venerdì 30 aprile 2010

Maio a chegar...

Museu Nacional de Arte Antiga, Iluminura, Livro de Horas, Calendário (mês de Maio), António de Holanda.
- A melhor cepa, Maio a deita.

- Quando chove na Ascensão, até as pedrinhas dão pão.

- Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.

- Água de Maio, pão para todo o ano.

- Maio hortelão, muita palha, pouco pão.

- Maio claro e ventoso, faz o ano rendoso.

- Maio que não der trovoada, não dá coisa estimada.

- Tantos dias de geada terá Maio quantos de nevoeiro teve fevereiro.

- Quem em Abril não varre a areia e em Maio não racha a leira, anda todo o ano em canseira.

- Chovam trinta Maios e não chova em Junho.

- De Maio a Abril há muito que pedir.

Comentário de Alessandro Cannarsa à lição sobre o 25 de Abril


Comentário à lição da Germana e da Vilma sobre o 25 de Abril, aqui publicada em




A Oprichniks, a polícia secreta de Ivan, o Terrível;

a Gestapo, a polícia secreta da Alemanha nazista;

a NKVD e KGB, polícias secretas da União Soviética;

a DOI- CODI, a polícia secreta da ditadura militar brasileira;

a PIDE, a polícia secreta do Portugal de Salazar;

a OVRA, a polícia secreta da Itália Fascista:


é possivel que no mundo não exista loucura que não consiga achar quem seja disponivel a "obedecer"?


Alessandro Cannarsa

O depoimento de Monsenhor Agostinho Borges na Rádio Renascença

Um Papa “muito próximo das pessoas”
in
Na contagem decrescente para a visita ao Papa, a Renascença continua a olhar para as algumas das mais proeminentes personalidades da Igreja portuguesa ao serviço da Cúria Romana. Hoje é a vez de Monsenhor Agostinho Borges, Reitor do Instituto e Igreja de Santo António dos Portugueses.
Esta Igreja é uma importante parcela de Portugal em Roma com uma contribuição ímpar no plano artístico e também cultural.
Nesta entrevista a Aura Miguel, Monsenhor Agostinho Borges alude também a vários aspectos relacionados com o Papa. O sacerdote acompanhou pessoalmente o então Cardeal Joseph Ratzinger numa visita à cidade do Porto, em 2001, para uma conferência. “Nessa altura apercebi-me que o Cardeal Ratzinger era um homem extremamente acessível, de uma grande humildade e uma grande humanidade”.
“Quando o D. António Marto lhe disse «Sabe, acabaram de me fazer Bispo, eu que tanto gostava do ensino da Universidade, fizeram-me Bispo». Ele começou também a lamentar-se «Também a mim! Eu também gostava muito da Universidade e do ensino e agora estou aqui». Era uma pessoa muito humana, muito próxima das pessoas” – recorda, contando que conduziu Ratzinger num carro alugado até Braga e Guimarães.
Monsenhor Agostinho Borges desfia o rosário das memórias de Bento XVI, lembrando “que ele apreciava cada momento. Por exemplo, quando fomos visitar a Igreja de São Francisco, ficou maravilhado a olhar para aquele esplendor de talha dourada. A seguir a isso, na visita às Caves do Vinho do Porto, apreciou muito ver aqueles anos que estavam representados na garrafeira, nos tonéis de vinho e mais maravilhado ficou quando lhe ofereceram uma garrafa de Vinho do Porto com a data do seu nascimento”.
O Reitor do Instituto e da Igreja de Santo António dos Portugueses voltou a encontrar-se com o Papa “ de maneira ocasional e ele tinha sempre a preocupação de perguntar «como está o seu amigo Bispo?», que era o Sr. D. António Marto. Às vezes dizia isto a D. António Marto e ele não acreditava: «Ele recorda-se lá de mim! Mas ele lembrava-se”.
Nesta entrevista, Monsenhor Agostinho Borges começou por se referir ao Instituto e à Igreja de Santo António dos Portugueses, explicando que tem “duas vertentes: a parte da Igreja, com Missa dominical, e a parte cultural do Instituto, também ligada à Embaixada de Portugal junto da Santa Sé”.
Os roteiros culturais de Roma incluem concertos na Igreja de Santo António dos Portugueses – uma igreja a que os italianos chamam “uma caixa de bombons”, de tão delicada e rica. A “culpa” desta dinamização é de Monsenhor Agostinho Borges, que a assume juntamente com as “consequências”. É que, como a comunidade portuguesa na capital italiana não é muito numerosa e não chegava para dar “vida” à Igreja, e os peregrinos também não são em número suficiente, o Reitor do Instituto e da Igreja viu “que era necessária uma actividade cultural que trouxesse outro tipo de peregrinos: os peregrinos da música, da cultura”. “Mas o meu grande sonho é aquilo que se realizou no dia 7 de Dezembro de 2008, véspera da Imaculada Conceição e dia de Santo Ambrósio, que foi a inauguração do órgão de tubos” – sublinhou o sacerdote.

Entrevista ao Reitor de Santo António dos Portugueses por Rosa Ramos


Entrevista ao Monsenhor Agostinho Borges, "Bento XVI não é sombrio nem taciturno" publicada por Rosa Ramos, a 29 de Abril de 2010 em



Vive em Roma há 15 anos e tem privado com o Papa. O reitor do Instituto Português de Santo António garante que Bento XVI é "divertido"


Quando era seminarista quis fazer um interrail. Meteu-se num comboio até à Alemanha e foi "aprender alemão". Anos mais tarde, uma semana depois de ser ordenado padre, e "ainda mal sabia dizer a missa em português", decidiu mudar-se para Paris. Durante 10 anos, trabalhou com a comunidade portuguesa no bairro 16. Aos 52 anos, o reitor do Instituto Português de Santo António em Roma ainda não perdeu a obstinação. Quis comprar um órgão novo para a igreja e não esteve com meias medidas: escreveu a todas as Câmaras portuguesas para angariar fundos. Depois, apresentou os autarcas que colaboraram a Bento XVI. Em Roma há 15 anos, Monsenhor Agostinho Borges quer fazer do Instituto "um espaço de acolhimento aos peregrinos cada vez mais virado para a arte".


Bento XVI está quase a chegar a Portugal. Relaciona-se bem ele? Lembra-se de como é que se conheceram?

Conhecemo-nos em 2001, quando ainda era cardeal, pouco tempo antes de ele ir à Universidade Católica do Porto, para dar uma conferência sobre as raízes cristãs na construção da Europa. O actual bispo de Leiria-Fátima era director da faculdade de Teologia e pediu-me para fazer o intermediário. Acompanhei-o a Portugal. Levei-o a Guimarães e a Braga, onde visitámos Bom Jesus e o Sameiro.


Ele nunca tinha estado em Portugal?

Não e gostou muito, sobretudo de conhecer a história do início da nação. Esteve sempre muito atento em todos os momentos. E levava a lição muito bem estudada, informou-se antes da viagem. Foi muita gente ouvi-lo ao Porto, o que foi reconfortante. D. Armindo, o bispo da altura, recebeu-o muito bem, apesar de ser muito sóbrio e simples. Ele não bebe, por exemplo, bebidas alcoólicas, a não ser de vez em quando um vinho do Porto. Saboreou o vinho, via-se que sabia apreciar. E aproveitou para visitar as caves do vinho do Porto.


Desde então mantiveram contacto?

Sim. Pouco tempo depois, aceitou almoçar em minha casa com o cardeal de Colónia. Sempre com uma postura de grande simplicidade. Há até um episódio que recordo muitas vezes. Para se sair da minha garagem é preciso fazer muitas manobras - mesmo à romano. Ratzinger ficou muito admirado com a minha agilidade e, no final, pôs o secretário dele e uma religiosa que estava connosco a aplaudir-me fervorosamente. É um homem divertido. E muito simples, muito humano. Memoriza muito as pessoas. Sempre que nos encontrávamos, perguntava-me: "Como está o seu amigo bispo?". Referia-se ao bispo de Leiria-Fátima, que conheceu em Portugal. Quando contava a D. António, ele até achava que eu estava a brincar. Mas o que é certo é que depois de ter cá estado, no Porto, Ratzinger mandou-lhe um cartão de boas festas e tudo. Nunca se esquece de ninguém. É impressionante.


Mas diz-se que o Papa é um académico nato com pouco jeito para as pessoas...

Não. Nem é sombrio ou taciturno. Viajei pela Alemanha, desde muito cedo, e habituei-me ao jeito de ser germânico. O alemão é uma pessoa distante, no início. Parecem calculistas, demoram o seu tempo a ganhar confiança. Mas depois tornam-se afectuosos e fiéis. E ele é exactamente assim. Em 2008 fui a uma audiência de quarta-feira com um grupo de presidentes da Câmara do Norte que me ajudaram a construir o novo órgão da Igreja. Quando lhos apresentei, expliquei-lhe porque estavam ali e ele agradeceu-lhes, de forma muitíssimo efusiva e afectuosa. Ele não é distante.


E também conheceu João Paulo II...

Sim, mas são muito diferentes. João Paulo II era o Papa das multidões. Bento XVI é o Papa que se fixa em cada um, individualmente. Aliás, isso nota-se nas fotografias de um e outro. Bento XVI aparece sempre atento a quem cumprimenta. João Paulo II aparece a cumprimentar, mas já a olhar ao longe, a preparar-se para quem vem a seguir. O antigo Papa estava habituado a lidar com multidões. São estilos de liderança diferentes.


É reitor do Instituto de Santo António dos Portugueses já há alguns anos. Promovem um concerto de órgão muito famoso no Vaticano todos os domingos. Mas fazem mais do que isso, ou não?

É indiscutível que temos uma actividade concertista muito forte. O nosso órgão, inaugurado em Dezembro de 2008, é considerado único em Roma. O projecto foi encomendado a um grande organista francês que já tem 80 anos, Jean Guillou. Mas a actividade do Instituto não se resume a isso. Há ciclos contínuos de conferências, uma galeria de exposições - considerada uma das mais bonitas de Roma e que resultou da reconstrução das antigas caves dos peregrinos. Além disso, temos um arquivo histórico e uma biblioteca com mais de 30 mil volumes. Depois, há a vocação natural do Instituto, que é servir de espaço de acolhimento a investigadores, académicos, professores e doutorandos de todas as áreas e que nos chegam de todos os pontos de Portugal.


Quanto é que pagaram pelo órgão?

Custou 390 mil euros, que foram pagos pelos presidentes de Câmaras da região do alto Tâmega e também com a ajuda da Câmara de Felgueiras.


Há uma presença forte de Portugal em Roma?

Acredito que sim. Quis investir no órgão precisamente para chamar público e ganhar publicidade.


Que ideia há dos portugueses em Roma?

Os italianos têm uma expressão, "fare il portoghese" (fazer-se passar por português). Tem a ver com razões históricas. D. João V enviou ao papa Clemente XI uma embaixada durante umas festividades e o Santo Padre, maravilhado com o fausto do grupo, determinou que os cidadãos portugueses fossem dispensados de pagar os ingressos nos espectáculos. Mas os romanos, que eram espertos, começaram a fazer-se passar por portugueses. Por isso, ainda hoje, quando se entra num autocarro sem pagar, ou não se paga alguma coisa, os italianos dizem isso. Quem não conhece a história até pode pensar que os portugueses são vistos como caloteiros, mas a história reverte a nosso favor. Em Itália gosta-se muito de Portugal e dos portugueses.


Portugal continua a ser um dos países com maior tradição religiosa. Continua a sentir isso?

Sim, apesar de viver fora de Portugal desde 1984. Estive dez anos em Paris e já estou há 15 anos aqui. Pelo meio só vivi um ano em Portugal.


Mas há coisas que estão a mudar. A aprovação dos casamentos homossexuais, a despenalização do aborto são sinais preocupantes para a Igreja?

A história o dirá. Não seremos nós a ler e a fazer a história. Serão outros, quando olharem para a nossa época. Parece-me que temos pressa, medo de perder o comboio. Nenhuma sociedade, como dizia Santo Agostinho, encarna totalmente a cidade de Deus. E a Igreja também não é perfeita. Mas, com os seus altos e baixos, deve continuar a indicar caminhos, consciente de que também é chamada à conversão.


Já há correntes dentro da própria Igreja que defendem mudanças radicais, como o fim do celibato...

Esse é um problema que não me preocupa, porque quando quis ser padre sabia o que tinha pela frente. A minha vida está orientada pelo celibato, foi essa a minha escolha. Que a igreja noutros momentos da história possa optar por outros estilos de ministério, a mim não me assusta nada. Não me preocupa. Mas mantendo os dois caminhos, a possibilidade de escolha.


Poderá estar próximo, esse momento?

Não me parece que seja agora. A Igreja - entenda-se comunidade por inteiro - está, neste momento, como acontece em qualquer outra instituição de vez em quando, a ser chamada a viver um momento de purificação e a testemunhar a fé. Hoje, com a imigração de gentes de outros mundos e religiões - como o mundo muçulmano - há temas mais urgentes. Sempre me interroguei porque é que jovens nascidos na Europa - e vi muito isso em Paris -, filhos de segunda ou terceira geração do mundo árabe, com cursos universitários, se tornam fundamentalistas. É sinal de que a cultura europeia, massacrada pelo secularismo, não consegue dar uma resposta. Interrogo-me: será que nós, igreja ocidental, europeia, estamos à altura de testemunhar a nossa fé e aquilo em que acreditamos? Estará a Igreja à altura de responder aos desafios do nosso tempo? Teremos que estar. Com a razão. Apostando no diálogo, porque não se pode fazer nada sem diálogo. O diálogo é o exercício concreto da aceitação da pessoa que temos à nossa frente. Enquanto cristão, o principal é a aceitação do outro enquanto imagem de Cristo, independentemente da sua crença ou religião.


E como avalia o papel da Conferência Episcopal Portuguesa na gestão destas mudanças na sociedade portuguesa?

A Igreja não pode controlar poderes económicos ou políticos. E nem sempre a sua voz se faz ouvir. Mas creio que se poderá investir mais em meios audiovisuais - apesar de caros. A Igreja - e não são só os padres e os bispos, mas todos os baptizados - precisa de gente profissionalizada, capaz de fazer passar a mensagem de Cristo. Sei que há gente a trabalhar nesse sentido e que tem abdicado do seu tempo, mas é preciso mais. Hoje, as pessoas não têm tempo para ler grandes discursos. É preciso alguém que pegue no grande discurso e o saiba colocar, sem o desvirtuar, em títulos e subtítulos. São desafios que já vêm de longe, mas hoje colocam-se mais porque a sociedade também está diferente.

"Naquela noite a Isabella sonhou" de Stefano Valente

Isabella post-Brasil

Escreveu-nos o nosso aluno e colaborador assíduo deste blog, Stefano Valente: "Só uma brincadeira… Na espera por uma amiga e uma grande cantora. Volta depressa, Isabella!". Aqui publicamos o texto, queagradecemos, e saudamos os nossos alunos...


Naquela noite a Isabella sonhou.


Sonhou com o seu regresso para Itália.
De repente, assim como acontece nos sonhos, ela teve a consciência de ter regressado a Roma, mesmo à via dei Portoghesi, até ao Instituto em que estudava português, e naquela tarde tinha lição – ela tinha esta certeza –, pois era quinta-feira, porque aquele era um sonho feito daquela maneira, um sonho em que todos os dias da semana eram quintas, e em que a cada dia havia aula de língua portuguesa…
Então, entrando na escuridão do corredor do Instituto de Santo António, a Isabela pensou: Tem lição… A gente vai – todo o mundo vai…
E já havia algo naquele pensamento, algo que… lhe soava estranho, diferente – porém não conseguia perceber a razão daquela estranheza.
Agora a Isabella estava no limiar da sala de aulas. A porta estava fechada. Ouvia umas vozes vindas do interior.
O coração batia-lhe com força enquanto rodava o puxador. Enfim ganhou coragem e abriu.

Esfregou os olhos. Arregalou-os. Voltou a esfregá-los. Escancarou-os outra vez…
Nada. A cena não mudava.
Todos os alunos (os seus colegas dum tempo do qual mal se conseguia lembrar, tanto lhe parecia longínquo), todos os alunos, sentados nas cadeirinhas vermelhas, ao vê-la chegar, levantaram-se, e foram-lhe pertinho, e não deixavam de a abraçar e de lhe falar… mas tudo o que a Isabela era capaz de perceber era apenas um ch-ch-ch, um murmúrio grave, incompreensível!

No entanto que começava a estremecer, aproximaram-se-lhe a Vilma, o Cristiano e a Germana. Eram vestidos como os três pastorinhos de Fátima. Gritavam e faziam-lhe festas. Por meio duma enorme colher de madeira e de um balde, o Cristiano continuava a oferecer-lhe leite de cabra: «Aproveita!», insistia, «Acaba de ser mungido!».

A Isabella tentou várias vezes recusar, e afastar-se, e até fugir. Porém – além de ter pernas de mármore –, nem sequer lhe vinha de pronunciar uma só palavra que não fosse Reaumêntchi, ou Geraumêntchi, ou Puxa vida!...
Mas o pior era que lhe era impossível tratar os outros com tu.

O pesadelo felizmente terminou quando o professor – a quem todos chamavam Dom Francisco –, ataviado como o Infante Dom Henrique (com chapéu com faixa e tudo – também com sextante e portulanos e Os Lusíadas debaixo do braço), começou a falar-lhe em perfeito português quinhentista, e perguntou-lhe dum certo Cabral, ou talvez do patrão das cabras dos pastorinhos, quem sabe…

O que ela compreendeu claramente, nas gargalhadas de Dom Francisco, foi apenas:
«Bem-vinda Isa-oba!»
STEFANO VALENTE

28 de Abril: faleceu Pina Martins


O investigador e humanista José Vitorino de Pina Martins morreu quarta-feira, em Lisboa, aos 91 anos.
Antigo presidente da Academia das Ciências, Pina Martins foi um dos maiores estudiosos da cultura europeia renascentista, tendo deixado vasta obra bibliográfica. A ele se deve a identificação do Tratado de Confissom, o mais antigo livro impresso em português.
Professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, leccionou também em Roma e em Paris, tendo, na capital francesa, presidido ao Centro Cultural da Fundação Calouste Gulbenkian.
Em 1963 foi condecorado pelo Governo italiano, pelos seus estudos sobre Giovanni Pico della Mirandola, e em 2008 recebeu o Prémio Pedro Hispano.

mercoledì 28 aprile 2010

Cinema Portoghese - Domenica 9 Maggio UGC Ciné Cité Parco Leonardo - A Zona



Partecipa alla rassegna del 9 maggio che si terrà presso UGC Ciné Cité Parco Leonardo e dove saranno proiettati 27 film provenienti dai Paesi membri dell'Unione Europea!

Il film scelto per rappresentare il Portogallo nella rassegna è "UPRISE" (A Zona). La proiezione sarà alle ore 17.45.

http://www.ugc.cinecite.it/index.htm



A ZONA

trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YCZboYx7R9o

La morte di un fantasma vissuta da altri fantasmi, e intorno a loro un vuoto fatto di specchi che riflettono oscurità. Il primo lungometraggio del portoghese Sandro Aguilar (atteso al varco dopo aver fatto parlare di sé nei Festival di mezza Europa), è un inquietante e distruttivo resoconto della misera condizione umana, vista dalla prospettiva di un uomo che osserva il padre sopravvivere solo grazie ad un respiratore. Lo sperimentalismo virtuoso del regista opera una minuziosa frammentazione della realtà, fatta di oggetti, memorie e sogni futuri che sfumano in uno spietato fuori fuoco. Nascita e morte sono i due estremi entro cui l’essere umano è chiuso come topo in gabbia, insetto che con occhi miopi e tremanti esplora il mondo sempre minaccioso ed inquietante. Quanti colori ha il buio senza fine di Aguilar, oblio della pena in cui l’uomo si contorce, inghiottito nella sua “zona”, non-luogo cui lo costringe la coscienza della fine. Qui ogni cosa sembra abbandonare l’uomo in una mancanza di senso che si espande come macchia totalizzante, in cui spazio e tempo, passato e futuro si uniscono nel turbine che mette tutto sotto sopra, costringendoci in qualche modo a riunire i pezzi del reale. La morte e l’abbandono del senso diventano così possibilità estrema di rinascita. Affascinante e promettente cinema di disfacimento e finale liberatoria creazione.
in http://www.mpnews.it/index.php?section=articoli&category=44&id=2618/Recensione+film%3A+A+zona+(La+zona)



Sandro Aguilar's strange, elliptical debut feature more than fulfils the promise revealed in his numerous experimental shorts. A lugubrious man named Rui (António Pedroso) visits his dying father in a Lisbon hospital, where he meets an unnamed pregnant woman (Isabel Abreu), survivor of a car accident in which her lover has died. But have they met before and if so when? The zone of the Portugese title refers to the emotionally-charged space of the hospital, where much of the action takes place, but equally could refer to a Lynchian liminal space between life and death, where familiar narrative and temporal logic is suspended. If that sounds forbiddingly cerebral, it's anything but. Uprise's formal daring is anchored by beautifully weighted lead performances and a perfectly sustained downbeat mood; the viewer is gradually drawn by phenomenal cinematography and sound design into an immersive realm where certain scenes have an almost uncanny potency – small wonder that the film haunts you for days after seeing it. Aguilar is part of a thriving experimental auteur scene in Portugal that includes the likes of Miguel Gomes and Joao Pedro Rodrigues, channelling the anarchic spirit of João César Monteiro. That said, Aguilar is very much his own man, and on the evidence here seems destined to become one of Portugal's brightest talents.

in http://www.ica.org.uk/18094/Film/Uprise-A-Zona.html

7 maggio, poesia portoghese in musica nella Casa della Memoria e della Storia


Venerdì 7 Maggio - ore 21.00


Casa della Memoria e della Storia

Via di San Francesco di Sales 5 - Roma


LIVRE PENSAMENTO

Poesia Portoghese in Musica


un concerto del

Conjunto Romano


cantano

Damiana Leone, Esmeralda Fersini


suona

il Conjunto Romano

Felice Zaccheo chitarra portoghese (guitarra portuguesa),

FrancoPietropaoli, viola (chitarra classica),

Alessandro Belli, viola baixo (contrabbasso - basso acustico).


Con la partecipazione speciale di Carlo Giacobbe (giornalista, docente Università La Sapienza)


Versi scritti in forma di canzone, musica che ha contribuito alla storia di un paese: sarà una carrellata su alcuni dei brani più importanti della musica popolare urbana portoghese del Novecento, attraverso vari stili, dalla canzone d'autore, al fado di Lisbona e di Coimbra, alle composizioni strumentali di Carlos Paredes. Tanti rivolti per raccontare cantando la solitudine, la nostalgia, il dolore per l'oppressione, come pure l'aspirazione alla libertà, l'antagonismo, l'amore, la speranza, fin anche l'affetto per la propriacittà. Un compendio di quasi cento anni di canzoni, sostenuto da uncommento ai brani presentati e dalla traduzione delle strofe più significative di Fernando Pessoa, Luis de Camões, Manuel Alegre, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Melo, "Zeca" Afonso, AlfredoMarceneiro


Galeria IPSAR: inauguração Andrea Nicodemo, 5 de Maio


Il Rettore dell’Istituto Portoghese di Sant’Antonio in Roma

Mons. Agostinho da Costa Borge

ssotto l’alto patrocinio di S. E. l’Ambasciatore del Portogallo Presso la Santa Sede

Dott. João da Rocha Páris

in collaborazione con l'Ambasciata del Portogallo presso lo Stato Italiano


ha il piacere di invitare la S.V.

all’inaugurazione della Mostra

"Contro la luce cruda tutte le forme sono sagome..."

di Andrea Nicodemo

a cura di Gianluca Brogna


che avrà luogo il 5 MAGGIO 2010 alle ore 18,30


La mostra rimarrà aperta fino al 23 MAGGIO 2010

lunedì - venerdì - dalle 16,30 alle 20,00

Sabato e mattina su appuntamento: +39 333 68 76 417


Galleria dell’Istituto Portoghese di Sant’Antonio in Roma Via dei Portoghesi, 6I-00186 Roma


Andrea Nicodemo
Contro la luce cruda tutte le forme sono sagome (F. Pessoa)
A cura di Gianluca Brogna


5 maggio – 24 maggio 2010, Istituto Portoghese di S. Antonio in Roma

La trasformazione e l'alterazione s'impongono come principali requisiti di ricerca quando si osservano i lavori dell'ultima produzione di Andrea Nicodemo. Non bisogna farsi ingannare dal materiale povero che è stato utilizzato, perché il valore oggettuale e l'analisi concettuale si dirigono verso il superamento del materiale stesso, e convergono in un mutamento degli elementi nel loro essere nel tempo. Una trasformazione non forzata con l'ausilio di agenti meccanici o chimici, non costruita in laboratorio, ma indotta dal tempo attraverso la pioggia, il vento e il sole. Un graduale mutare di stato, nella prassi quotidiana, ha alterato la struttura molecolare dei materiali usati dall'artista. Nuove e differenti forme, che contengono al loro interno un fattore di instabilità e di precarietà causato dalla diversità accumulata.
Ci troviamo di fronte ad identità inedite, che presentano molteplici sfaccettature pur riconoscendosi in una comune origine. Le forme sono diventate sagome, sono giunte alla fine di un percorso dove ogni nuovo aggregato esiste nella sua peculiare unicità e individualità. Un lavoro che evidentemente dialoga con Pessoa, perché le opere di Nicodemo sono un omaggio occulto agli eteronimi del poeta portoghese. Una poetica unica che ha generato attraverso l’azione del tempo e del pensiero differenti identità che esistono nella loro storia e per la loro storia. Significanti segnici che hanno valore soltanto nella loro specifico valore nel loro essere irripetibili.

Andrea Nicodemo, Termoli 1976,Si trasferisce a Roma, (dove vive e lavora) frequenta l'Accademia di Belle Arti.Esordisce a Roma esponendo: INTERIORITA'nella galleria 9 VIA DELLA VETRINA CONTEMPORANEA. Successivamente (Aprile 2006) Da "Interazione del colore" di Josef Albers Nicodemo trae spunto per la sua prima personale in Italia COLORS ADDICTED alla Galleria Ugo Ferranti di Roma. Ricordiamo inoltre le mostre: "INTIMISMO" Galleria Lion & Lion New Orleans (2005); A UN AMICO LONTANO, omaggio a una lettera mai aperta, alla Galleria Ugo Ferranti(2007); "EXPERIMANTA" collezione Farnesina Giovani (2008); ³FLUCHTEN²(fughe) a cura di Christiane Erdmann., Wiesbaden (Germania). ³AVVERTENZE ARTISTICHE² MERCATI DI TRAIANO MUSEO DEI FORI IMPERIALI, 2009; "CONTRO LA LUCE CRUDA TUTTE LE FORME SONO SAGOME..." 2010.







Concertos em Maio no IPSAR

Erato, Alegoria da Música - Filippino Lippi, 1505-1510 Staaltliche Museen, Berlin


Domenica 2.05.2010
18.30 Concerto di organo commentato: “L’Agnello è il Pastore. Visioni nell’Apocalisse.”
Note, appunti e contrappunti nell’Anno Sacerdotale.
Commentatore: Mons. Letterio Gulletta, Arcidiocesi di Messina
Organista: Giampaolo Di Rosa
Programma: improvvisazioni tra Parola e suoni


Sabato 8.05.2010
19.00 Concerto di Musica da Camera: Trio violino, violoncello e pianoforte.
Violinista: Riccardo Bonaccini, Violoncellista: Michele Chiapperino, Pianista: Sebastiano Brusco
Programma: opere di F. J. Haydn, F. Mendelssohn, B. Smetana


Domenica 16.05.2010 Ascensione
18.30 Concerto di organo
Organista: JuYe-Heun (Seoul, Sud Corea)
Programma: opere di J. S. Bach. W. A. Mozart, A. Heiller, Ji-Sung Kim, J. Guillou

Domenica 23.05.2010 Pentecoste
18.30 Concerto di organo - Integrale dell’opera organistica bachiana
Organista: Giampaolo Di Rosa
Programma: BACH, V concerto

Sabato 29.05.2010 Notte di Fado
21.00 Concerto di Fado
Chitarristi: Paulo Valentim e Bruno Costa, Voce: Jonas
Programma: musica portoghese


Domenica 30.05.2010 SS. Trinità
in collaborazione con Orgelwelten Ratingen
18.30 Concerto di organo e pianoforte
Organista: Ansgar Wallenhorst (Ratingen, Germania), Pianista: Giampaolo Di Rosa
Programma: opere sinfoniche, di G. Di Rosa (“COLORI” – prima esecuzione) e improvvisazioni in duo

Ainda Isabella no Brasil: duas perguntinhas “astronómicas” do Alessandro


Do Alessandro Cannarsa à Isabella Mangani, ainda a propósito de quanto publicado em



Duas perguntinhas “astronómicas” para a minha querida Isabela,

perdida na imensidão do país do “pau brasil”:


1) é mesmo verdade que ao sul do equador a lua não é “mentirosa”, isto é, que quando a sua forma è um “D” decresce e quando faz um “C” de facto é crescente?


2) é real que, como diz o Chico Buarque, “não existe pecado do lado de baixo do equador”? Se for assim, logo valeria a pena ir a (ou para?) o Rio!

Pela lua, claro….


Beijinhos,

Alessandro

lunedì 26 aprile 2010

Elena Fattori sobre Tradições: “PALIO DEL TRIBUTO”

A nossa aluna Elena Fattori escreveu, sobre o tema "Tradições", esta composição sobre as festas que se realizam na sua terra: Priverno. Aqui a publicamos, agradecendo à Elena o seu belo texto e colaboração com este blog.



Uma tradição muito importante de Priverno é o “Palio del Tributo”, uma manifestação que se desenrola em Julho e que se divide em três partes: o cortejo histórico, a oferta do vinho e consignação do pálio e a corrida ao anel.
O cortejo histórico é um desfile de personagens do século XVI pelas ruas principais de Priverno.
A corrida ao anel é a parte mais importante da manifestação: oito campeões de quatro bairros (Porta Campanina, Porta Paolina, Porta Romana e Porta Posterula) competem numa prova a cavalo. Eles têm de apanhar com uma lança um anel que está fixado numa estaca. A cada volta o anel é mais pequeno e depois três voltas o cavaleiro que apanhou o maior número de anéis no menor tempo vence a competição. O pálio, que é entregue ao vencedor, consiste numa bandeira pintada cada ano por um diverso artista de Priverno. Nos dias precedentes à corrida ao anel, cada bairro organiza uma festa medieval com música, bailes, jogos e pratos típicos. Depois da corrida o bairro vencedor organiza uma outra festa e com essa fecha-se a manifestação.
O “Palio del Tributo” é uma celebração dos acontecimentos históricos do século XVI, quando os castelos de Roccagorga, Asprano, Prossedi, Maenza e Sonnino tinham de pagar um tributo a Priverno, dado que eles ficavam no seu território.

ELENA FATTORI

Isabella no Brasil: mensagens de cá para lá


A nossa aluna e amiga, e grande voz do Fado em Itália, ISABELLA MANGANI, está no Brasil a fazer uma experiência interessante como tradutora:
Eis algumas linhas da mensagem que nos mandou...

«Tutto il mio soggiorno, durante il quale attraverserò sei stati, è incentrato sui laboratori del cicuito Lanagro, che fa riferimento al Ministero per l'agricoltura.
Praticamente tengono sotto osservazione gli animali (soprattutto volatili) e li sottopongono a continue analisi per studiare la diffusione di vari virus, tra cui il famigerato H1N1, quello dell'aviaria.
A proposito, ho un po' di tosse... ;-)
Il tecnico con cui lavoro è venuto a installare nuove attrezzature acquistate con i fondi per l'armonizzazione messi a disposizione dall'Unione Europea.

E ora veniamo a noi: ho detto che mi avevano chiamato per lavorare con l'inglese e che il portoghese era solo un "valore aggiunto", no? Ecco... invece se non parlassi portoghese non avremmo potuto fare NULLA fino ad oggi, dal prendere un taxi al tenere la formazione per gli strumenti installati!Infatti dopo i primi due giorni mi sono decisa a tenere anche la formazione in portoghese, ed è andata bene. Ora vedremo qui nel laboratorio di Goiania come andrà, visto che ci saranno molte più cose da installare e non sono sicura di poter imparare tutta la terminologia scientifica portoghese in un batter d'occhio.
Comunque, per nostra soddisfazione, mi chiedono tutti se sono portoghese ^.^Tuttavia confesso che sto già cercando di adattarmi un po' di più alla pronuncia e ad usare qualche parola che è tipicamente brasiliana, altrimenti faccio la figura della "portoghese snob"!

Ma lo sapevi che qui "pequeno almoço" non esiste?? Se lo dici non ti capisce quasi nessuno! E così tante altre parole. Quando tornerò ti farò un sacco di domande, perché devo capire se alcune cose che imparo qui sono eminentemente brasiliane oppure sono uguali anche in portoghese ma magari io non le conoscevo... Mi sto segnando tutto quello che noto, poi ti dico.

Come va il corso? Salutami tutti e dici ad Alessandro che ogni volta che in laboratorio vedo una tavola degli elementi in portoghese penso a lui, lusofilo che insegna chimica.
E il teatro? State leggendo tante belle poesie di Manuel Alegre?
L'altro giorno sono andata sul blog e ho visto che avete fatto l'incontro con uno dei quattro artisti in mostra, deve essere stato interessante. Ed è bella anche la poesia che hai messo per Pasqua!

A parte il fatto che qui il sole non si vede... Le giornate sono molto strane, in un giorno solo ci sono le quattro stagioni! Abbiamo già assistito a varie tempeste di fine estate, ma qui tutti se la ridono e dicono che non è niente... chissà a cosa sono abituati! A me sembravano piogge molto pesanti!
(...)»



Alguns colegas decidiram responder à Isabella, mandando-lhe através deste blog pequenas mensagens de simpatia e amizade:



VILMA
Querida Isabella, espero que tu estejas muito bem. Lamento a tua ausências nas aulas e estou desejando abraçar-te. Espero também que tu possas voltar antes do fim do curso. Aproveita os dias que têm quatros estações num só e divirte-te na tua estadia de além-mar. Até breve.


IVANA
...e tra un samba e l'altro, cara Isabella, non dimenticarti del "nostro fado" o forse l'hai già adattato al ritmo carioca? Scherzi a parte, grazie per i saluti che contraccambio.


CRISTIANO
Querida Isabela, como estás? Gostei da carta que enviaste. Gostas do Brasil? Aposto que te encanta o sotaque brasileiro…
Na tua ausência fizemos a apresentação sobre a fado, fiz ouvir as canções, mas faltava a voz de uma cantora ao vivo - que és tu! Acho que quando regresares, vais estar a falar “carioca” e na esperança de te ver o mais cedo possivél, digo-te:
Pe, pe, pe, pe, pe
Pe, pe, pe, pe, pe
Brasil
Pais tropical,
ay ay caramba,
ay ay caramba
começando a andar
começando a andar…
todos os dias de SAMBA, minha colega!!! (com a ponúncia do Brasil). Um abraço.


GERMANA
Querida Isabella, lemos o teu e-mail e quero dizer-te que invejo esta bela experiência que estás a fazer. Fizemos somente algunas aulas contigo mas impressionou-me a tua esplêndida pronúncia portuguesa; faz favor de não a mudar. Muitos desejos de tudo de bom e, se podes, volta a escrever depressa.


Marta Lorenzini sobre "Tradições": Pequeno-almoço de Páscoa


A nossa aluna Marta Lorenzini escreveu, sobre o tema "Tradições", esta composição sobre a Páscoa e a refeição típica da quadra festiva. Aqui a publicamos, agradecendo à Marta mais uma sua excelente colaboração com este blog.


Uma tradição típica da cidade de Roma é o pequeno-almoço de Páscoa. É um costume característico do povo e é muito antigo.
No Sábado Santo à noite (a vigília de Páscoa), as famílias vão à Igreja para ouvir a Santa Missa, que neste dia particular é muito comprida: começa mais ou menos às 23 horas e acaba às 2 horas do dia seguinte que é o Domingo de Páscoa.
Depois da Missa a comunidade troca as “boas festas” e todas as famílias voltam para a casa para tomar o pequeno-almoço.
Geralmente as pessoas comem pão, carnes frias (especialmente salame), tortas salgadas, ovos cozidos (muitas vezes decorados pelas crianças), mas também ovos de chocolate, a “pastiera napoletana” - um doce típico da cidade de Nápoles mas que todos os Romanos conhecem - e muitos outros doces e pratos característicos.
Originalmente a família compreendia também os parentes mais afastados, mas hoje é uma coisa bastante difícil porque muitas famílias moram em lugares diferentes e não podem juntar-se à noite. Por isso as pessoas preferem adiar para o Domingo e jantar como no dia de Natal.
Aqueles que não podem esperar pelo dia (como eu e os meus pais) e gostam de tomar o tradicional pequeno-almoço, mesmo sem toda a família junta, convidam geralmente alguns amigos depois da Missa, se eles se encontram durante a celebração.
Na minha opinião esta é uma óptima tradição e tem muito valor porque é divertida e é uma oportunidade para partilhar a Páscoa de uma maneira original.


MARTA LORENZINI

Statua della Madonna di Fatima a Roma




Dal 25 aprile al 1° maggio è presente nell'antica chiesa di S. Vitale (Via Nazionale) la statua della Madonna di Fatima.

Vide anche:

venerdì 23 aprile 2010

25 de Abril: lição de Germana Lardone e Vilma Gidaro


Aqui se publicam os extos apresentados ontem, durante a aula, pelas nossas alunas Vilma Gidaro e Germana Lardone sobre o 25 de Abril:



DA DITADURA MILITAR AO ESTADO NOVO de Germana Lardone

Nos anos 20 do século passado vivia-se na Europa um período de grande crise social e política. As classes dominantes queriam reforçar o seu poder enquanto os trabalhadores procuravam o reconhecimento dos seus direitos sociais e económicos, após a revolução soviética de 1917.
Na Alemanha os grandes grupos financeiros e industriais promoveram a tomada do poder pelo partido nazi de Hitler. Na Itália o partido fascista de Mussolini tomara o poder.
Em 1926 a maré reaccionária chegou a Portugal: a 28 de Maio um golpe militar pôs fim à primeira República parlamentar e instalou-se uma ditadura apoiada por uma parte da população, pelo menos nos seus primeiros tempos.
Esta Ditadura Nacional, com estrutura constitucional provisória e suspensão da Constituição de 1911, mostrou-se incapaz de resolver os problemas da Nação e, em 1928, o Presidente da República, General Óscar Carmona, para resolver a crise financeira, chamou António de Oliveira Salazar, professor de Economia na Universidade de Coimbra, especialista de Finanças Públicas, para assumir o encargo de Ministro das Finanças.
Salazar aceitou com a condição - que lhe foi garantida - de poder supervisionar todos os ministérios e de ter direito de veto sobre os respectivos aumentos de despesas.
Impôs então uma forte austeridade e um rigoroso controlo de contas, aumentando os impostos e reduzindo as despesas públicas, conseguindo assim um saldo positivo no primeiro ano (1928-1929): o sucesso converteu-o no “Salvador da Pátria”.
Para consolidar o seu poder soube servir-se da imprensa que lhe era favorável, assim como das recém criadas emissoras de radiodifusão, e soube também aproveitar as lutas entre as diferentes facções da Ditadura.
Para além disso, os seus discursos públicos, de palavras concisas e calmas, agradavam à maioria do povo.
Em 1930 Salazar criou a União Nacional, necessária para a construção de um novo regime, o Estado Novo, concebido e integralmente desenhado por Salazar, regime que vigorou em Portugal durante 41 anos.
A designação de Estado Novo criada por razões propagandísticas, quis assinalar a entrada numa nova era aberta pela Revolução de 28 de Maio 1926.
Nenhuma lei proibia os partidos políticos mas, como o único aceite era a União Nacional, os restantes foram ilegalizados e alguns deles, como o Partido Comunista, passaram à clandestinidade ou ao exílio.
Em 1932 foi publicado o projecto duma nova Constituição - “aprovada” por referendo popular em 1933 - onde as abstenções foram contadas como votos “sim” e Salazar foi nomeado Chefe do Governo.
Com a entrada em vigor da Constituição de 1933 ficou consagrado o sistema governativo conhecido por Estado Novo, caracterizado pelo forte autoritarismo, nacionalismo, corporativismo, condicionamento das liberdades individuais e duma poderosa polícia politica (PIDE – Polícia Internacional de Defesa do Estado).
Foi portanto através destes princípios ideológicos que uma grande parte dos portugueses (a hierarquia religiosa, os proprietário agrários, a burguesia, os monárquicos) se deixou convencer pela sua politica.
Os seus lemas mais utilizados eram “Deus, Pátria, Família “ e “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”.
Salazar além de reorganizar as finanças investiu, como todos os ditadores, nos sectores da educação básica, da saúde e infra-estruturas (barragens, estradas, pontes), aspectos semelhantes aos regimes autoritários da mesma época: Mussolini na Itália, Franco na Espanha, Peron na Argentina, Hitler na Alemanha.
Durante a II Guerra Mundial o Estado Novo conseguiu manter Portugal neutro e por consequência manteve a balança comercial positiva.
O Estado Novo foi também um regime colonialista e por isso queria manter a todo o custo o seu Ultramar, considerado uma das fontes do prestígio nacional. Mas na década 1950-1960 apareceram novos problemas e o novo panorama internacional, com a condenação do colonialismo e a descolonização de muitas colónias, causou a Guerra do Ultramar (1961-1974).
Esta longa guerra arruinou economicamente o Portugal.
O País começou a sentir muitas dificuldades e instabilidade com a crescente acção dos opositores democráticos que se ia tornando mais forte; muitas pessoas queriam a liberdade e a fim da guerra do Ultramar
Esta situação veio a agravar-se na década de ’70, com a “renovação em continuidade” de Marcelo Caetano (o substituto de Salazar, que afirmava querer renovar o Regime), mas não teve sucesso e provocou um enfraquecimento ainda maior.
O Estado Novo é finalmente derrubado no dia 25 de Abril de 1974. O golpe, conhecido como Revolução dos Cravos, foi efectuado pelos militares do Movimento das Forças Armadas e contou com a colaboração da população.

Não falei dos horrores da Polícia politica porque, isto tema exigiria una lição separada.
Porém houve uma resistência organizada e também uma perseguição terrível e implacável pela Pide.
A mais brutal expressão da violência repressiva da ditadura foi a abertura do Campo de Concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago em Cabo Verde, inspirado nos campos de concentração nazis.
Muitas pessoas foram presas e torturadas: é sempre este o sistema das ditaduras para sobreviver.

"É O FIM DO ESTADO NOVO!" de Vilma Gidaro



“… Desabe, sim, quem nesta cadeira se sentou, ou já aproveitará de verdade das palavras, que afinal, nunca dizem o mesmo, por mais que se queira. Se o mesmo dissessem, se aos grupos se juntassem por homologia, então a vida poderia ser muito mais simples, por via de redução sucessiva, até é ainda, também, não simples, por onomatopeia, e por aí fora seguindo, provavelmente até ao silêncio, o que chamaríamos osmónimo geral ou omnivalente. Não é sequer onomatopeia, ou não é formável ela a partir deste som articulado (que não tem a voz humana, sons puros e portanto inarticulados, a não ser talvez no canto, e mesmo assim conviria ouvir de mais perto), formado na garganta do tombante ou cadente...”
José Saramago – Objecto Quase


É com esta frase que Saramago se refere à causa que deu início ao final do Salazarismo, mesmo quando não se via luz no País; nada que fizesse esperar sair do sofrimento devido à ditadura de Salazar. Foi então que o ditador teve um acidente e a situação mudou.
No início do mês de Setembro de 1968, na mesma altura em que, nas Universidades europeias, nasciam os movimentos estudantis que libertaram as ideias e as condições sociais de toda a gente, Salazar tentando sentar-se numa cadeira baixa, caiu batendo com a cabeça no chão.
Foi-lhe diagnosticada uma hemorragia cerebral que nunca lhe deu a possibilidade de retomar as funções de comando, depois de 40 anos de governo. O mais longo período em Portugal desde Dom João V (1706-1750).
Foi chamado a substituí-lo Marcelo Caetano, que tinha apoiado, desde 1930 o regime autoritário de Salazar.
Era um respeitado professor e historiador com uma afirmada carreira política dentro do regime. A sua nomeação foi recebida de maneiras diferentes e com fortes dúvidas: uns com esperança de mudar radicalmente de política, regressando a um regime de democracia, outros que viam em Caetano o símbolo de uma estrutura institucionalizada e consolidada. E ainda aqueles que temiam uma revolução da Esquerda ou da Extrema-Direita.
De facto, Caetano não prejudicou a estrutura e foi extremamente cauteloso, mantendo as coisas tais como estavam, com imperceptíveis modificações. Ele sabia que forças poderosas como a Polícia, o Exército, a alta burocracia e o grande capitalismo queriam estabilidade, para manter os seus interesses. Por outro lado, sendo um intelectual, compreendia, também, que não podia recusar uma abertura, ainda que mínima, aos diversos grupos de oposição.
A abertura chegou com a chamada de alguns exilados como Mário Soares, o Bispo do Porto - forçado a sair de Portugal em 1958 - e centenas de outras pessoas, incluindo comunistas. Reduziu os poderes à PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) e moderou a actividade da Censura. Assim, nas livrarias começaram a aparecer obras de carácter “subversivo”, nos teatros foram introduzidas peças de conteúdo social e nos lugares públicos começou-se a falar mais abertamente.
Era uma lua-de-mel de Caetano com a Nação...
Contudo, na sua essência o Estado Novo manteve-se como antes, confirmando os Ministros nomeados por Salazar, não permitindo outros partidos e associações, não concedendo qualquer amnistia. Manteve-se a política externa e não se modificou nada do sistema corporativo. Nada de essencial mudara, dois anos após a queda de Salazar.
Em 1969 houve eleições legislativas que constituíram um ponto de referência da política de Marcelo Caetano.
Pela primeira vez em 44 anos, a Oposição apresentou-se nas urnas em quase todos os distritos de Portugal e das Ilhas. Apesar disso os cadernos eleitorais não tinham sido alterados e entre os titulares milhares de pessoas não apareceram; deste modo a Oposição perdeu em todos os distritos e a Assembleia Nacional ficou composta por deputados de um só agrupamento político.
Não obstante, na Assembleia Nacional formou-se a chamada “Ala Liberal”, que constituía uma geração de políticos adeptos de uma forte liberalização do regime.
Estavam nesta facção personalidades como Francisco Sá Carneiro que construirá em 1974 o Partido Popular Democrata, Mota Amaral, futuro presidente do Governo Regional dos Açores (entre 1976 e 1995), Francisco Pinto Balsemão que após a morte de Sá Carneiro ocupou o cargo de Primeiro-Ministro do VIII Governo Constitucional (1981- 1983), entre muitos outros. Eles queriam pôr a nu as fragilidades do regime, influenciando-o nas decisões ou rompendo com a linha mais dura. A Ala liberal, manifestou tendências de oposição na sua mesma estrutura, erguendo de vez em quando a voz contra o imobilismo do regime.
Com o fim do período eleitoral a abertura aos grupos oposicionistas atingiu ao seu termo.
O ponto de máxima divergência, entre a política do governo de Caetano, a Ala Liberal e a oposição, era a Guerra em África, visto que o governo de Caetano não conseguia solucionar o conflito. Medidas de restrição levaram Mário Soares, na Primavera de 1970, a exilar-se de novo para não ser preso, sendo que outros oposicionistas foram perseguidos e presos.
O proletariado urbano, que fazia pressão neste conflito social, foi firmemente reprimido nas suas reivindicações clássicas (aumento de salários, diminuição das horas de trabalho) com a proibição do direito à greve, as perseguições policiais e as restrições associativas.
Nos anos seguintes a situação do País agravou-se:
Militarmente a situação no Ultramar era estacionária e o custo da guerra ia-se acentuando e agravava todos os aspectos da vida nacional. Aumentou a deserções e milhares de jovens fugiram, exilando-se, muitas vezes em más condições. O número de mortos e de feridos aumentava e o Estado Novo mostrava-se incapaz de renovar-se. A sua rigidez e o arcaísmo do grupo dirigente chefiado pelo Presidente da República, Américo Tomás, deixou Marcelo Caetano continuar a política repressiva de tradição Salazarista, naquela altura mais intensificada.
Economicamente, a crise mundial e às consequências da guerra de Ultramar faziam que o País sofresse cada vez mais. A resposta do governo de Caetano foi completamente inútil. A sua incapacidade de encontrar soluções foi enorme.
Os eventos entre 1973 e 1974 tornaram-se plenos de significado para futuro: O Governador de Guiné, general António Spínola, grande militar, manifestou ser contrário à manutenção da política existente contra a participação indígena e foi substituído. Também o general Costa Gomes teve a mesma sorte, depois da sua oposição à política portuguesa nas colónias.
Desenhou-se nesta ocasião um vasto movimento de conspiração geral ao regime!Os esforços dos “liberais” terão tido o efeito de desacreditar a ditadura Marcelista, mas após sucessivas desilusões os deputados da Ala Liberal foram abandonando a Assembleia. Sá Carneiro foi o primeiro em 1973 com a famosa expressão “É o fim!” Passaram a oposição e Balsemão fundou o jornal o Expresso em Janeiro de 1973.
O general Spínola em Fevereiro de 1974 conseguiu publicar o seu livro “Portugal e o Futuro” onde criticava a política interna e externa do Estado Novo e dava como solução da guerra, um federalismo para o Ultramar, invocava, também um golpe de estado contra a ditadura de Caetano.
Os acontecimentos, a partir de então, precipitaram-se. Em Março de 1974 os generais Spínola e Gomes eram demitidos das suas funções, e deram origem a uma primeira tentativa de golpe, que fracassou por falta de organização. Um mês depois, em 25 de Abril de 1974, um novo movimento militar, esta vez, com a participação activa dos Capitães e da maioria de unidades militares, fez um novo golpe desenvolvido com rapidez e precisão. Em pouco mais de doze horas Lisboa, o Porto e as principais cidades passaram nas mãos dos revoltosos, que sem derramamento de sangue, punham fim ao regime.
O governo rendeu-se. Caetano, o Presidente AméricoTomás e quase a totalidade dos ministros foram presos e deportados para a ilha da Madeira. Uma Junta de Salvação Nacional sub a presidência do general Spínola e o seu vice general Gomes tomou o governo da Nação.
O Estado Novo acabava, finalmente!

Prepara-se a viagem do Papa a Portugal: livro de Aura Miguel


PUBLICADO EM



Quem é Joseph Ratzinger, como chegou a Papa, ou quais são as suas principais preocupações como Chefe da Igreja Católica. Neste livro, a jornalista Aura Miguel dá ainda a conhecer um Papa diferente, que gosta de ler, escrever, ouvir música e debater assuntos teológicos com outros académicos. E que, segundo os seus amigos portugueses, tem sentido de humor, é afável e atencioso. O lançamento da obra da única jornalista portuguesa com acreditação permanente no Vaticano está marcado para o dia 29, às 18.30, na Feira do Livro de Lisboa, por Marcelo Rebelo de Sousa. No dia seguinte, o livro será apresentado no Porto pelo bispo D. Manuel Clemente. O DN publica, em primeira mão, alguns excertos.


A ELEIÇÃO

O voto n.º77


Quando Bento XVI foi eleito tinha 78 anos de idade. Por duas vezes tinha tentado reformar-se e voltar para a sua casa na Baviera, onde vive o irmão, mas João Paulo II nunca aceitou os seus pedidos. O sonho de Ratzinger era acabar os dias a estudar teologia e, nos intervalos, tocar piano. Afinal, nada correu como planeado.
O conclave que elegeu Joseph Ratzinger foi dos mais rápidos.(página 15)
A rapidez da escolha desmentiu os prognósticos de muitos sectores - incluindo meios eclesiásticos e comunicação social - de que havia uma forte resistência à eleição de Ratzinger. Aconteceu o contrário: os cardeais deram ao mundo um sinal de união ao elegerem tão depressa este Papa.
Sobre o que se passou dentro do conclave pouco se sabe, por causa do juramento que os cardeais são obrigados a fazer para manter segredo, sob pena de excomunhão. Mas alguns cardeais acabam sempre por revelar aspectos marginais à eleição.
Os lugares do conclave, na Capela Sistina, estavam distribuídos por duas filas de cada lado do altar, paralelas às paredes laterais. O primeiro lugar à esquerda, bem próximo do Juízo Final de Miguel Ângelo, era o do cardeal decano, Joseph Ratzinger. Segundo vozes «bem informadas», o número de votos alcançado por Ratzinger terá superado os de Karol Wojtyla (eleito com 99 votos no conclave de 1978). Mas, naquela tarde do dia 19 de Abril de 2005, Ratzinger só precisava de 77 votos para ser eleito. Por isso, enquanto se procedia à recontagem dos votos resultantes da quarta votação, os eleitores não esperaram que se chegasse ao fim, como testemunhou o cardeal espanhol Julián Herranz: «Quando chegámos ao voto 77, pusemo-nos de pé a aplaudir. Era uma forma de agradecer a Deus, de louvar o Espírito Santo que nos tinha levado à quantidade necessária, já na quarta votação. Nesse momento vi o cardeal Ratzinger como sempre o vi: um homem de uma grande paz e serenidade interior.»
Os cardeais permaneceram todos de pé, a aplaudir, excepto Ratzinger, como relatou o cardeal inglês Murphy O'Connor: «Estávamos de pé, mas ele continuava sentado, com a cabeça baixa. Estava a rezar.» Então, o cardeal Angelo Sodano, acompanhado pelo cardeal secretário do conclave e pelo cardeal camerlengo formularam-lhe a pergunta crucial: eminentíssimo senhor cardeal, aceita a eleição para Sumo Pontífice, canonicamente realizada?
«Ratzinger aceitou com um sim muito claro, forte e decidido. Nesse momento, sentia se na capela todo o peso que estava prestes a cair nos seus ombros. Foi um sim sem reservas, creio que estava feliz ao dá-lo, por aceitar este peso até à morte», contou o cardeal Christoph Schönborn, de Viena.(página 15)


PREOCUPAÇÕES

A ditadura do relativismo


No alvor deste pontificado terá estado a preocupação dos cardeais com o avanço do relativismo e a escolha de alguém que conhecesse a fundo estes problemas. Analistas consideram que, em 1978, com a eleição de Karol Wojtyla, «o Conclave reagiu às ditaduras comunistas com a mensagem de que não há dignidade do homem sem liberdade», enquanto que «o Conclave de 2005 emitiu sinais de alarme contra a ditadura do relativismo: não há liberdade sem verdade».
Com efeito, a última homilia de Ratzinger antes de ser eleito Papa é uma chave de leitura fundamental para perceber este pontificado. Foi ele que, na qualidade de decano do colégio cardinalício, antes de entrarem para o conclave que o viria a eleger, presidiu à missa Pro Eligendo Romano Pontifici. E ficaram famosas as palavras que proferiu, quer sobre aquilo a que chamou «ditadura do relativismo», quer ao denunciar o risco de permanecermos com uma fé infantil, «em estado de menoridade».
Citando a carta de São Paulo aos Efésios - «como crianças, levadas ao sabor de todos os ventos de doutrina, pela malignidade dos homens e astúcia com que induzem ao erro» [cf. Ef.4, 14] - disse, então, o futuro Papa: «Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decénios, quantas correntes ideológicas, quantas modas de pensar… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo para o outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao colectivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante.» E Ratzinger prosseguiu: «Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é, com frequência, rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar de um lado para o outro, ao sabor de todos os ventos de doutrina, surge como a única postura adequada aos tempos de hoje. Vai-se, assim, constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e os seus desejos.»
Nesta homilia, o cardeal Ratzinger acrescentou ainda que «adulta não é uma fé que segue as ondas da moda nem a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente radicada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo o que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade».
É interessante verificar como estas preocupações são agora uma constante nos ensinamentos de Bento XVI. Foi o que aconteceu, por exemplo, na homilia de encerramento do Ano Paulino: «Não podemos mais permanecer como meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina. [?] A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan conhecido. Ouvimo-lo com frequência como sinónimo de quem já não dá ouvidos à Igreja nem aos seus Pastores, mas decide escolher aquilo em que quer ou não acreditar; portanto, uma fé ad hoc. E esta "fé adulta" é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja. Ora, na realidade, para isto não é preciso ter coragem, porque se pode ter sempre a certeza de receber elogios públicos. Pelo contrário, coragem é aderir à fé da Igreja, apesar de ela contrariar o "esquema" do mundo contemporâneo. [?] Assim, faz parte da fé adulta, por exemplo, empenhar se pela inviolabilidade da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se de forma radical ao princípio da violência, precisamente também na defesa das criaturas humanas mais indefesas. Faz parte da fé adulta reconhecer o matrimónio entre um homem e uma mulher para toda a vida, como ordenamento do Criador, restabelecido novamente por Cristo. A fé adulta não se deixa arrastar para aqui e para ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo.»(página 23)


PATOLOGIAS DO VELHO CONTINENTE

O Ocidente ferido de morte


Quando Bento XVI visitou a Baviera, em Setembro de 2006, afirmou que o Ocidente está ferido de morte. Ou seja, «sofre de patologias mortais da religião e da razão», cujas consequências só podem ser desastrosas para a humanidade. E os sintomas destas «patologias» percebem-se pela maneira como os outros nos olham.(página 37)
Na mesma homilia, o Papa também refere o modo como os outros povos não cristãos nos olham: «As populações da África e da Ásia admiram as nossas realizações técnicas e a nossa ciência, mas ao mesmo tempo assustam-se perante um certo tipo de razão que exclui Deus da visão do homem. [?] Para eles, a verdadeira ameaça à sua identidade não está na fé cristã, mas no desprezo por Deus e no cinismo que considera um direito da liberdade ridicularizar o sagrado e que eleva a critério moral supremo o critério da utilidade.»(página 37)


SURPRESAS E PROVOCAÇÕES

O átrio dos gentios


O cardeal alemão Walter Kasper, «especialista» no diálogo ecuménico e inter-religioso (e que, no passado, teve algumas divergências teológicas com o então prefeito para a Doutrina da Fé), explicou, no final do conclave, por que os cardeais tinham escolhido Ratzinger: «Queríamos uma pessoa firme na fé, com uma densidade intelectual profunda e com capacidade para ir explicar a nossa fé a qualquer parte do mundo.»
São prova disso o interesse com que largos sectores intelectuais e académicos seguem este pontificado e as interpelações culturais que dele resultam, nomeadamente nos sucessivos encontros que Bento XVI mantém com o mundo da cultura.
Mas o coração do Papa alarga-se e bate também por aqueles que estão fora, ou têm dúvidas sobre Deus. E esta é uma novidade deste pontificado.
Bento XVI toma a sério a nostalgia de Deus, que se encontra no coração de muitos que andam nas margens ou fora da órbita da Igreja, e quer dar-lhes um espaço. Por isso, à semelhança do Templo de Jerusalém que tinha um «átrio dos gentios» para os que não entravam no interior do templo, assim também a Igreja deveria ter um lugar para os «gentios» de hoje.(página 45)
Bento XVI considera fundamental acolher as «pessoas que conhecem Deus, por assim dizer, só de longe; que estão insatisfeitas com os seus deuses, ritos e mitos; que desejam o Puro e o Grande, mesmo se Deus permanece para eles o Deus desconhecido [cf. Act 17, 23]. Também elas deviam poder rezar ao Deus desconhecido e assim estar em relação com o Deus verdadeiro, embora no meio de escuridão de vários géneros. Penso que a Igreja deveria também hoje abrir uma espécie de átrio dos gentios, onde os homens pudessem de qualquer modo agarrar-se a Deus, sem O conhecer e antes de terem encontrado o acesso ao seu mistério, a cujo serviço está a vida interna da Igreja».
Assim, para Ratzinger, já não basta o diálogo inter-religioso; é preciso ir ainda mais longe: «Ao diálogo com as religiões deve acrescentar-se hoje, sobretudo, o diálogo com aquelas pessoas para quem a religião é uma realidade estranha, para quem Deus é desconhecido, e contudo a sua vontade não é permanecer simplesmente sem Deus, mas aproximar-se d'Ele pelo menos como Desconhecido.»(página 45)

O PAPA E PORTUGAL

Avisos e conselhos


Todavia, ao longo deste pontificado, no que se refere a Portugal, Bento XVI não falou apenas de Fátima. Em Novembro de 2007 os bispos portugueses foram a Roma, no cumprimento da Visita ad Limina Apostolorum - uma visita que, habitualmente de cinco em cinco anos, os bispos têm de fazer ao Sucessor de Pedro, para «lhe prestarem contas» sobre o que se passa nas suas dioceses.(página 73)
Bento XVI disse aos bispos de Portugal que «é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde que fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos co-responsáveis pelo crescimento da Igreja».(página 74) Mas as advertências do Papa a Portugal não ficam por aqui. No discurso que proferiu aos bispos, em Novembro de 2007, Bento XVI mostra-se preocupado com o aumento dos não praticantes, sinal de que muitos cristãos portugueses não sabem dar as razões da sua fé: «À vista da maré crescente de cristãos não praticantes nas vossas dioceses, talvez valha a pena verificardes "a eficácia dos percursos de iniciação actuais, para que o cristão seja ajudado, pela acção educativa das nossas comunidades, a maturar cada vez mais até chegar a assumir na sua vida uma orientação autenticamente eucarística, de tal modo que seja capaz de dar razão da própria esperança de maneira adequada ao nosso tempo". [Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum Caritatis, 18].»(página 75)


RATZINGER EM PESSOA

Em regime de mosteiro


Bento XVI vive quase em regime de mosteiro. Ao contrário do Papa polaco, que gostava de receber amigos em casa (que depois, quando saíam, contavam imensas coisas…), Ratzinger é discretíssimo e pouco ou nada se sabe dele.
É conhecida a sua extraordinária pontualidade. Nos tempos em que era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, saía do seu apartamento situado na Praça Città Leonina - junto à porta Sant'Ana - e atravessava a pé a Praça de São Pedro até chegar ao seu gabinete, no antigo Palácio do Santo Ofício. Os vendedores e empregados dos quiosques da zona podiam acertar os seus relógios: o cardeal passava sempre à mesma hora; nunca falhava.(página 85)

Simplicidade


Quanto às outras facetas de Ratzinger, os seus amigos dizem que «é muito raro perder a paciência»; que é um homem muito simples, modesto, de grande paz e serenidade interior; e que, há uns anos atrás, se ofereceu para doar os seus órgãos para transplante.
É interessante o modo como Ratzinger se define a si próprio: «Sou um cristão normal. Mas, num sentido mais lato, a fé ilumina. Ligada ao pensamento, julga-se que - para citar Heidegger - se entrevê a clareira a partir das diversas encruzilhadas da vida.»(página 87)


mercoledì 21 aprile 2010

“Maîtrise” di Nîmes em Santo António dos Portugueses: opinião de Francesco D'Atri


Mensagem do nosso antigo aluno e amigo Francesco D'Atri, que estava entre o numeroso público que encheu, domingo passado, a igreja de Santo António dos Portugueses, para ouvir o Coro de Nîmes.

Um abraço e o nosso obrigado pela mensagem, que aqui publicamos.



Domenica scorsa ho ascoltato il bel concerto in S. Antonio dei Portoghesi.
Volevo ringraziare per il bel regalo che ancora una volta l’Istituto ha voluto fare al pubblico romano.

Ho trovato il concerto di alta qualità. Bellissimo e raffinatissimo il repertorio di musiche francesi e molto interessante l’impasto delle voci.

Complimenti anche al pianista che ha mostrato una grande sensibilità espressa con un suono molto delicato e un fraseggio equilibratissimo.
Soprattutto il primo brano il “Cantique de Jean Racine” mi ha molto colpito e sinceramente commosso. Il Requiem di Faurè è uno dei brani che amo di più in assoluto, così intimo e struggente.
E’ raro ascoltare un programma così raffinato.


Grazie, grazie ancora e un caro saluto a tutti gli amici dell’Istituto.


FRANCESCO D'ATRI



VIDE



La Maîtrise de Nîmes, créée en 1990, forme au chant choral une soixantaine d'enfants, garçons et filles, scolarisés à l'Institut Emmanuel d'Alzon, depuis la classe de CE2 jusqu'à la terminale. Ces élèves, selon leur niveau, suivent entre trois et quatre heures de cours de chant par semaine, plus des stages environ un week-end tous les deux mois.Le travail musical est effectué par des professionnels de la musique. Le directeur artistique et Chef de Chœur de la Maîtrise depuis 1998, Vincent Recolin, est le principal intervenant ; c'est lui qui a en charge tout le travail de la Maîtrise et la direction des concerts. Il est assisté par un professeur de chant, Carlos Belbey, qui intervient ponctuellement à la Maîtrise pour un travail individuel de la voix et des techniques vocales. Lors des stages de week-end, il est également assisté par Isabelle Tourtet et Pascal Stutzmann.Le chœur d'enfants est rattaché à l'Institut Emmanuel d'Alzon où ont lieu tous les cours, la plus grande partie étant dispensée pendant le temps scolaire, dans le cadre d'horaires aménagés. Toute la partie musicale est administrée par la Maîtrise, gérée par l'Association Musique et Jeunesse à Nîmes, en partenariat avec l'Etablissement scolaire.La Maîtrise est en contact régulier avec le Conservatoire de Nîmes ; des programmes en commun sont élaborés, soit avec des classes d'instrument, soit avec des professeurs du Conservatoire. La Maîtrise se produit régulièrement en concert, outre quelques participations à des cérémonies de mariage, congrès…, généralement avec un chœur d'hommes pour toutes les œuvres polyphoniques. Lors des concerts, la Maîtrise est le plus souvent accompagnée par des formations instrumentales, ce qui lui donne l'occasion de rencontrer et de travailler avec des musiciens professionnels ; ceci est toujours intéressant et enrichissant et contribue à l'enthousiasme des maîtrisiens ; des liens amicaux sont ainsi tissés et pérennisent les contacts.La formation chorale de haut niveau que reçoivent les enfants leur permet de se produire en public, ce qui les valorise, justifie une discipline régulière, leur donne le sens des responsabilités et du respect des autres.L'écoute et la pratique des langues à travers le répertoire interprété en anglais, allemand, latin, espagnol, italien… préparent les élèves à l'apprentissage des langues étrangères. Très jeunes, les enfants ont accès à des œuvres classiques ou contemporaines, et acquièrent ainsi une culture musicale étendue.Les petits chanteurs contribuent au maintien de valeurs essentielles dans la société : esprit d'équipe, imagination, performance, respect des autres et volonté de faire progresser le monde qui nous entoure.

Portugalliae, que olim Lusitania: assinala Stefano Valente


O nosso aluno Stefano Valente enviou-nos este link:
http://www.wdl.org/en/item/470/?ql=eng&s=maps&view_type=gallery




Fernando Alvares Seco (fl. 1561-85) was a Portuguese mathematician and cartographer who made the first known map of Portugal. It was engraved by Sebastiano del Re and published in Rome in 1561. Abraham Ortelius (1527-98) later reprinted the map in his Theatrum Orbis Terrarum (Theater of the world), which was first published in May 1570. Ortelius was a cartographer and map publisher from Antwerp. From 1564 to 1570, he made maps of his own, but in 1570 turned to publishing the Theatrum. Known as the world’s first atlas, this work included maps by many well-known cartographers. It was issued in numerous editions between 1570 and 1612, in Latin, Dutch, German, French, Spanish, English, and Italian. This map is possibly from the Latin edition of 1579. It is oriented with north on the right, placing the Algarve, at the southwestern corner of the Iberian Peninsula, in the upper left of the map.



Seco, Fernando Alvares
Ortelius, Abraham (1527-1598)
1560
Portugalliae, que olim Lusitania, nouissima & exactissima descriptio / auctore, Vernando Alvaro Secco

lunedì 19 aprile 2010

Gangemi edita "Scultura barocca italiana in Portogallo" de Teresa Leonor M. Vale


IN


Come già nel 1504 scriveva Pomponio Gaurico nel suo trattato, creando opere di scultura l'uomo non avrebbe potuto concepire niente di più potente per superare la sua condizione di mortale, né di più propizio all'invidia degli dei. Difatti, le opere di scultura sopravvivono nel tempo, al di là degli artisti che le hanno realizzate, al di là delle personalità che rappresentano. La resistenza della scultura marmorea alle tante forme di erosione che il tempo porta con sé è difatti notevole; sono però numerose le sculture che non sono sopravvissute e delle qualle abbiamo soltanto notizie. Così, quando ci dedichiamo al tema della scultura barocca italiana in Portogallo, dobbiamo parlare di sopravvivenze, anche se, per ricostruirne correttamente il contesto, è necessario anche far menzione (più o meno accurata) delle opere distrutte o smarrite. Non è scopo di questo libro compiere un approccio dettagliato e complessivo alla tematica della scultura barocca italiana in Portogallo; come si vedrà, questa ricerca ha come primo obiettivo richiamare l'attenzione sulla scultura in generale e in particolare sulla scultura barocca italiana che non si presenta agli occhi dell'osservatore di oggi come una realtà distante ed inaccessibile, perché, assieme ad una raffinata cultura, carattere fondamentale del barocco è la viva espressione di emozioni e sentimenti, che ancora oggi coinvolge l'osservatore, con una suggestione emotiva che neppure il tempo è riuscito ad annullare.


Teresa Leonor M. Vale (1967) laureata in Storia e Storia dell'Arte (1989) presso la Facoltà di Lettere dell'Università di Lisbona e dottore in Storia dell'Arte presso la Facoltà di Lettere dell'Università di Porto (1994) con una tesi dedicata all'importazione di scultura barocca italiana in Portogallo nell'ambito dei rapporti artistici e culturali tra i due paesi nel seicento. Ha anche compiuto studi specialistici in Museologia e Conservazione delle Opere d'Arte e ha collaborato per anni con la Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais del Portogallo. Docente di Storia dell'Arte presso la Scuola Superiore di Arte Decorative della Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva e presso l'Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias di Lisbona, si è dedicata negli anni più recenti sopratutto alla ricerca, con un progetto dedicato all'argenteria barocca italiana e al ruolo degli scultori nell'ambito di questa produzione. É autrice di diversi articoli e libri tra i quali i più recenti sono A Escultura Italiana de Mafra (2002), Escultura Italiana em Portugal no Século XVII (2004), Escultura Barroca Italiana em Portugal. Obras dos Séculos XVII e XVIII em Colecções Públicas e Particulares (2005), Diário de um Embaixador Português em Roma (1676-1678) (2006), Um Português em Roma, Um Italiano em Lisboa. Os Escultores Setecentistas José de Almeida e João António Bellini (2008).

Alessandro Cannarsa: Mais umas ideias sobre “parabolizar vs. efabular“


Mais umas ideias sobre “parabolizar vs. efabular“...

1) a imensa cultura jurídica latina, com a sua atenção à nitidez linguística, à “denotação”, foi herdada pelo Império de Oriente com Justiniano e pela Igreja Católica para a construção do seu edifício dogmático; é possível que, na área dominada por o mundo árabe, com a sua magmática realidade política, a ligação ao mito e à lenda do seu povo, o interesse pela filosofia grega (sobretudo o “fabulador” Platão) dos seus intelectuais, tenha desenvolvido maioritariamente a “conotação” semântica (oxalá…);


2) se assim é, é possível que nesta área ocidental e marginal da România se tenha criado uma relação entre “diegese” e “discurso” da narração (o que em italiano se chama de “fabula” e “intreccio”) um pouco diferente e original;


3) em todos os casos estou de acordo com o Stefano**: o jeito “periférico” de ver a realidade tem a ver com uma compreensão “outra” do que está próximo e do que está longe (não é por acaso que o mesmo Pessoa disse: “A minha pátria é a língua portuguesa”).

**
http://viadeiportoghesi.blogspot.com/2010/04/falando-fabulando-de-stefano-valente.html


ALESSANDRO CANNARSA

Valeria Di Marco: notícias do Estado de São Paulo


A nossa aluna Valeria Di Marco, que frequenta neste semestre a Faculdade de Letras da UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA "JÚLIO DE MESQUITA FILHO" na cidade de Assis (Estado de São Paulo, Brasil), envia-nos algumas notícias da sua experiência sul-americana.

Um grande abraço para a Valeria e para a Giulia Proietti Marcellini, que também partiu este semestre para Assis, e desejos de que a experiência continue a ser muito feliz.



Hoje eu e a Giulia estávamos cantando "Maria Albertina"... ah, que saudade!
Agora falo BRASILEIRO!! SEMPRE falo "a gente"! oh nossa... vão me matar quando voltar pra roma?
Estou gostando disto aqui. Estava pensnado em voltar para aqui para fazer o doutoraento... Mas ainda não sei. Se ganhar uma bolsa de estudo... porque não?
Adoro o Brasil.Gostava de voltar para o Rio de Janeiro mas por agora é impossível.
Na sexta vou conhecer o meu parceiro de teletandem. Vou para São José do Rio Preto (a sua cidade) e vou ficar aí até domingo, depois volto para aqui e na terça vou partir novamente (na segunda tenho as aulas do projecto que não posso faltar) até quinta, porque quarta feira é festa nacional...
Valeria Di Marco



venerdì 16 aprile 2010

Amanhã às 19h00: pianista Filipe Pinto-Ribeiro toca em S. António dos Portugueses


ISTITUTO PORTOGHESE DI SANT'ANTONIO IN ROMA


Sabato 17 Aprile 2010, Ore 19:00

Via dei Portoghesi, 2I-00186 Roma


Pianista: Filipe Pinto-Ribeiro (Portogallo)


Patrocinio:INSTITUTO CAMÕES


ANIMA RUSSA


Programma:
Borodin“No Convento”
Balakirev “Berceuse”
CuiPrelúdio Op. 64 N. 8
Rimsky-Korsakov“Pesenka”
Mussorgsky“Quadros de uma Exposição”




Filipe Pinto-Ribeiro, PianistaFilipe Pinto-Ribeiro è nato a Porto nel 1975. Ha studiato al Conservatorio Tchaikovsky di Mosca allievo della famosa Professoressa e pianista Liudmila Roschina, conseguendo con il massimo dei voti il Dottorato in Performance Musicale – Piano. Ha inciso diversi C.D.’s che hanno ottenuto un grandissimo successo da parte del pubblico e della critica musicale. Svolge un’intensa attività concertistica, abbracciando un vasto repertorio che va dal Barocco ai nostri giorni. In alcuni concerti è stato accompagnato da musicisti di valore come José Van Dam, Gérard Caussé, Pascal Moraguès, Tatiana Samouil, Pavel Gomziakov, Philippe Graffin o Christian Poltéra. È direttore artistico dello Schostakovich-Ensemble, Ensemble stabile al Centro Culturale di Belém. Suona frequentemente come solista accompagnato da diverse orchestre e maestri, tra cui ricordiamo l’Orchestra Filarmonica della Slovacchia, l’Orchestra Filarmonica dell’Armenia, l’Orchestra Nazionale di Porto, l’Orchestra Metropolitana di Lisbona, l’Orchestra da Camera del Cremlino, sotto la direzione, tra gli altri, dei Maestri John Nelson, Charles Olivieri-Munroe, Misha Rachlevsky, Roman Brogli-Sacher, Luis Izquierdo e Marc Tardue. Dirige frequentemente Master-Classes ed è Professore di Pianoforte alla “Escola das Artes” dell’Università Cattolica Portoghese, a Porto.

Falando, fabulando - de Stefano Valente


Mais um belíssimo texto do nosso aluno Stefano Valente. Obrigado, Stefano!



Falando, fabulando

Da inteira România – o território que corresponde às línguas directamente descendentes do latim –, apenas na Península Ibérica se manteve o verbo fabulare (de fabula: ‘discurso, conversa, fala, conto mito, lenda, fábula’). De facto, só nas áreas do castelhano e do galego-português, para exprimir e significar o sentido do acto de falar, se desenvolveu esse termo latino (port. Falar, cast. hablar), enquanto que no resto dos idiomas neolatinos prevaleceu o verbo tardio parabolare (de parabola – veja-se o francês parler, o catalão parlar, o italiano parlare, etc.).
Poderia aparecer-nos um fenómeno casual, uma simples coincidência nas histórias linguísticas do panorama românico ou neolatino. Contudo, não é possível não reflectirmos e não interrogarmos: porque é que apenas nos extremos ocidentais do que foi o Império Romano perdurou – e até venceu – a dimensão do conto, da fabulação (isto é: da invenção) mais do que da palavra estabelecida, fixada pelos pensamento e pela doutrina, antes de mais religiosos?; será que, afinal, na Ibéria e na Lusitânia, a imaginação derrotou o ensino oficial, as fórmulas institucionalizadas, o mesmo Credo?
Trata-se de uma hipótese, certamente. Porém tudo acaba para se reincorporar, uma vez ainda, no jeito “periférico” de ver a realidade – e de se apresentar ao mundo – que bem caracteriza o ser e o pensar ibérico e nomeadamente lusófono.
Essa compreensão diferente, “outra”, do que está próximo – um próximo que, de facto, se torna sempre um “longínquo”, um “alheio” – não é talvez a mesma que levará a pequena faixa de terra posta no extremo Oeste da Europa a reinventar-se na Ásia, na África, nas Novas Índias? Não é, essa eterna tentativa de olhar além – e de existir além – a mesma necessidade pela qual Fernando Pessoa resolver-se-á sempre a ser outro/s? A mesma que leva o heterónimo engenheiro naval Álvaro de Campos a escrever na Ode Marítima?:

...
O Cais Absoluto por cujo modelo inconscientemente imitado
Insensivelmente evocado,
Nós os homens construímos
Os nossos cais de pedra actual sobre água verdadeira,
Que depois de construídos se anunciam de repente
Coisas-Reais, Espíritos-Coisas, Entidades em Pedra-Almas,
A certos momentos nossos de sentimento-raiz
Quando no mundo-exterior como que se abre uma porta
E, sem que nada se altere,
Tudo se revela diverso.
Ah o Grande Cais donde partimos em Navios-Nações!
O Grande Cais Anterior, eterno e divino!
...

Hipóteses. Perguntas. Fascinações. A Península Ibérica de fabulare – e, sobretudo, este Portugal que fa(bu)la, que nunca se cansa de contar o longe, o diferente – ensina-nos a riqueza preciosa, única da marginalidade.
Portugal.
Terra (ou talvez lenda) jamais desembarcada.
Nação-caravela.
E então, por último, o pensamento vai para a A Jangada de Pedra (1986), o romance em que José Saramago imagina que a península de Espanha e Portugal se destaque do resto da Europa, e comece a navegar pelos oceanos...



STEFANO VALENTE