giovedì 19 giugno 2008

Filme de Luchetti por João Lopes

Crítica de João Lopes publicada hoje no Diário de Notícias:
MELODRAMA À ITALIANA

Desde os anos 90, um dos efeitos mais significativos da "berlusconização" da sociedade italiana é a formatação televisiva: mais do que um modelo de programação, o divertimento acéfalo transformou-se numa filosofia existencial e numa moral colectiva, todos os dias empenhada no esvaziamento do indivíduo e da sua dignidade. Para o perceber, basta ver O Caimão (2006), de Nanni Moretti.
Obviamente, não se trata de uma questão que se possa reduzir à gestão de Silvio Berlusconi (nem sequer é um problema meramente italiano, como bem sabemos). Já antes de tudo isso, a obra de um cineasta como Federico Fellini estava cheia de sinais de desencanto face à mediocridade galopante da televisão: basta citar esse filme terminal que é Ginger e Fred (1986).
Vale a pena voltar a lembrar tudo isso a pretexto de O Meu Irmão É Filho Único. Se outros méritos não tivesse, o filme de Daniele Luchetti bastaria para mostrar que a normalização televisiva, apesar da sua violência social e simbólica, não conseguiu destruir a vitalidade de um cinema que se mantém fiel às suas mais nobres tradições: e a primeira que aqui emerge, em todo o seu esplendor humano (e humanista), é a do género melodramático.
Ao filmar o drama de dois irmãos separados pelas crenças ideológicas, um fascista, outro comunista (espantosas interpretações de Elio Germano e Riccardo Scamarcio), Luchetti consegue traçar um elucidativo retrato das convulsões sociais na Itália dos anos 60/70. O impacto emocional de tal retrato depende, no essencial, da preservação dos valores do melodrama familiar, sendo o primeiro e inalienável desses valores o respeito pela singularidade individual (justamente o oposto daquilo que, todos os dias, nos é imposto pela reality TV).
Há poucos dias, com a morte de Dino Risi, desapareceu um dos últimos realizadores da idade de ouro desse cinema italiano que sempre soube olhar de frente os factos e contradições do seu próprio país: Luchetti é um legítimo e brilhante herdeiro de tal tradição. Num Verão dominado pelo ruído promocional de Sexo e a Cidade, os grandes sentimentos e emoções vêm de Itália. Incluindo o sexo, se é que é importante referi-lo.

Site oficial:
http://dl1.games.vip.ukl.yahoo.com/download/it/warner_mfu/index.html

mercoledì 18 giugno 2008

100 anos de Manoel de Oliveira assinalados em Veneza

(Manoel Olivera, a mulher Maria Isabel e o neto, o actor Ricardo Trepa, com Fausto Bertinotti, na apresentação de "Belle toujours" no Lido de Veneza, a 8 de Setembro de 2006)

O Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro e o presidente da Cinemateca, João Bénard da Costa, anunciaram a homenagem que se fará ao cineasta português Manoel de Oliveira, no encerramento do Festival de Cinema de Veneza, entre 27 de Agosto e 6 de Setembro.

Manoel Cândido Pinto de Oliveira, nascido no Porto a 11 de Dezembro, celebra este ano cem anos de vida e de uma intensa actividade artística, de entre a qual se notabilizou sobretudo a sua faceta de realizador. Muito amado em Itália, ecebeu em 1985 e em 2004 dois Leoni d'Oro alla carriera na Mostra del Cinema di Venezia. Este ano foi distinguido com a Palma de Ouro no Festival de Cannes.


(artigo publicado hoje no Diário de Notícias)
Oliveira premiado e com homenagem em Veneza

O realizador português Manoel de Oliveira recebe amanhã, às 19.00, na Biblioteca do Museu de Serralves, o Prémio Mundial de Humanismo com que foi distinguido pela Academia do Humanismo da Macedónia.

Na cerimónia estarão presentes Jordan Pleves, embaixador da Macedónia em Paris, e também presidente da Academia do Humanismo da Macedónia, e João Fernandes, director do Museu de Serralves.

O Museu de Serralves é uma das instituições que participam nas comemorações do centenário de Manoel de Oliveira, com uma grande exposição sobre a obra do realizador de Francisca, com inauguração para o próximo dia 11 de Julho, estando previsto ainda um ciclo de cinema

A comissão de honra que celebra os 100 anos do cineasta será presidida pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que aceitou estas funções a convite do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.

No final de uma audiência com o Chefe do Estado, realizada na terça.-feira, Pinto Ribeiro e o presidente da Cinemateca, João Bénard da Costa, anunciaram que as comemorações do centenário de Oliveira, além da exposição de Serralves, vão incluir uma homenagem no encerramento do Festival de Cinema de Veneza, que decorre entre 27 de Agosto e 6 de Setembro. Oliveira já recebeu dois Leões de Ouro de carreira neste festival.

A Cinemateca irá também exibir uma retrospectiva da obra do cineasta, ainda sem data anunciada.

As comemorações dos 100 anos de Manoel de Oliveira terminarão a 11 de Dezembro, dia do seu 100 º aniversário, desconhecendo-se ainda se o encerramento será em Lisboa ou no Porto, referiu o ministro da Cultura.

O programa das comemorações está a ser elaborado por um conjunto de personalidades, entre as quais o actor Luís Miguel Cintra, Simonetta Luz Afonso, presidente do Instituto Camões, e João Fernandes, director do Museu de Serralves.

IN

martedì 17 giugno 2008

Embaixador Vasco Valente


O Embaixador de Portugal junto do Quirinal, Doutor Vasco Valente, está a despedir-se de Roma. No passado dia 10 de Junho, nos jardins da Villa Barberini-Frankenstein, residência oficial do representante de Portugal junto do Estado italiano, a tradicional festa do dia de Portugal, unindo elementos da comunidade portuguesa, lusófilos e lusitanistas e membros do corpo diplomático, tinha um qualquer coisa de melancólico: a saudade antecipada por um Embaixador que cumpriu impecavelmente o seu papel.

Nas suas próprias palavras, “a vida diplomática não é wine and roses, nem está limitada à chamada “diplomacia do croquete”. Para se ser bom diplomata é preciso ter uma boa preparação de base em política, relações internacionais e economia, ser-se ponderado e equilibrado em todas as circunstâncias, sobretudo nos momentos de maior tensão. E, claro, ter sentido de humor para fazer frente ao dia-a-dia.”

De tudo isto é bem exemplo o Doutor Vasco Valente, com quarenta anos de carreira diplomática, na qual serviu as missões portuguesas de Londres, Lusaka, Luanda e Vaticano e, já como Embaixador, Estocolmo e Pretória, sendo o representante permanente de Portugal junto da União Europeia até ser nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Portugal em Roma. A 22 de Novembro de 2002 apresentou credenciais ao Presidente Carlo Azeglio Ciampi.

Os méritos do Embaixador Vasco Valente foram reconhecidos em Sessão Solene do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a 10 de Junho de 2004, em Bragança, quando foi agraciado pelo então Presidente da República, Doutor Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.

O Diário de Notícias, em artigo de Paulo Spranger de 1 de Maio deste ano, noticiava que “na sequência da presidência portuguesa da União Europeia, o Governo português procedeu a um movimento diplomático que envolve cerca de 30 postos”, incluindo várias embaixadas: “Roma passa a ser chefiada pelo actual secretário-geral do MNE e ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Fernando Neves. (...) No Ministério dos Negócios Estrangeiros, o novo secretário-geral vai ser Vasco Valente, actual embaixador de Portugal em Roma”.

Cumpre acrescentar que ao lado do ilustre diplomata esteve sempre uma ilustre senhora, de grande beleza e dignidade. Aproveitamos, pois, para saudar também a senhora D. Teresa de Lancastre Valente.


Em anexo, uma interessante entrevista conduzida por MARIANA SERUYA CABRAL e publicada o jornal "O Mundo Universitário" a 6 de Novembro de 2006:
http://www.mundouniversitario.pt/docs/473/48.pdf


O que é que o fascinou na profissão,
em primeiro lugar?
A possibilidade de lidar com uma área
que desde muito novo me interessou,
a da política internacional; depois, a
possibilidade de viver no estrangeiro,
o que naquela época não era pouco,
sendo a sociedade portuguesa de
então – anos 60 – fechada e sufocante.

Qualquer estudante pode aspirar a
este tipo de profissão?
O concurso para ingresso na carreira
diplomática está hoje aberto a licenciados
com um curso superior, ao contrário
do que sucedeu durante muitos
anos, quando estava limitado a quem
tivesse os cursos de Direito, Letras,
Economia ou Política.

Em traços gerais, quais são as competências
de um embaixador?
Em duas palavras, o embaixador é
quem representa o Estado no país em
que está acreditado, competindo-lhe
defender ali os interesses nacionais.

Que tipo de perfil intelectual e emocional
lhe é exigido no dia-a-dia das
tarefas diplomáticas?
Ao contrário do que muita gente ainda
erradamente pensa, a vida diplomática
não é wine and roses, nem está
limitada à chamada “diplomacia do
croquete”. Para se ser bom diplomata
é preciso ter uma boa preparação
de base em política, relações internacionais
e economia, ser-se ponderado
e equilibrado em todas as circunstâncias,
sobretudo nos momentos
de maior tensão. E, claro, ter sentido
de humor para fazer frente ao dia-
-a-dia.

Como descreve um dia comum na
sua rotina diária?

Os dias nunca são felizmente iguais,
mas uma rotina pode ser mais ou
menos assim: ouço logo de manhã as
notícias na rádio, leio os principais
jornais de opinião italianos, visito os
sites na internet da imprensa portuguesa
e alguma internacional; depois
de uma rápida reunião com os meus
colaboradores para fazermos o ponto
da situação e organizarmos o nosso
trabalho, leio as comunicações chegadas
entretanto do Ministério dos
Negócios Estrangeiros (MNE), de
Lisboa e, quando é caso disso, vou
ao MNE italiano para falar sobre
algum assunto; para o almoço, convido
por vezes um político, um jornalista
ou um diplomata italiano; à tarde,
continuo o meu trabalho e, quando é
caso disso, acabo o dia indo a uma
recepção oficial ou um jantar na
Embaixada.

É fácil cumprir todos os rituais de
etiqueta e protocolo inerentes ao
trabalho numa Embaixada?
Facílimo, é um mundo perfeitamente
normal, basta boa educação, sabermos
o que estamos a fazer e sermos
iguais a nós próprios.

É comum receberem personalidades
políticas e vedetas nacionais na
Embaixada?

É frequente e sempre uma agradável
oportunidade para nos mantermos a
par do que se passa em Portugal.

A faceta “nómada” da profissão
prejudica, de alguma forma, a vida
em família?

Pode prejudicar. Antigamente, por
exemplo, era comum que a mulher
acompanhasse o marido quando ele
ia para o estrangeiro; hoje, se a mulher
tem uma carreira profissional própria,
isso poderá não acontecer. Essa faceta
nómada, como bem lhe chama, é
penosa para nós, pois, ao sairmos
dum país, se fizemos bem o nosso trabalho,
deixamos ali amigos e recordações.
Há também o problema da
educação dos filhos: nem sempre se
é colocado num posto em que haja
condições para lhes dar uma boa educação.
São obrigados a mudar regularmente
de escola e de amigos e têm,
por vezes, tendência a perder as suas
raízes em Portugal.

Por detrás de um grande embaixador
há sempre uma grande embaixatriz?
Sem qualquer dúvida. Com alguma
malícia, há mesmo algumas que não
resistem a citar a frase da mulher dum
político, salvo erro canadiano, quando
confrontada com uma pergunta como
esta, respondeu que «behind a successful
husband, there is always a surprised
wife». Mas, falando a sério,
para o sucesso da missão dum embaixador
contribui muito, e digo-o por
experiência própria, o trabalho da
mulher, muitas vezes discreto, por
detrás da cena, outras mais evidente,
nos contactos que tem no dia-a-dia.

É um orgulho representar Portugal
no estrangeiro?

É um orgulho, um privilégio e também
uma grande responsabilidade, representar
o nosso país no estrangeiro e
procurar que ele seja bem compreendido
e bem aceite.


Leia-se ainda o artigo do Embaixador Vasco Valente, publicado na revista do IAPMEI em Setembro 2004, “Itália: uma redescoberta, um desafio”:
http://www.iapmei.pt/acessivel/iapmei-nwl-02.php?tipo=1&id=766

Ver também
www.embportroma.it

6 concertos em Junho, 1 em Julho


Junho, mês em que se comemora o dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas, e mês em que se celebra também Santo António de Lisboa e de Pádua, é o mês de maior actividade do Instituto Português de Santo Antóonio em Roma, e aquele que fecha habitualmente as actividades culturais antes do Verão.

O programa de actividades conta, até ao 1º de Julho, com nada menos que 7 concertos.
Apesar de tarde, aqui publicamos a lista dos eventos que se realizam ainda até essa data.

www.ipsar.org

Martedì 17 Giugno, ore 19:00
CONCERTO: IL ROMANTICISMO NELLA MUSICA DA CAMERA

Duo:Renato Riccardo Bonaccini, Violino - Sebastiano Brusco, Pianoforte
Programma:
J. Brahms, Sonata n.2 in la magg.op.100 (Allegro amabile - Andante tranquillo-vivace - Allegretto grazioso)
C.Franck, Sonata in la magg. (Allegretto moderato - Allegro - Recitativo fantasia Moderato-molto lento - Allegretto poco mosso)


Giovedì 19 Giugno, ore 21:00 - CONCERTO

Miyako Negi, soprano - Guillermo Pardo, tenore - Kim Min Hyug, baritono
Cantori di Sant'Antonio dei Portoghesi in Roma (maestro Massimo Scapin) - Ludus vocalis (maestro Renzo Renzi)
Massimo Scapin, direttore

Programma:
VALENTINO VALENTINI DE PUCCITELLI, "Ave Maria" per soprano, flauto e orchestra d'archi
GIACOMO PUCCINI (nel CL anniversario della sua nascita), "Messa di Gloria" per tenore, baritono, coro e orchestra


Sabato 28 Giugno, ore 21:00 - CONCERTO
Elmo Consentini, pianoforte

Programma:
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827): « Grande Sonate pour le clavecin ou pianoforte Op. 26 », in la bemolle maggiore - Andante con Variazioni - Scherzo Allegro molto - Marcia funebre sulla morte d'un Eroe - Allegro
Franz Liszt (1811 – 1886): dalle « Harmonies poétiques et religieuses »: Funérailles
Sergeij Rachmaninoff (1811 – 1886): Prélude sol minore Op. 23/5; Prélude mi bemolle maggiore Op. 23/6;
Prélude do minore Op. 23/7 - Frédéric Chopin (1810 – 1849): Fantasia in fa minore, Op. 49


Domenica 29 Giugno, ore 19:00 - CONCERTO
António Carrilho, flauto dolce


Programma:
Jacob van Eijk, Ons vader in Hymelrijk (Patter Noster) - Ryohei Hirose, Hymn - Anton Heberle, Fantasia
Pedro Junqueira Maia, Duplum - J. S. Bach, Partita II (Allemanda-Corrente-Sarabanda-Giga-Ciccona)


Martedì 1º Luglio ore 21:00 - CONCERTO
Bruno Maurice, Fisarmonica


Programma:
G. F. Haendel, Largo - J. Gart, Scherzo - E. Granados, Andalousie - M. de Falla, Danse du feu - J. Sibelius, Valse Triste
K. Miaskov, Poème - A. Kholminov, Nocturne - B. Maurice, Saumur pétillant; B. M.Nuage; B. M. Bleu; B. M., Mitango

Grande Nella Maissa, italiana em Portugal


Nella Maissa, judia italiana feita portuguesa, com 94 anos de vida e 76 de carreira, apresenta-se hoje publicamente pela última vez, na Casa da Música, no Porto.

Nascida em Turim em 1914, é portuguesa pelo casamento. Estudou piano com Bufaletti, Alfredo Casella e Vianna da Motta e composição com Ferrari Trecate. É diplomada em piano pelos Conservatórios de Milão e Pesaro e licenciada em Direito pela Universidade de Parma. Em 1933, foi premiada no 1º Concurso para Jovens Concertistas, em Roma, e obteve, em 1944, por unanimidade, o primeiro Prémio Vianna da Motta, da Emissora Nacional de Lisboa.


Artigo publicado no jornal Diário de Notícias:
http://dn.sapo.pt/2008/06/17/artes/nella_maissa_o_ultimo_concerto_94_an.html


Nella Maissa dá o último concerto aos 94 anos

BERNARDO MARIANO


Se Manoel de Oliveira é, aos 99 anos, o mais velho cineasta activo do mundo, com 77 anos de filmes atrás de si, Nella Maissa não lhe fica muito atrás: 94 anos e uma carreira iniciada em 1932, com a participação da então jovem italiana de 18 anos no II Concurso Chopin de Varsóvia.

Carreira que deverá ser hoje oficialmente encerrada, quando, por volta das 20.30, abandonar o palco da Sala Suggia da Casa da Música (CdM). "Foi a Anabela que tratou de tudo e os convenceu" - diz-nos, referindo-se a Anabela Baptista, assessora de imprensa do Palácio Foz. A intermediação surgiu de uma confissão: "Disse-lhe uma vez que queria muito conhecer a Casa da Música e que gostaria de tocar uma vez lá." Por isso, diz deste recital que é "a realização de um desejo", a "satisfação de um capricho". Da CdM, diz que "foram simpáticos" e fala da homenagem de hoje como "uma gentileza".

Diz-nos logo de seguida: "É talvez o último recital da minha vida", e manifesta um receio: "Deus queira que consiga chegar ao fim!..." Não por um qualquer insuficiente domínio técnico ou do programa, mas antes por algo de bem mais elementar: "Já quase não vejo e, nesta idade, há sempre problemas de saúde novos a aparecer..." Por isso, diz, "vou fazer o que posso" e pelas mesmas razões justifica o "programa pequeno, cerca de uma hora de música" que apresentará este fim de tarde.

As horas antes do recital passa- -las-á "a experimentar o piano e a altura do banco", como qualquer pianista. Mas no seu caso outros pormenores há que adquirem grande importância: "Quero testar as luzes que irão incidir sobre o palco. Porque se forem demasiado intensas, eu cego por completo." Mas não é só: "Vou ensaiar a entrada e fixar a distância que terei de percorrer até ao piano", pois, afirma, "ir sozinha ao piano, para mim já é uma complicação". Para simplificar processos, optou por "não fazer intervalo, para não ter de correr de um lado para o outro".

O programa que hoje leva ao Porto é bem ilustrativo do percurso de uma vida e reflecte tanto o seu gosto como as suas actuais possibilidades: três autores portugueses, dois dos quais do século XX. E, no final, a Fantasia em fá m, op. 49, de Chopin - "desejaria terminar com a Sonata 'Tempestade', de Beethoven, até por causa da estrutura do programa", reconhece, "mas não posso, por causa dos saltos na mão esquerda" requeridos por essa obra. Razão óbvia: "Como não vejo bem, às vezes sai certo, outras vezes não. E isso não pode ser..."

Antes do Chopin, ouve-se a Sonatina (estreada por Helena Sá e Costa, em 1942) de Armando José Fernandes (1906-1983), a Sonata n.º 3, em mib M, op. 9 n.º 1, de João Domingos Bomtempo (1775-1842) e a Sonatina Recuperada n.º 1 (obra estreada em 1961, por Maria Elvira Barroso) de Fernando Lopes-Graça (1906-1994).

Além da música, será ainda ouvida uma comunicação gravada de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, a qual sublinhará a importância da contribuição de Nella Maissa, judia italiana feita portuguesa, para o enriquecimento do património musical português e europeu.



CASA DA MÚSICA
http://www.casadamusica.com/

lunedì 16 giugno 2008

120 anos de Fernando Pessoa


IN
http://diario.iol.pt/sociedade/fernando-pessoa-aniversario-heteronimos-120-anos-poeta-poemas/962235-4071.html


«Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.»


Há 120 anos atrás nascia em Lisboa, Fernando António Nogueira Pessoa. Considerado por muitos como um dos maiores poetas da língua portuguesa, ao lado do épico Camões, viveu a maior parte da sua juventude em África do Sul e por isso o seu rico espólio conta também com alguns poemas em inglês.

Documentos na Internet

Para assinalar o aniversário de Pessoa existem inúmeras iniciativas mas a que perpetuará o nome do poeta é a levada a cabo por Jerónimo Pizarro, investigador do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, e consiste na digitalização de todo o espólio pessoano para ser colocado, mais tarde, à disposição de todos os cibernautas.

Desta forma, Pizarro pretende preservar as obras de Pessoa. O projecto apoiado pela Casa Fernando Pessoa e pela Câmara Municipal de Lisboa já conta com 200 livros digitalizados, refere o Público.

Mas, a cultura contemporânea também não esquece Fernando Pessoa e para marcar o dia a Câmara Municipal de Lisboa e a Casa Fernando Pessoa promovem um concerto de hip hop ligado à obra do poeta.

O poeta das muitas caras

Multifacetado, considerava-se «fácil de definir», Pessoa teve participações no jornalismo, na publicidade, no comércio e principalmente na literatura onde se multiplicou em muitas outras personalidades, os heterónimos, Ricardo Reis, Álvaro de Campo e Alberto Caeiro.

Morreu aos 47 anos, na sua certidão de óbito refere «bloqueio intestinal» como causa da morte mas são muitos os que asseguram que terem sido os problemas hepáticos.

A sua última frase foi escrita em inglês e foi tão profunda como a sua liberdade poética «I Know not what tomorrow will bring», «Eu não sei o que o amanhã trará».

Pessoa, o poeta fingidor

Em 1986, Ivo Castro organizou uma edição crítica do conjunto de poemas que constituíam o Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, que fê-la acompanhar de uma reprodução fac-similada do respectivo manuscrito.

Mas, no momento em que o Estado comprou o espólio de Fernando Pessoa o manuscrito que deveria estar no baú desapareceu e só mais tarde é que se veio a saber que estava nas mãos de um primo do poeta, Eduardo Freitas da Costa.

«O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega fingir que é dor
A dor que deveras sente.»

No documento «desaparecido» encontravam-se fortes provas de que o célebre «dia triunfal» de 8 de Março de 1914, em que Fernando Pessoa terá escrito «trinta e tal poemas a fio», é no fundo a constatação de uma das maiores características do poeta, o facto de saber fingir.

Caeiro não escreveu todos os poemas seguidos como contou numa carta a Casais Monteiro, terá sido tudo uma premeditada encenação de Pessoa.

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No dia em que se celebrou os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, 13 de Junho de 2008, a Câmara de Lisboa instalou a escultura do belga Jean-Michel Folon, Hommage à Pessoa, em frente à casa onde o poeta nasceu no Largo de S. Carlos.

IN
http://www.cm-lisboa.pt/?id_item=16517&id_categoria=11



Ver também:

http://it.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

http://www.casafernandopessoa.com/

Quadras populares de Santo António


Promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, o concurso das quadras populares de Santo António foi venciso, este ano, por Abílio de Andrade Carneiro.


Santo António, de matreiro,
Finge andar muito ocupado
A Câmara não tem dinheiro
Ele assobia prò lado.





Com o segundo e terceiro prémios foram distinguidas as seguintes quadras, respectivamente, de Luís manuel Duarte Marques e de João Fernando Antunes Serrano:

Santo António, de matreiro,
Lembra, assim, mal comparado,
Um político gaiteiro,
Finge andar muito ocupado...


e

Santo António, de matreiro,
Finge andar muito ocupado;
Parece o nosso engenheiro
A "pregar" por todo o lado...