escritor sobre a divulgação da literatura em língua portuguesa no estrangeiro.

Edizioni dell'Urogallo www.urogallo.eu é um projecto editorial activo desde a primavera de 2008, cujo principal objectivo é o de traduzir e publicar os títulos mais interessantes provenientes do mundo de língua portuguesa e galega.

LIBRITALIA Rua do Salitre 166b Lisboa info 213840245 libritalia@sapo.pt http://www.libritalia.pt/

Albuquerque Mendes na Vallicelliana




Foi inaugurada ontem, na presença de S. E. o Embaixador de Portugal junto do Estado italiano, Dr. Fernando de Oliveira Neves, e do Conselheiro Cultural da mesma Embaixada, Prof. Paulo Cunha e Silva, a exposição Espressioni pittoriche dei Paesi del Mediterraneo na Biblioteca Vallicelliana de Roma. Entre os expositores, o artista português Albuquerque Mendes com duas obras de pequeno formato.

Aqui ficam algumas imagens e informações do evento.


Espressioni pittoriche dei paesi del Mediterraneo

Si tiene la mostra che ospita artisti di area mediterranea organizzata con il patrocinio della Regione Lazio, della Provincia di Roma, del Comune di Roma, della Regione Calabria, della Provincia di Crotone, del Comune di Santa Severina e delle ambasciate dei Paesi partecipanti. Gli anni Novanta sono stati caratterizzati da un acceso dibattito su un ipotetico scontro tra Islam e Occidente. Dopo gli avvenimenti dell'11 settembre i discorsi sull'impossibilità di una coesistenza pacifica tra questi due mondi hanno avuto una presa facile sull'opinione pubblica. Dialogo ed apertura devono, invece, essere alla base di una convivenza tra popoli diversi superando qualsiasi conflitto di civiltà ed ostilità. Nell'esposizione sono presenti pittori di numerosi Paesi tutti appartenenti a quella culla di civiltà che è il Mediterraneo che esprimono, attraverso la loro opera, aspetti e componenti della storia e della civiltà fiorita sulle rive di questo splendido Mare. I loro nomi sono Brahim Achir, Souhail Benazzouz, Jeni Caruana, Angelo Cassia, Calev Castel, Mettheos Christou, Xovalin Delia, Aristotelis Demetriou, Corrado Frateantonio, Elizabeth Frolet, Ruza Gagulic, Anna Galea, Khaled Hourani, Lila Iatruli, Shobou Imed, Umit Inatci, Dalibor Jelavic, Julianos Kattinis, Nisveta Kurtagic' Granulo, Zeljiko Lapuh, Andreas Makariou, Solaiman Mansour, Walled Fawzi Matar, Mohamed Malehi, Alburquerque Mendes, Faith Mika, Milos Miki Popovic, Aghim Muka, Alberto Perres, Beatrice Pasquet, Aykut Seribas, Esteban Villalta Marzi, Abdel Kalic Yhia, Sheriff Shoukry. L'introduzione della conferenza Il Mediterraneo: incontro di culture e arte oggi, che si tiene in occasione dell'inaugurazione della mostra, è curata dal senatore Maurizio Mesoraca, gli interventi sono a cura di Amedeo Bonifacio, Paolo Giansiracusa e Sara Muscarà.

Data Inizio:03 febbraio 2010
Data Fine: 17 febbraio 2010
Costo del biglietto: Ingresso gratutio
Luogo: Roma, Biblioteca Vallicelliana
Orario: dal lunedì al sabato dalle 10.00 alle 13.00fino al 17 febbraio - festivi chiuso
Telefono: 0668802671 Fax: 066893868

Organizzata con il patrocinio dell'Assessorato alle politiche culturali e della comunicazione del Comune di Roma, la a mostra resterà aperta fino al 17 febbraio. L'esposizione, che ospita opere di una trentina di artisti di aerea mediterranea, è accompagnata nella giornata inaugurale da una conferenza intesa ad analizzare la realtà e le prospettive di quest'area geografica quale luogo d'incontro di culture e di arte, come superamento delle incomprensioni che hanno caratterizzato la storia recente, il Mediterraneo inteso, dunque, come un mare comune, come porta di ingresso per il dialogo e lo scambio tra i popoli diversi. I lavori saranno introdotti dal senatore Maurizio Mesoraca; interverranno lo storico dell'arte Paolo Giansiracusa, la prof. Sara Muscarà e il dott. Amedeo Bonifacio.

Visita do Embaixador de Portugal à Universidade de Roma Tre



Aconteceu ontem à tarde, 3 de Fevereiro de 2010: uma grande alegria e uma grande honra para a nossa Universidade e Deparamento de Literaturas Comparadas.

S. E. o Embaixador de Portugal junto do Estado italiano, Dr. Fernando de Oliveira Neves, acompanhado pelo Conselheiro Cultural da mesma Embaixada, Prof. Paulo Cunha e Silva vieram, a convite do Reitor da Università degli Studi di Roma Tre, Prof. Guido Fabiani, visitar a nossa Faculdade.

Depois de um encontro com o Reitor, foram acolhidos na Faculdade de Letras pela Presidente, Prof. Francesca Cantù, seguindo-se um simpático encontro com alguns dos estudantes de Português, mediado pela nossa Catedrática, Prof.ª Giulia Lanciani, e pelo Prof. Giorgio de Marchis.

Um momento de encontro muito agradável de que publicamos aqui algumas imagens, aproveitando para agradecer o esforço dos estudantes que, em época de exames e pausa intersemestral, não quiseram faltar a este momento importante na jovem história da Cátedra José Saramago.


Francisco de Almeida Dias, Cultor de Português.


Luca Capannolo
Claudia Corbi
Valentina Idini
Angela Di Matteo
Eleonora Capitoni
Antonella Silletti
Milica Pejovic
Serena Sibona
Roberta Spadacini
Valeria Di Marco
Cristina Rossi
Gabriele Mazzucco
Daniele Mastropietro
Flaminia Gaetani
Simona Capanna
Emilia Manti
Isabella Mangani
Matteo Colaci
Jeanne Valery Rollo
Elisa De Nicola

28 de Janeiro, IPSAR: Fados, Guitarradas e 2 Aniversários

Há exactamente uma semana, no dia 28 de Janeiro, a lição de Português do nível médio-avançado no Instituto Português de Santo António tornou-se numa grande festa; por quatro motivos:

- porque o nosso aluno Alessandro Cannarsa, que para além de lusófilo é um exímio guitarrista e delicado construtor de guitarras, nos presenteou com o acompanhamento musical de um pequeno concerto, em que tocou um instrumento projectado e construído por ele mesmo. Ei-lo:
- porque neste dia se celebrava o 70º aniversário da Cipriana, e da sua gémea, Alice. A Cipriana é a senhora mais popular da Via dei Portoghesi, e quem por aqui passa pode sempre encontrá-la à porta do nº 4 com o seu famoso cãozinho de nome importante: Sansão! Parabéns, Cipri!
Ei-la com a sua irmã:
- porque a nossa aluna Isabella Mangani, cuja voz maravilhosa é já bem conhecida de todos os lusófilos romanos, nos brindou com alguns fados acompanhada pelo Alessandro e pelo seu namorado Stefano. Amália, claro está, mas também dois fados dos Deolinda e uma música dos Madredeus. O Alessandro levou-a a fazer uma traiçãozinha a Portugal e cantar um tema de Elis Regina...
Ei-la:
Eis parte do seu público:
Ei-la com o Stefano:
E depois do concerto... houve lanche: magníficos doces feitos pela Isabel Sperl, e outros trazidos pela Paola Barbieri...
Mas o verdadeiro motivo de festa foi a enorme alegria que todos tivemos em festejar a colega e a aluna Paola Barbieri, a queridíssima Paoletta que tinha feito,a 27, meio século de vida! Muitos parabéns, Paoletta!
Ei-la com as suas amigas do curso de Português:
Obrigado, do coração, pelo entusiasmo de toda a turma:
Paola Barbieri
Isabella Mangani
Isabel Sperl
Paola Proietti
Roberto Iachetta
Irenella Sardone
Barbara Moreselli
Alessandro Cannarsa
Susanna Perrucchini
Claudia Bagatella Coloma

martedì 2 febbraio 2010

Lisboa - por Stefano Valente

Lisboa, Lisboa…

Pois que me parecia inútil repetir lugares comuns, assuntos já tratados, acrescento aqui as minhas — poucas e desordenadas — recordações pessoais: as que, com qualquer presunção, creio me pertençam, a mim próprio e a nenhum outro.
Portanto, sempre desordenadamente, vou começar escrevendo dois números: 25 e 28. Mas não os explico já…

Fui a Lisboa só duas vezes (que pena!). A primeira vez em 1995, a segunda exactamente dez anos depois (tratou-se de uma pura coincidência).
Em ambos os casos foi em Abril, e então tive também a sorte de assistir à celebração de 25 de Abril — eis o primeiro número — na capital portuguesa. Não falarei agora na forma lusitana de festejar — e de ser —, discreta, educada, cheia de dignidade, tímida e também um bocadinho introvertida (tão diferente da espanhola!), que adoro. Acrescento somente que, desde o meu segundo 25 de Abril português, faço parte daquela porção de humanidade (quantos somos?, chegamos à centena?) que, pela primeira vez na sua vida, viu o filme “Capitães de Abril” na televisão num quarto dum hotel de Lisboa…

Mas vamos avante.
Com um jogo de palavras “volto” à minha primeira “chegada” a Lisboa. A qualidade da luz! Então era verdade o que contava sempre a minha professora da Universidade (a grande e inesquecível — no bem e no mal — Luciana Stegagno Picchio): que Lisboa tinha aquela mesma luz que também Roma tem — dourada, como de pérolas desfeitas.
Lisboa e Roma surgem ambas sobre sete colinas.
Tudo isto, a luz e as sugestões que me tinham ensinado, somado à doce melancolia do espírito que eu tinha sentido no próprio momento de pisar o chão da Baixa, fez-me experimentar a nítida sensação de eu já ter estado aí — de me encontrar como em minha casa.
Este, assim, foi a primeira lição que tive de Lisboa, uma espécie de teorema pelo qual hoje em dia concluo que existem só três tipos de lugares, de cidades:
as cidades conhecidas (onde já temos estado)
as cidades des-conhecidas (onde nunca fomos)
e as cidades re-conhecidas (onde nunca fomos; onde porém, sem o sabermos, temos sempre vivido — como Lisboa para mim).

Fica ainda a explicar aquele outro número, o 28.
Se ainda não o tivessem adivinhado, é o eléctrico que parte (ou partia, não sei) da Praça Martim Moniz e leva até o Castelo, depois de ter ido em volta pela Alfama, subindo por vielas tão estreitas que o condutor (no meu caso era uma mulher negra, provavelmente caboverdiana) não consegue se travar e acaba por gritar palavrões terríveis aos carros ou, pior, aos camiões que lhe bloqueiam o caminho.
Apanhei-o por acaso. Desde sempre tinha querido dar uma volta à cidade por mim mesmo, de autocarro, de eléctrico, de metro. Não encontrei dificuldades — foi maravilhoso. Uma outra maneira de me mascarar de lisboeta.
Algum tempo depois li numa revista de viagens, num artigo sobre Lisboa, mais ou menos estas palavras: «… e não percam o eléctrico número 28, que faz uma volta lindíssima por Alfama e chega até o Castelo de São Jorge…».

Há muitas outras coisas, obviamente, como em qualquer viagem que se respeite.
Por exemplo quando esperei todo o dia, em vão, perto do silenciosíssimo porteiro do Instituto Camões, para ser recebido pela Presidente. Ou quando, nos Armazéns do Chiado, caiu-me no chão uma garrafa de cerveja. Ou quando tentei encontrar o endereço dum leitor da Universidade — cujo apelido era Chaves —, e fi-lo chamando o operador por um telefone público, e ele pronunciava “tchaves”, à espanhola ou talvez à galega. Ou quando os pasteis de nata me comoveram, de tanta perfeição. Ou aquela bailarina, branca de ar e espuma, a fazer piruetas mesmo na base da Torre de Belém. Ou quando, sentado diante do mar a que chamam Tejo, queria que o tempo parasse — que a passagem dos navios prosseguisse até o infinito. Ou a velhinha que cantou um fado ao sol-posto, enquanto estávamos debruçados a admirarmos a cidade pelo miradouro — e talvez não era apenas uma mulher idosa, mas também uma sereia…
Há muitas outras coisas, sim. Mas a quem interessam?

STEFANO VALENTE