lunedì 31 maggio 2010

2 giugno: libri José Eduardo Agualusa a Perugia

Presentazione di

J. E. Agualusa, Un estraneo a Goa

J. E. Agualusa, Borges all'inferno e altri racconti

a Perugia, giardino estivo di Rosso Vino, Corso Garibaldi, 21

Mercoledì 2 Giugno, 19h00

Vi aspettiamo!

Marco Bucaioni
Edizioni dell'Urogallo
Corso Cavour, 39
I-06121 Perugia
+39 075 5720560
+39 392 7129345

Manuel Casimiro em Bassano Romano: One Minute Tree







Bassano Romano (VT) - dal 30 maggio al 5 giugno 2010

One Minute Tree


Il GIARDINO DI PIANAMOLA - NATURE AND ART PROJECTS





"Quem tem arte contemporânea também vai a Roma" por Ségrio C. Andrade


Quem tem arte contemporânea também vai a Roma

Por Sérgio C. Andrade, em Roma


IN



Albuquerque Mendes e João Louro inauguraram novas exposições neste fim-de-semana marcado pela atenção à arte contemporânea na capital italiana. Mendes faz o “makinf of” da Criação do Mundo num templo barroco; Louro projecta em espelhos negros a dimensão mais obscura da condição humana.


Quem tem arte, vai a Roma. Parafraseando o ditado que identifica a capital italiana como o centro do mundo cristão, os artistas contemporâneos portugueses estão a apostar cada vez mais em explorar as novas possibilidades de afirmação do seu trabalho na Cidade Eterna.

Albuquerque Mendes (n. Trancoso, 1953) e João Louro (n. Lisboa, 1963) são os portugueses de quem se fala, por estes dias, nos meios artísticos romanos, que vive a rara circunstância da concentração de três grandes acontecimentos de enorme projecção mediática – as inaugurações do novo Museo Nazionale delle Arti del XXI Secolo (Maxxi), de Zaha Hadid, e da ampliação do Museu de Arte Contemporânea de Roma (Macro), bem como a realização da Feira Internacional de Arte Contemporânea, que termina domingo.

“Acabamos todos por ganhar um protagonismo e por aproveitar da dinâmica provocada por todas estas operações”, disse anteontem (quinta-feira) ao PÚBLICO João Louro, que teve direito a uma sala própria no edifício mais antigo do Macro, cuja nova ala foi projectada pela arquitecta francesa Odile Decq.Espaço mais reservado mas território familiar ao artista é o que serve de cenário à instalação de Albuquerque Mendes, inaugurada ao final da tarde de ontem (sexta-feira) na Igreja de Santo António dos Portugueses, bem no centro da cidade.“Making of/ A Criação” é o título da intervenção do arquitecto beirão neste belíssimo e profusamente decorado templo barroco do século XVI. Entra-se e, num discreto “retábulo” à esquerda, sete caixões-confessionários em pinho tosco convidam o visitante a abrir a porta e entrar (uma pessoa de cada vez). Lá dentro, em seis deles, uma pequena lanterna ajuda a decifrar uma tela pequena e redonda simbolizando os dias da criação do mundo, sempre com a natureza em fundo. O sétimo caixote – que, curiosamente, está no centro dos outros e não no fim: “é a minha forma de respeitar a lógica barroca da simetria”, justifica o artista – tem apenas um ponto de luz. Para que o visitante descanse e pense, como deus fez, segundo o Livro do Genesis.

O que é que levou Albuquerque Mendes a aceitar o desafio de expor num lugar, e numa cidade, tão pesados de iconografia e significado sobre o tema? Uma certa ousadia? O artista ri-se e diz não ter pensado nisso. “Quando me convidam para fazer uma coisa, faço, sem teorizar muito sobre o processo. Sou sempre muito intuitivo no modo como abordo o trabalho. Depois vou em frente e logo vejo”.

Monsenhor Agostinho Borges, responsável pela igreja e pelo Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), gostou de ver este diálogo de “um homem de fé, como o é Albuquerque Mendes, com a poesia do Livro do Genesis”. “Indo ao tema da Criação, o artista vai de encontro à natureza modulada por deus, que é tema inspirador” de muita criação artística, acrescenta.

Albuquerque Mendes mostrava-se agradado com a primeira recepção à sua obra, no final da inauguração. Notou que “as pessoas entenderam” que não teria outra forma de “desafiar” a profusão da decoração barroca do templo português em Roma.

No mesmo dia de abertura de “A Criação”, na galeria do IPSAR, junto à igreja, encerrava uma exposição de arte minimal sobre o universo de Fernando Pessoa com obras de Andrea Nicodemo e curadoria de Gianluca Brogna, um estudioso da arte portuguesa contemporânea.


De Sade a James Elroy


Outros temas e outros desafios enfrenta João Louro na sua exposição no Macro, onde, a convite do director do renovado museu, Luca Massimo Barbero, encena “My Dark Places”, um novo capítulo do seu projecto “Blind Images”. Aí põe frente a frente, num declarado jogo de espelhos legendados, o tema do sexo e da morte com recurso à morbidez e à escatologia da escrita de dois nomes da história da literatura: o Marquês de Sade e o escritor contemporâneo norte-americano James Elroy. Ao fundo da sala, uma grande tela amarela está rodeada por quatro outros quadros monocromáticos, sob o título “Clockwise from above”.

Esta foi também uma exposição especificamente concebida para a sala do Macro, e João Louro sabe que ela não é uma proposta fácil. “Apesar de permanecer fiel ao meu fervor pela literatura, abordo um tema duro e tenso”, diz o artista, referindo-se aos universos e aos “fantasmas” dos referidos escritores, que ele resolveu associar sem nenhuma outra razão que não a de procurar “combinações novas” neste mundo “tão sobrecarregado de clichés”. No texto de apresentação da exposição, João Louro é identificado como um artista que traz “uma nova luz” e que é representativo da actual “cena artística conceptual portuguesa”.

Julião Sarmento, que se deslocou a Roma para acompanhar esta maratona de “arte contemporânea”, elogiou a exposição de Louro, de quem se assume “grande admirador”, e atribuiu um especial significado à circunstância de na sala ao lado estar uma instalação do consagrado artista italiano Gilberto Zorio (com o título “X Y Zorio”), um nome da Arte Povera. “Foi uma junção feliz”, diz Sarmento.

Visitante também rendida à sala de Louro foi a curadora italiana Simona Cresci, que trabalha normalmente com arte portuguesa – nomes como Vasco Araújo, Rui Chafes, Raquel Gomes e Rodrigo Oliveira –, e que vê na obra do artista de Lisboa “uma poesia muito bela, mesmo se dura e difícil”.

A presença de João Louro no Macro é, num certo sentido, anunciada por uma instalação que o artista fez no jardim da Embaixada Portuguesa, a algumas centenas de metros do Macro, e que numa rede de sinais de trânsito (mais um trabalho da sua série “Dead End”) convida o passeante a fazer um percurso de “sentido obrigatório” entre a poesia de Mário de Sá-Carneiro e a exposição do museu.


Criar uma imagem para Portugal


O Embaixador de Portugal em Roma, Fernando Neves, vê aqui um “sinal” da nova estratégia que a sua chancelaria está a promover para criar uma imagem do nosso país em Itália. “Portugal tem um problema de visibilidade a nível internacional: tem uma imagem pouco assertiva. A questão não é sequer saber se ela é boa ou má; é ela não existir”, diz o diplomata. E acrescenta ser sua convicção que “os produtos de qualidade”, sejam as artes plásticas, a arquitectura, a literatura, a música ou o cinema, como artigos de outros géneros, “são a melhor forma de chegar e mostrar a cultura portuguesa em Itália”. Daí a aposta da Embaixada no programa artístico e cultural que vem desenvolvendo. “Tive a sorte de ter um conselheiro cultural [Paulo Cunha e Silva], que, sendo médico, é um perito em actividades culturais”, acrescenta Fernando Neves. E associa este trabalho ao que a Embaixada vem fazendo também junto das universidades com cátedras dedicadas a escritores portugueses por toda a Itália, país que possui “uma das maiores redes de ensino do português no mundo”, nota. Só em Roma, por exemplo, há cátedras dedicadas ao padre António Vieira, a Agustina Bessa-Luís e a José Saramago, mas no conjunto haverá cerca de três dezenas, frequentadas por entre 150 a 200 alunos.

“Já visitei onze delas, e tenho encontrado um enorme entusiasmo relativamente à língua portuguesa”, diz o embaixador. E acrescenta que lembra sempre aos estudantes que o português “não é apenas a língua de um país da Europa, mas uma língua universal, que dá acesso ao Brasil e a África”, consciente de que esta razão é também uma das motivações que podem levar os jovens italianos a interessarem-se pela nossa língua.

Uma aluna conta a experiência do DUPLE - exame de língua portuguesa

Estou cansada e um bocado preocupada porque o exame foi muito cansativo e difícil.
A do DUPLE foi uma experiência mística... seis horas consecutivas de exame sem comer.
Muitas provas: Compreensão estrutural do texto - acredito tê-la feito de maneira suficiente numa hora e 15' de tempo.
Duas composições (250-280): uma era uma carta formal para participar num concurso e ganhar uma viagem grátis de um ano à volta do mundo fazendo algumas actividades de tipo apoio humanitário, trabalho etc. Escrevi praticamente um currículo de habilitações pessoais e de trabalho e as minhas expectativas sobre as actividades do concurso. A segunda composição era à escolha e eu escolhi "perda da identidade nacional e globalização". Acho que foram ambas composições suficientes sobretudo porque o tempo era de 1 hora e 45 minutos em tudo.
Depois começaram uma sequência de exercícios gramaticais: 60 perguntas agrupadas por tipologia, uma das quais penso ter errado.
Era um texto de 10 linhas, uma linha depois da outra com uma palavra que não estava certa no contexto, mas que não era errada e que se devia assinalar; mas não estou certa de ter compreendido e acho que me confundi.
As outras perguntas eram de nível possível e acredito que as fiz mais ou menos correctamente.
A prova de compreensão oral foi bastante difícil porque o texto era verdadeiramente complexo, ainda que fosse pronunciado claro e não muito rapidamente. Pode ser que tenha acertado numa boa parte das 20 perguntas sobre os três textos.
O momento melhor do exame foi a conversa. Fiz o exame com uma moça que frequenta a Universidade da Tuscia com a professora Cândida, e fizemos uma conversa sobre as motivações de estudarmos portugês e foi muito agradável. A professora disse-nos que tinha sido uma boa conversa.
Cheguei às sete horas e meia de Viterbo e agora vou concluir o dia.
A Via dei Portoghesi agradece o relato e deseja a melhor sorte do mundo para esta nossa cara aluna!

venerdì 28 maggio 2010

Fim-de-semana português em Roma


Agenda romana repleta de eventos portugueses:


Sexta, 28 de Maio, 18:00

Igreja Santo António dos Portugueses

Inauguração da instalação de Albuquerque Mendes

"Making of / La Creazione"


Sábado, 29 de Maio, 21:oo

Instituto Português de Santo António

Noite de Fado

Vânia Duarte, voz

Paulo Valentim, guitarra portuguesa

Bruno Costa, viola


Domingo, 30 de Maio, 18:30

Igreja de Santo António dos Portugueses

Concerto de órgão e piano

Ansgar Wallenhorst (Ratingen, Germania) e Giampaolo Di Rosa

(C. Franck, J.. S. Bach, G. Di Rosa, Improvisações)


"Pequeno Portugal, levedura do mundo…" por Alessandro Cannarsa


Maravilhosa pesquisa e excelente texto do nosso aluno Alessandro Cannarsa, que muito agradecemos e aqui publicamos.





Uma potência linguística

Não deixa de surpreender, esse pequeno Portugal, cada vez que se considera o papel que lhe coube desempenhar no desenvolvimento do mundo moderno.
Há claros rastos desta incrível aventura na difusão da sua maravilhosa língua: com mais de 260 milhões de falantes, o português é a quinta língua mais falada no mundo, a terceira se considerarmos as que usam o alfabeto latino, e a mais falada no hemisfério sul!
É a linguag oficial em sete países, ainda que se fale português também em muitos outros, mas o simples catálogo dos lugares nos quais se fala português não basta para se dar conta da riqueza e da variedade linguística do mundo lusófono, porque esta língua oferece também uma enorme variedade de dialectos e variantes crioulas.
E tudo isso em confronto com uma notável coerência interna: em Portugal há diferentes dialectos (açoriano, alentejano, etc.), mas de facto é o único país europeu em que se fale só uma língua (só ao dialecto de Miranda do Douro foi recentemente reconhecida a condição de segunda língua oficial), quando, pelo contrário há por exemplo áreas de Espanha em que se fala quase português (O Galego-português na Galizia e a Fala do vale de Jálama em Extremadura).

Uma língua moldável

No princípio, a palavra portuguesa “crioulo” (inglês “creole”, italiano “creolo”), que deriva do verbo “criar”, foi usada para distinguir os membros de um grupo étnico que tivessem nascido e vivido nas colónias daqueles que eram originários da mãe-pátria.
Em seguida a palavra perdeu o significado original e converteu-se no nome de diferentes comunidades específicas e das suas línguas, que frequentemente eram incríveis mesclas de termos e expressões portuguesas e locais.

A lista (incompleta) desses idiomas é espantosa:

Angolar, Forro e Principense em São Tomé e Príncipe;
Annobonese e Kriol na Guiné-Bissau;
Daman, Vaipim, Kristi, Diu e Sri Lanka Indo-Português em Índia;
Macaese em Macau e Hong Kong;
Kristang na Malaysia;
Saramaccan em Suriname;
Papiamento nas Antilhas e Aruba;
Cupópia no Brasil;
Pequeno Português em Angola;
Crioulo de Cabo Verde.

Não se trata de portanto de línguas oficiais, mas de linguagens essenciais, que se formaram de modo natural na prática diária da comunicação, como por exemplo o “Portunhol Riverense”, uma mescla de português e de espanhol que se fala no Uruguay, ou o”Simples português”, uma “língua franca” com que diferentes tribos da Angola comunicam entre si.

Pidgins

Com a expressão latina “língua franca”, ou com o termo inglês “pidgin”, ou com o termo português “crioulo”, indica-se portanto uma língua nascida da interacção de povos diferentes sem uma elaboração oficial, consciente, científica.
Obviamente existe uma grande variedade de crioulos, que envolvem todas as línguas europeias, ainda mais dos países que tinham enfrentado a empresa ultramarina, e todos os países da África, América, Ásia, Oceânia.
Em todo o caso, existe uma notável coerência estrutural entre os diversos crioulos:

1) um vocabulário limitado e essencial;
2) eliminação da flexão dos nomes;
3) pronomes pessoais com aspecto invariante;
4) verbo bem definidos do ponto de vista semântico, mas sem conotação temporal;
5) perda de algumas preposição;
6) perda dos graus intermédios (“bom” ou “não bom“) ;
7) preferência da expressão paratáctica;
8) uso da repetição expressiva.

E é a própria semelhança entre línguas assim diferentes e que se formaram em lugares tão distantes que inspirou uma ideia, a ”teoria monogenética sobre a origem dos crioulos”, que envolve, por acaso, o Português.

O “Sabir” e a teoria


A primeira “língua franca” na idade media foi o “Sabir”, (do português “saber”), que se desenvolveu no Mediterrâneo a partir do tempo da primeira cruzada até o século XIX (!).
Nasceu como língua de troca e comércio, mas também de diplomacia, e continha termos genoveses, venezianos, catalães, castelhanos, portugueses, árabes, turcos, gregos e outros.
Na costa “Barbárica”, depois da aventura de Ceuta, foram os Portugueses que re-lexificaram a língua, e depois a exportaram pela costa da África como “língua de preto”, no século XV.
O tráfico dos escravos e a exploração da América e da Ásia levou essa língua a todo o mundo, ao ponto que quando as naus inglesas, holandesas e francesas começaram a competir com os portuguesas, as equipagens tentavam falar esse “português quebrado”, mantendo pois as estruturas fundamentais.

Portanto a influência da cultura lusófona vai além das áreas onde ainda hoje se fala português, envolvendo pelo contrario regiões muito distantes.

Pequeno Portugal, levedura do mundo…

Excerto de Gil Vicente, «O clérigo de Beyra» (1530):

Ja a mi forro, nama sa cativo.
Boso conhece Maracote?
Corregidor Tibão he.
Elle comprai mi primeiro;
quando ja paga a rinheiro,
deita a mi fero na pé.
He masa tredora aquelle,
aramá que te ero Maracote ...
Qu'he quesso que te furtai?...
Jeju, Jeju, Deoso consabrado!
Aramá tanta ladrão!
Jeju! Jeju! hum caralasão;
Furunando sá sapantaro.





ALESSANDRO CANNARSA

mercoledì 26 maggio 2010

"Bento XVI valorizou língua portuguesa" - Octávio Carmo (Ecclesia)


Artigo de Octávio Carmo, da Ecclesia, em Roma, disponível em:


Bento XVI valorizou língua portuguesa

Bento XVI tem valorizado o português nas suas intervenções públicas, posição vista como um estímulo por quem promove a nossa língua

Para o Reitor do Instituto Português de Santo António em Roma (IPSA), Mons. Agostinho Borges, com o actual Papa há mais intervenções em língua portuguesa, respondendo assim a um anseio antigo.
“A língua portuguesa entrou nas audiências, no Angelus. Os peregrinos que se deslocam ao Vaticano são anunciados em português e já não em espanhol”, disse.
Em Novembro de 2009, Bento XVI introduziu uma novidade na sua audiência pública das Quartas-feiras, passando a apresentar uma síntese em português da sua intervenção central, em italiano, à imagem do que já fazia em francês, inglês, alemão e espanhol.
Mons. Agostinho Borges diz que houve “muita insistência” para que fosse dado mais espaço à língua portuguesa e mostra-se satisfeito pela decisão do Papa.
No mesmo sentido se pronuncia Francisco de Almeida Dias, docente da cátedra “José Saramago” na Universidade de Roma Tre, para quem as intervenções de Bento XVI em português servem como “alerta” e marcam a diferença.
Quando o Papa fala na nossa língua, acrescenta, há um “estímulo” para quem a estuda noutro país, porque se consegue perceber a “importância” da mesma.
Nesse sentido, Francisco Dias considera que a visita de Bento XVI a Portugal, de 11 a 14 de Maio, será “muito importante”, como foi, anteriormente, “a ligação de João Paulo II a Portugal e a Fátima”, em especial.
A comunidade portuguesa não se está a mobilizar para acompanhar em conjunto a viagem, dado que ela coincide com os dias habituais de trabalho dos emigrantes.
O reitor do IPSA entende ser natural que assim aconteça, mas tal não significa um menor “contentamento” com a presença do Papa em Portugal.
Mons. Agostinho Borges acompanhou o então Cardeal Joseph Ratzinger ao nosso país em 2001 e recorda que este se mostrou sempre muito interessado em conhecer a história da nação, para além de revelar apreço pelo famoso Vinho do Porto.
Bento XVI visitou já dois países lusófonos, Brasil (2007) e Angola (2009), tendo ainda proferido vários discursos a bispos de países de língua oficial portuguesa.
A sua 15ª viagem ao estrangeiro, primeira a Portugal, tem passagens marcadas por Lisboa, Fátima e Porto.

"Portugal aproveita os holofotes sobre os museus de arte contemporânea em Roma" na Ipsilon




Artigo de Sérgio Costa Andrade, disponível em



Portugal aproveita os holofotes sobre os museus de arte contemporânea em Roma


Artistas portugueses passam os próximos dias em Itália, numa semana em que a arte e a arquitectura contemporâneas vão merecer atenção



Vai deixar de haver José Mourinho, "o verdadeiro artista contemporâneo, no sentido orwelliano do termo", diz Paulo Cunha e Silva, conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Roma, referindo-se à mestria com que o futuro ex-treinador do Inter de Milão gere a sua "obra" e a exposição da sua figura na sociedade do espectáculo dos nossos dias, e em especial em Itália. Mas vai continuar a haver arte portuguesa em terras transalpinas.
Num calendário habitualmente bem preenchido com arte e cultura portuguesas, esta semana vai contar com uma representação reforçada, com a inauguração de exposições de artistas como João Louro, Albuquerque Mendes, Pedro Cabrita Reis, Manuel Casimiro e Miguel Ribeiro."É uma aposta estratégica, já que até ao fim-de-semana Roma vai ser a capital mundial da arte contemporânea", justifica Paulo Cunha e Silva. Refere-se não apenas à realização da 3ª Feira de Arte de Roma (de amanhã a domingo) como, principalmente, àquele que é um dos acontecimentos mais aguardados em Itália, a inauguração, na sexta-feira, do novo Maxxi (Museo Nazionale delle Arti del XXI Secolo), projectado pela iraquiana Zaha Hadid (ver P2 de 7/12/2009), primeira mulher a conquistar o Pritzker (recebeu o "Nobel" da arquitectura em 2004), a que se associa também a apresentação pública da renovação de outro grande museu de arte contemporânea da capital - o Museu de Arte Contemporânea de Roma (Macro) -, segundo desenho da arquitecta francesa Odile Decq.A arte portuguesa não poderia ter holofotes mais brilhantes para a sua "embaixada italiana". É a esse desafio que, já a partir de hoje, respondem sucessivamente João Louro e Albuquerque Mendes. Mas, nas semanas seguintes, por toda a Itália, vai haver exposições de André Cepêda e Miguel Ribeiro, poesia de valter hugo mãe, cinema de Manoel de Oliveira, António-Pedro Vasconcelos e Vasco Araújo, e... também "lições" de arquitectura portuguesa, de Álvaro Siza Vieira a Eduardo Souto Moura.



A caminho do Macro



O primeiro artista a entrar em cena é João Louro, em dois momentos: hoje, inaugura no jardim da Embaixada Portuguesa a peça "Quasi", tradução e encenação do poema de Mário Sá-Carneiro - "Um pouco mais de sol, eu era brasa..." -, em mais um capítulo da série "Dead End". Os versos transformam-se em sinalética rodoviária apontando, a quem passa na rua frente ao "Território Neutro" (título do projecto) da Embaixada, a direcção do Macro. É aqui que, amanhã, o artista inaugura a exposição "My Dark Places".João Louro antecipa ao P2 que vai apresentar uma nova série de trabalhos do seu projecto "Blind Images", correspondendo ao desafio que lhe foi lançado pelo director do Macro, Luca Massimo Barbero. "Depois de ter visto a minha exposição na Bienal de Veneza (2005), Luca propôs-me transportar para Roma o mesmo imaginário de "Blind Images"", diz o artista, que desta vez decidiu abordar os "universos sórdidos" entre o "Marquês de Sade" e o escritor norte-americano James Elroy (autor de "L.A. Confidential" e "A Dália Negra").Na sexta-feira, é a vez de Albuquerque Mendes entrar num território que lhe é duplamente familiar: por um lado o espaço da sua intervenção é a Igreja de Santo António dos Portugueses, e, por outro, recupera uma temática recorrente na sua obra. Intitulada "A Criação", a sua instalação faz como que o "making of" do filme dos trabalhos de Deus durante os sete dias em que criou o mundo."Quando visitei Roma para preparar o meu trabalho, entrei nesta igreja - um edifício do século XVI marcado pelo barroco português - e percebi que tinha de ser ali, e teria que ver com "A Criação"", diz o autor de "Via Sacra". Numa sucessão de sete caixas-confessionário, Mendes confronta o visitante (um de cada vez) com o processo descrito no Livro do Genesis. E se a temática religiosa é uma constante nas criações do pintor, a intervenção em espaços sagrados também não é inédita. "Pintei uma capela no Minho, em Ponte de Lima", diz o artista, que já expôs também na Igreja de S. Francisco, no Porto. "São dois mil anos de história; o catolicismo é incontornável", justifica Albuquerque Mendes.Também no dia 28, uma obra de Pedro Cabrita Reis, pertencente ao acervo do Maxxi, integrará a exposição inaugural, Spazi.A 4 de Junho, Miguel Ribeiro, médico-fotógrafo, encena(-se) de novo na série "Corpo Abstracto", na Galeria IPSAR. "O corpo, dada a sua formidável versatilidade e poder expressivo, é um tema inesgotável ao qual acabarei sempre por regressar", escreve o autor na apresentação da exposição em que retoma um trabalho iniciado em 2000.


Museus e metros



No fim-de-semana seguinte, chegam Álvaro Siza Vieira, Carlos Castanheira e Eduardo Souto Moura, convidados para a Festa da Arquitectura de Roma (9 a 12 de Junho). O arquitecto do Museu de Serralves terá honras de convidado especial na sessão inaugural, onde se espera que fale da arquitectura de museus. No dia 10, Eduardo Souto Moura testemunhará sobre o seu trabalho para os metros do Porto e de Nápoles.Ainda em Roma, a 30 de Junho, o escritor valter hugo mae e o fotógrafo André Cepêda são convidados a abordar a situação actual da Europa nas instalações da Academia Espanhola: o primeiro escreveu o poema o paradigma da solidão portuguesa para dialogar com uma fotografia que Cepêda registou em Bruxelas.Fora da capital, continuará a haver arte portuguesa no país de Berlusconi. Manuel Casimiro é um dos convidados do projecto "One Minute Tree", uma instalação num jardim em Bassano Romano (30 de Maio), parte do programa "Nature and Art Projects", em que intervém também o realizador iraniano Abbas Kiarostami, com um vídeo feito em colaboração com Elisa Resegotti (comissária da exposição "Mitos Portugueses", de Casimiro, em Bari, 2006).Na mesma cidade haverá também, no final de Junho, obras de Rui Chafes, enquanto Carlos Bunga estará, antes, na Bienal de Escultura de Carrara.De regresso à capital, Vasco Araújo participa numa residência sobre a arquitectura fascista, fazendo num vídeo (texto de André Teodósio) o paralelismo entre Lisboa e Roma, a partir do livro de Gore Vidal, "Império".Pelo meio, o cinema português estará representado nos Encontros de Stresa (junto ao lago Maggiore, no norte). Manoel de Oliveira verá a sua carreira distinguida com um prémio especial, e exibirá "Singularidades de uma Rapariga Loira". Passarão também "Aquele Querido Mês de Agosto", de Miguel Gomes; "A Corte do Norte", de João Botelho; e "Call Girl", de António-Pedro Vasconcelos.



Assinalado por Madalena Costa Lima, a quem muito agradecemos.

Cultura portuguesa em Roma na RTP2


"Câmara Clara" é um programa cultural daRTP2. É transmitido todos os domingos, às 22h30, com apresentação de Paula Moura Pinheiro, que recebe dois ou três convidados e discute arte e cultura da cena portuguesa, com várias peças de exteriores e um acompanhamento detalhado dos principais acontecimentos culturais da actualidade portuguesa e mundial.

O último "Câmara Clara" teve como convidados a ex-presidente do Instituto Camões, Simonetta Luz Afonso e o Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal junto do Estado italiano, Paulo Cunha e Silva, que falaram sobre a cultura portuguesa em Itália.

Aqui deixamos o link onde os nossos leitores podem ver o vídeo da emissão em causa.
http://camaraclara.rtp.pt/

Em Itália está prestes a ser inaugurada uma série de exposições de importantes artistas portugueses, precisamente quando o novo museu de arte contemporânea em Roma abre as suas portas ao público e os olhos do mundo da arte ali estão fixados. Paulo Cunha e Silva, o conselheiro cultural da embaixada portuguesa que orquestrou parte destes acontecimentos de portugueses em Itália, e Simonetta Luz Afonso, ex-Presidente do Instituto Camões e responsável por muitos dos momentos altos da exportação da cultura portuguesa nas últimas décadas, vão debater sobre o que deve ser a diplomacia cultural do país e sobre o perfil e o tipo de trabalho dos conselheiros culturais das nossas embaixadas. Num momento de crise em que se nos pedem tantos sacrifícios, fará sentido o sistema de nomeações vigente?
Muito agradecemos a assinalação simultânea à Madalena Costa Lima e ao Duarte Pinheiro.

O nosso blog foi notícia na "Ecclesia"




Artigo do jornalista Octávio Carmo:


Itália: lusófilos e lusitanistas na rua dos portugueses

«Via dei Portoghesi», rua dos portugueses, é o título do blogue com que Francisco de Almeida Dias, docente da cátedra “José Saramago” na Universidade de Roma Tre, tenta criar uma comunidade" virtual de lusófilos e lusitanistas na capital italiana.
Colaborador da professora Giulia Lanciani, catedrática de português, conta com a colaboração dos alunos para dar vida a um blogue que quer ainda manter viva a ligação cultural e religiosa entre Lisboa e Roma.
Francisco Dias sublinha que além dos que estudam a língua, há um grupo “muito maior” de pessoas que acompanha a página apenas pelo “gosto pessoal” que têm em conhecer a literatura ou a música de origem portuguesa.
Na capital italiana há oito anos, o investigador trabalha também no Instituto Português de Santo António, promovendo o ensino da língua e a divulgação da cultura do nosso país.
Francisco Dias destaca o impacto que a fadista Amália Rodrigues e o poeta Fernando Pessoa tiveram na Itália, ajudando a promover o interesse naquilo que se faz no nosso país, que hoje passa pela ligação de grandes pólos universitários a autores literários, por exemplo, através de cátedras específicas.
Aprender português, assinala, é uma opção que se liga ao “toque de exotismo” da língua e a um “fio rubro de emoção” que liga os alunos à nossa cultura, mas do que quaisquer motivos profissionais.
O próprio IPSA tem também um curso de língua e culturas portuguesa que, segundo Mons. Agostinho Borges, é procurado por “jovens e menos jovens”.
“Há quem queira conhecer a literatura portuguesa no original”, explica.
Religiosos, diplomatas e homens de negócios são outros dos candidatos habituais ao curso, onde se encontra também quem aprenda português como “enriquecimento cultural”.
Segundo o Instituto Camões, há 16 Universidades com docência do português na Itália, para além de nove cátedras dedicadas a figuras portuguesas, a última das quais o poeta Manuel Alegre.


Octávio Carmo, da Ecclesia, em Roma

Arte e Feminino - por Vilma Gidaro

As Meninas de Sarah Affonso

A nossa aluna Vilma Gidaro começou a escrever um texto sobre a arte no feminino. Mas, depois de ler muitos artigos e estatísticas , acabou por nos escrever este interessante texto que fala, mais geralmente, sobre as mulheres. Obrigado, Vilma!


No campo das artes a aceitação das mulheres foi lenta, além de casos isolados.

Somente no início do século XX as mulheres começaram a ter alguma possibilidade de ser aceites neste campo, e são em número reduzido aquelas a quem se reconhece ainda hoje um papel de relevo. As mulheres começavam a ser aceites nas academias de arte, mas os estudos eram limitados aos temas referentes à beleza decorativa, aos assuntos domésticos e da natureza.

As grandes guerras tiveram forte importância no desenvolvimento da história de género. As mulheres, de facto, na ausência dos homens, começaram a trabalhar e desempenharam uma gama de actividades que até então eram estritamente masculinas. Isso deu a possibilidade às mulheres de se emanciparem no trabalho, se bem que em muitos lugares do mundo ainda hoje continue a existir uma diferença de salário entre os dois sexos.

Foi na segunda metade do século XX que as mulheres europeias começaram a participar activamente e abertamente na vida social. Muitas foram as lutas delas pelos direitos, antes de tudo o direito ao voto, primeira forma de participação a vida social, até a chegar de ter direito sobre o próprio corpo.

Não obstante isso, a instrução artística até aos anos 70 continuou a ser desigual entre os dois sexos em grande parte de Europa e também no novo continente. Poucas conseguiram fugir a um papel pré-constituído. Até hoje, não mudou o número exíguo de mulheres que chegam a ser reconhecidas como Grandes Artistas ao par dos homens.

È verdade que as mulheres estiveram sempre prontas a abandonar as próprias ambições para apoiar a família, e muitas vezes ficaram à sombra do marido ou do companheiro como no caso de Sarah Affonso, mas eu acredito na tese de Simone de Beauvoir que, no livro “O segundo sexo”, afirma que a hierarquia entre os sexos não é fatalidade biológica, mas uma construção social.

De facto as mulheres têm séculos de “clausura” social. Por isso o caminho continua a ser em subida para elas.

VILMA GIDARO

Camille Claudel e Frida Khalo - por Germana Lardone



A respeito da arte no feminino, eis o texto que nos enviou a nossa aluna Germana Lardone sobre duas mulheres importantes no mundo das artes plásticas. Obrigado, Germana!



Na história da arte há diversas mulheres importantes, mas quero lembrar duas que são significativas e muito diferentes uma da outra: Camille Claudel e Frida Kahlo

Camille Claudel (1864-1943) é recordada como a musa do escultor Auguste Rodin (1840-1917) e irmã do escritor Paul Claudel, mas poucos se lembram da grande escultora que foi.
Rodin foi o seu mestre e o seu amante e Camille participou com o seu trabalho em obras importantes de Rodin, como a Porta do Inferno.
Rodin nunca teve a coragem de deixar a mulher e Camille rompe definitivamente com Rodin em 1898.
Nutre por Rodin um amor-ódio que a levará à paranóia e continua a sua busca artística em grande solidão apesar do apoio dos críticos que neste período organizam duas grandes exposições que têm grande sucesso. No entanto Camille já está doente e não pode sentir-se reconfortada com elogios.
Depois a morte do seu pai, seu porto seguro, em 1913, é internada num manicómio onde morre após trinta anos de internato, aos 79 anos.
Camille Claudel tinha forte personalidade e um génio criativo que ultrapassou a compreensão da sua época.

Frida Kahlo nasceu em 1907 no México e aos seis anos contrai poliomielite que a deixa coxa. Aos 18 anos o autocarro no que viajava chocou contra um eléctrico: ela sofreu múltiplas fracturas e uma barra de ferro atravessou o seu corpo. Por causa disto teve de fazer várias cirurgias e ficou muito tempo numa cama.
Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima da sua cama.
Em 1928, quando entra no Partido Comunista, conhece Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Foi um casamento tumultuado, pois ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Separam-se mas em 1940, unem-se novamente mas o segundo casamento foi tão tempestuoso quanto o primeiro.
Depois algumas tentativas de suicídio e ter contraído pneumonia, foi encontrada morta em 1954. A última anotação no seu diário diz: “Espero que minha partida seja feliz e espero nunca mais regressar”.
Os seus quadros eram ingénuos, em grande maioria auto-retratos, com cores fortes, num estilo influenciado pela cultura indígena do México, e às vezes surrealistas.

GERMANA LARDONE

lunedì 24 maggio 2010

Álvaro Pires de Évora em Fossabanda: chi l'ha visto?

Assinalou-nos a Drª Sónia Duarte a existência de um painel do século XV, têmpera sobre madeira assinada "ALVARO PIRES DEVORA PINTOV" na Igreja de Santa Croce in Fossabanda.
Chi l’ha vista?

venerdì 21 maggio 2010

"Perfumes e lembranças sobre a minha Avó" por Cristiano Cirillo

Evocação sentida e comovente de uma pequena grande mulher, feito pelo nosso excelente aluno Cristiano Cirillo, a quem agradecemos partilhar uma página tão íntima e tão bonita com os leitores de Via dei Portoghesi.
Quando era criança só conheci uma avó, porque os outros já tinham morrido quando eu nasci. Portanto toda a minha vida até hoje está cheia de lembranças da minha avozinha, uma mulher pequenina de altura mas com um coração e uma força digna dos gigantes da mitologia antiga.

Todos os dias a minha avó vinha a minha casa para ver como estávamos, se tínhamos comido, etc; e essa é a coisa de que sinto mais saudade.

Lembro-me de que, no Verão, a minha avó fazia bonecas de tricô e as vendia aos turistas que vinham visitar a minha aldeia.

Lembro-me da sua comida, dos cheiros que se dispersavam na cozinha quando cozinhava, o odor das espécies (rosmaninho, orégão, manjericão), o perfume do frango assado com batatas, ou os “fusilli”, típica massa calabresa, que a minha avozinha fazia com tanta paciência e amor, e que eram tão pequenos e finos, que era uma alegria comê-los!...

A minha avó deixou no meu coração o símbolo da força, uma mulher que perdeu o marido, o seu filho (o meu pai), mas que nunca se rendeu: lutava, escondia a saudade, vencia a solidão, porque vivia duma maneira sempre positiva e alegre.

Acreditava em Jesus, na Igreja, e eu, que também sou crente, acho que a minha avozinha está sempre perto de mim e da minha família.

CRISTIANO CIRILLO

"Dar tempo ao tempo" por Maria Paola Satolli

Desenho de Sarah Affonso.

Uma reflexão sobre o tempo, os modos com que o povo se lhe refere e o seu valor nas nossas vidas. Uma bela composição da nossa aluna Maria Paola Satolli, a quem muito agradecemos.


Dar tempo ao tempo. Mas o que quer dizer isto verdadeiramente? Significa talvez esperar? Esperar que o tempo siga o seu curso, e ficar sem fazer nada? Ah, que pergunta difícil!
Ás vezes tudo o que podemos fazer é esperar, porque as coisas não dependem de nós. Mas outras vezes temos de agir, e não esquecer que só temos uma vida e que é necessário frui-la da melhor maneira.
Muitas vezes a nossa espera é acompanhada por um estado de ansiedade, de preocupação: por uma chamada, por uma notícia, por um resultado. E como não podemos cortar o tempo, só podemos tentar consagrá-lo às actividades de que gostamos mais.
A gente diz que o tempo é o melhor remédio para a dor - um amigo que nos ajuda a superar as dificuldades e as desilusões.
E ainda quantos modos de dizer há sobre o tempo!
“Quem tem tempo, não espere pelo tempo!”, “O tempo é dinheiro”, “O tempo é bom conselheiro”, e muitos mais.
Eu estou de acordo com todos aqueles que põem em relevo a importância do tempo, e sou mais da escola “Cada coisa tem o seu tempo”. Acho que quanto mais esperamos por qualquer coisa, mais ela virá atrasada.
Como dizia uma canção dos Beatles, Let it Be, deixa que seja. Mas depois, Carpe Diem, apanha o instante.
Sim, demos tempo ao tempo.

MARIA PAOLA SATOLLI

STEFANO VALENTE: "Destino inelutável"

O nosso aluno Stefano Valente, que por várias vezes tem contribuído com a excelência dos seus trabalhos para este trabalho comum que é o blog "Via dei Portoghesi", oferece-nos mais uma página de rara inteligência e sensibilidade num Português perfeito.
Bem-hajas, Stefano!
Iluminura do Cerco de Lisboa de 1384, na Crónica de Jean Froissart


Destino inelutável

São muitos os erros de perspectiva com que nós, europeus, olhamos a “periferia” do continente. Erros, ou melhor, preconceitos históricos, que nos levam a considerar a Península Ibérica segundo as mesmas categorias de pensamento com que estamos acostumados a falar, por exemplo, da génese e do desenvolvimento da Alemanha, da França, da Inglaterra ou da Itália. E isto sobretudo no que diz respeito à Idade Média, período amiúde julgado só a um nível superficial, constrangido dentro duma descrição de lutas feudais, regicídios e guerras santas (quase) de repente interrompido por um outro erro – desta vez náutico –: o dum certo Cristóvão Colombo.

Mas às vezes – e afortunadamente – acontece de encontrar no nosso caminho historiadores “diferentes”: é o caso da Professora Filipa Roldão. Na sua lição magistral de 13 de Maio a investigadora evidenciou os processos básicos do nascimento do reino de Portugal, desde o núcleo primitivo do Condado Portucalense – sufocado entre os diversos “espaços” cristãos (os reinos de Leão, Castela etc.) e muçulmanos (os chamados assim «Reinos de taifas») – até a formação do mesmo estado lusitano através do povoamento e da urbanização fortemente desejados pelo poder régio.

Porém, desde o século XII até o XV – desde Dom Afonso Henriques «o Fundador» até Dom João II «o Príncipe Perfeito» –, o que verdadeiramente acaba para nos impressionar é o inexorável movimento-fluxo Norte-Sul, interior-exterior, da futura nação portuguesa. Filipa Roldão marcou bem como Portugal (e também a sua língua, a sua economia e as suas estruturas sociais) tenha começado a sua “descida” do originário condado galaico de Portucale até à foz do Tejo e às costas do Oceano – das quais logo irão partir as caravelas dos descobrimentos. Uma “descida” iniciada aos passos, povoado a povoado, castelo após castelo – conquistando ou reconquistando, não è importante –, que nunca irá parar a não ser nas derrotas (por exemplo a de Alcácer-Quibir, 1578) que levarão à perda do imenso império marítimo.
(Um império realmente nunca perdido – pois que continua até hoje graças ao quinto idioma mundial. Ou, pelo contrário, eternamente perdido – pois que os portugueses nunca chamaram às colónias senão de «Ultramar».)

Povo gentil, fechado em si mesmo, com alma do Norte, o povo português. E, contudo, inelutavelmente destinado para o Sul e para fora. Então a História da Idade Média lusitana não seria o embrião da sua vocação futura? – e o gérmen de todas as suas saudades? Ou isto é apenas o conto duma visão um pouco lendária e um pouco triste (mas que não pode ser de outro modo) com que um heterónimo – quem sabe qual – doente de retórica e de sebastianismo sonhou à beira-Tejo?…
Castelo após castelo.
Além da linha de Lisboa.
Até o Oceano.
Não pode ser de outro modo.

Embora um certo Saramago nos ensine que os cruzados poderiam também não ajudar os portugueses (1)…

(1) História do Cerco de Lisboa, 1989
STEFANO VALENTE

"O Sonho do Unicornio" por Vilma Gidaro


A nossa aluna Vilma Gidaro enviou-nos este texto inspirado no título de um conto, recentemente publicado, da escritora portuguesa Ana Teresa Pereira. Muito agradecemos à Vilma a sua generosa dedicação e desejamos-lhe os maiores sucessos nos exames de Português do CAPLE que está prestes a enfrentar!... Um abraço.


O SONHO DO UNICÓRNIO


Era uma vez um pequeno Unicórnio que vivia num bosque.
Com ele vivia uma outra criatura sui generis: um Pégaso, ou seja um cavalo com asas. O Pégaso ás vezes, deixava o Unicórnio no bosque e voava até o Oceano. Quando regressava ao bosque o Pégaso contava sempre o que tinha visto, nas suas viagens: vales imensos, aldeias onde homens e mulheres trabalhavam nos campos, vinhas carregadas de frutos dourados, rios grandes onde os barcos navegavam e pescadores que apanhavam muitos peixes. Falava de terras cheias de flores de cores tão várias, de formas e medidas diferentes e da grande extensão de água onde chegava cansado e feliz.
O Unicórnio, durante o reato, tentava imaginar o que o amigo descrevia com todos os pormenores, sentindo-se um pouco desanimado porque ele estava sempre condenado a ficar preso no pequeno espaço no bosque.
O pobrezinho, por muito que crescesse, fosse um lindo e forte animal, estava muito triste. Continuava a passar todos os dias pelo mesmo lugar, vendo somente as árvores, as plantas daquele bosque e a mesma paisagem além do monte.
Chorava todas as vezes que o amigo Pégaso se ausentava.
Uma tarde de um verão quente e ventoso, quando o Pégaso começou a contar a sua última viagem, o Unicórnio adormeceu e começou a sonhar um sonho agradável: uma fada com um vestido vermelho, de cabelo comprido e preto dizia-lhe: “Agora olha para o fundo e não respires, vou tocar-te com a varinha mágica e ofereço-te uma coisa de que tu vais gostar muito”.
O Unicórnio obedece e a fada tocou-o levemente com a sua varinha no dorso.
Naquele momento o sonho acabou e ele acordou. Não sabia se estava mais espantado ou feliz de ter encontrado uma fada tão bela. Com certeza ele estava confuso e com uma dor no dorso.
Levantou-se e dirigiu-se para a fonte que estava lá perto... e ... o sonho tinha-se tornado realidade: no reflexo das águas, sobre a sua cabeça, viu duas asas direitinhas e abertas. Levantou voo e a felicidade foi enorme: ele estava a voar no céu, seguindo a via imaginada muitas vezes, cujo destino era o Oceano.
A partir daquele dia o Unicórnio e o Pégaso tornaram-se inseparáveis.


VILMA GIDARO

mercoledì 19 maggio 2010

"Compras infernais" por Giulia Bossaglia


Texto cheio de humor e impecavelmente escrito pela nossa aluna GIULIA BOSSAGLIA, a quem muito agradecemos mais uma colaboração com este blog. O mote era "dar tempo ao tempo", mas saiu este texto sobre uma situação, infelizmente, bem conhecida pela maioria das pessoas...


COMPRAS INFERNAIS


Na passada Sexta, o dia antes do 1º de Maio, decidi, infelizmente, ir fazer compras ao supermercado.

Cheguei lá, e tudo parecia o Inferno de Dante: não sei quantas pessoas, que tinham tido a minha mesma infeliz ideia, a correr por todo lado com as mãos cheias de coisas, crianças a chorar na confusão, gente a chatear-se com outra gente, anúncios (altíssimos) da super-oferta de cenouras de não-sei-onde…parecia o fim do mundo.

Mas, como precisava mesmo de algumas coisas, tinha que me manter firme naquela confusão. E, enfim, cheguei à fila da caixa.

Fila è um eufemismo. Da minha posição nem podia ver o fim dela, nem podia ver a tão querida caixa. Fiquei um bocado assustada, mas tinha que esperar, tinha que ser assim. E como parecia o Inferno, o “Manda-chuva” enviou-me a punição para os meus pecados: mesmo atrás de mim, uma senhora tão pequenina quanto feroz a gritar todo o tempo contra a lentidão da fila. Eu estava lá, a tentar manter-me calma naquela confusão, e ela, pelo contrário, a falar e lamentar-se e ofender pessoas sem parar.

Depois de quase meia hora de cumprimento da minha punição, consegui sair do supermercado com as minhas poucas coisinhas e a pensar em como é sociologicamente interessante observar os italianos em fila (não sei como é noutros países): não sei quantas vezes me aconteceu eu estar em fila nos correios, ou no supermercado, ou nas bilheteiras dos comboios, circundada de gente irritada, zangada, mal educada, que não se lembra que as filas implicam o facto de esperarmos durante um certo tempo.

È nestes pequenos acontecimentos quotidianos que eu vejo como a nossa sociedade nos habitua a correr sempre e a ter medo de perder alguns minutos, e também a esquecer as menores regras de civilização.

Dar tempo ao tempo bem me parece um dito que precisamos de lembrar hoje nas nossas vidas (mesmo para aproveitá-las melhor) e com certeza não só nas filas que vamos encontrar. Mas não seria mal começar por estas pequenas coisas…

GIULIA BOSSAGLIA

lunedì 17 maggio 2010

28 maggio: ''Making of/La Creazione'' di Albuquerque Mendes no IPSAR


Il Rettore dell’Istituto Portoghese di Sant’Antonio in Roma

Mons. Agostinho da Costa Borges
sotto l’alto patrocinio diS. E. l’Ambasciatore del Portogallo presso la Santa Sede

Dott. João da Rocha Páris
in collaborazione con l'Ambasciata del Portogallo presso lo Stato Italiano

ha il piacere di invitare la S.V.all’inaugurazione della installazione


Making of/La Creazione
di Albuquerque Mendes


che avrà luogo il 28 MAGGIO 2010 alle ore 18.00
Chiesa Nazionale di Sant’Antonio dei Portoghesi


Via dei Portoghesi - 00186 Roma



L’opera rimarrà visibile al pubblico fino al 27 giugno 2010

nell’orario di apertura della chiesa
dal lunedì al venerdì, 8.30 - 13.00 e 15.00 - 18.00

sabato, 9.00 - 12.00 e 16.00 - 18.00

domenica, 9.00 - 12.00



Making of/La creazione

Il modo in cui l’opera di Albuquerque Mendes si intreccia con la religione assume in questa installazione una chiara evidenza, quasi miracolosa.Infatti, l’artista trasporta in una chiesa di Roma (Sant’Antonio dei Portoghesi) sette casse, corrispondenti, secondo la Genesi, ai Sette Giorni della Creazione.. Sono casse fatte a misura d’uomo, con la base quadrata di 70 cm. di lato e un’altezza di due metri. Quasi a rivaleggiare con il Modulor de Le Corbusier. Dobbiamo entrare per vedere cosa accade. Ma può entrare solo uno per volta.Queste sette casse sono anche sette confessionali. Ma realizzate come spazi di confessione diretta.. Senza intermediari. Quasi che lo stupore di fronte alla creazione fosse un avvenimento non trasmissibile. Sono anche sette casse nere che, a somiglianza di altre, sono portatrici di un segreto che potrebbe essere una rivelazione. Il minimalismo concettuale di queste strutture funziona da induttore dell’esperienza confessionale di ciascuno. Non possiamo condividere l’esperienza di essere dentro. Non possiamo chiamare nessuno ad ammirare la bellezza della creazione, Siamo soli, senza appoggio, dinanzi allo splendore del mondo.In questa sua opera, come in altre, Albuquerque Mendes accosta l’esperienza artistica all’esperienza religiosa. Come nota, possiamo riferire che è stato lui a realizzare l’iconografia dell’ultima visita papale in Portogallo.Già lo avevamo visto occupare il posto di Cristo nelle sue molteplici versioni della Via Sacra. Già avevamo accettato di definire l’artista come creatore. Non credo tuttavia che, in questo caso, questo artista voglia proporsi come il Creatore. Egli, semplicemente, rivendica a sé il ruolo di esegeta della creazione. Fa un making of. Ossia, filma i tracciati di quell’epopea fantastica che deve essere stato il film stesso del mondo. Ciascuna di queste casse è la registrazione di una registrazione, il film di un film.Concludiamo con l’ultima, quella in cui, secondo le scritture, Dio si sarà riposato. Mentre nelle altre casse la luce è un elemento dominante, o perché c’è una lanterna che ci permette di verificare cosa vi sia all’interno, o perché un piccolo orifizio consente alla luce di entrare, in questa ultima siamo rigorosamente all’oscuro. È domenica, giorno di riposo. Riposare è non vedere. È dormire. Oppure, è vedere dentro, vedere il luogo da cui a partire dal quale è possibile guardare il mondo con più chiarezza. Come quando chiudiamo gli occhi e si fa luce. Questa esperienza può essere divina, ma è, sicuramente, l’esperienza dell’arte.
Paulo Cunha e Silva


Saluto del Rettore

Da più di dieci anni notiamo il crescente interesse e l’entusiasmo che accompagnano i progetti e le manifestazioni dell’Istituto Portoghese di Sant'Antonio in Roma, antica fondazione lusitana nel cuore della Città Eterna, una delle uniche e senza dubbio la più originale delle espressioni della presenza portoghese in Italia. L’importanza storica di questa istituzione ci obbliga non solo ad una accurata manutenzione dei beni conservati nel corso dei secoli, come la necessità di progettare per il futuro questo patrimonio spirituale, culturale e materiale, consacrato negli Statuti e da sempre presente nel suo spirito cristiano e portoghese, attraverso il restauro dei suoi beni e l’incremento della vita religiosa, artistica e accademica. Ed è per questo che più di dieci anni, ad un ritmo crescente, promuoviamo concerti, esposizioni, conferenze, occasioni di convivio e di appoggio ai portoghesi di passaggio a Roma, mantenendo in funzione la biblioteca e l’archivio e i corsi di lingua e cultura Portoghese negli spazi restaurati. In particolare da quando è stato inaugurato il nuovo Grand’Organo Mascioni, progettato da Jean Guillou, nella Chiesa di S. Antonio dei Portoghesi, unico a Roma, raro in Italia, nell’Europa e nel mondo - la cui programmazione settimanale è curata dall’Organista titolare, Mº Giampaolo Di Rosa - l’Istituto è diventato un centro musicale importante, riconosciuto e stimato in questa città.È stata, dunque, grande la gioia con cui abbiamo accolto l’iniziativa dell’artista portoghese Albuquerque Mendes, noto a livello nazionale ed internazionale e di recente creatore della medaglia, della sciarpa e dello stendardo con cui la Conferenza Episcopale Portoghese ha segnalato la visita di Sua Santità Benedetto XVI nel nostro paese. Cercando una crescente depurazione tematica e formale l’opera di Albuquerque Mendes riflette sempre di più una attenzione particolare verso la tematica e la simbologia religiosa. Non a caso colui che si è già definito in una intervista come "un cristiano che fa della religione il centro di tutto” ci porta qui una visione tutta sua della Creazione. Come Rettore dell’Istituto Portoghese di Sant'Antonio in Roma vorrei ringraziare l’Artista e dare il benvenuto a tutti nella nostra bellissima chiesa nazionale, dove, tra maggio e giugno, potremmo contemplare questa opera singolare di un artista eccezionale.
Mons. Agostinho da Costa Borges

23 maggio: MELISMA à PORTER A LUME DI RAGIONEVOLI CANDELE



FRAMMENTARIO REPERTORIO
MELISMA à PORTER A LUME DI RAGIONEVOLI CANDELE


DOMENICA 23 MAGGIO 2010
BEBA DO SAMBA VIA DEI MESSAPI (SAN LORENZO) ROMA

CON

LOREDANA MAURO - VOCE PAZZIARIELLI E SCASSAMBRELLO

FRANCESCO PETTI - CHITARRA CAPPELLI E VOCE

CARLO ROSELLI - CHITARRA MANDOLINO E NON SO CHE

ROBERTO VACCA - FISARMONICA PIANOFORTE E OSTRACISMO

GERARDO VITALE - VIOLA PELATA E PORTAMENTO


DUE PAROLE SUI MELISMA


GS: Che genere fate?

LM: In genere nessuno. Suoniamo la musica che ci piace o, in alternativa, quella che riusciamo a suonare. Dorganiscordati non nasce da un'idea forte e solida. Dorganiscordati non è un quadro finito. A pensarci bene, Dorganiscordati (…) non si definisce per ciò che è, ma solo attraverso negazioni. Dorganiscordati, per esempio, non è un concerto. Si suona, è vero, si suona molto, ma il risultato è tutto ciò che un concerto per bene non dovrebbe essere. Stonature, canzoni come blob, lotte tra musicisti (…) improbabili interventi dall'esterno (…). Una strana festa, dove il pubblico non viene invitato a cantare, ballare, battere le mani, ma ad ascoltare e vedere, seppure questo ascolto e questa visione non restano mai passivi. Dorganiscordati si definisce insomma per tutto ciò che non è, si nega di continuo, e continuamente si contraddice.


GS: Insomma, chi siete?

LM: I Melisma sono dei musicisti bambini che non riescono a guarire dalla malattia del gioco. Continuano, loro croce e delizia, dopo dieci anni di attività, a non prendersi (…) sul serio. Ma il gioco, si sa, per i bambini è una cosa molto seria. Improvvisazione organizzata. È per questo, forse, che anche i Melisma, come i bambini, ogni tanto, nel bel mezzo del gioco, si fermano e ti guardano, e tu non sai più se ridere o piangere. E forse ti racconteranno, o si faranno raccontare, che è la stessa cosa, una piccola favola.


( da "Le nuove tendenze nella musica campana", intervista di Giò Sabatelli a Loredana Mauro, ne "Il gazzettino meticoloso", n° 2 del 25/04/2012)


LA RASSEGNA - IL PROGRAMMA DELLA SERATA

L’associazione culturale Beba do Samba, da sempre attenta ai temi della coscienza ambientale e civile, e Lifegate Roma, primo Network e media e advisor per lo sviluppo sostenibile, uniscono le forze e danno vita alla rassegna “Stacco il generale. Musica a lume di candela”.Un avanspettacolo surreale e naif, che ricreando un’atmosfera calda e familiare, onirica e delicata, è in grado di risvegliare l’intramontabile magia felliniana di un’arte “contro-corrente”; tra mefistofelici cantastorie e giocolieri new dada, si fanno avanti artisti e performers unicamente ispirati dalle naturali sonorità dei propri strumenti, siano essi il corpo, la voce, un palco in legno da calpestare o una chitarra da far suonare.Il tutto senza nessun uso di energia elettrica!!In questi giorni, inoltre, il Beba ospita il Festival Roma Napoli Rio, e la banda melismatica non poteva non omaggiare queste tre città e la loro musica, in un viaggio i[st]r[i]onico tra Gabriella Ferri e Marisa Monte.


Programma della serata:


dalle 20:00 Aperi-Kioto - aperitivo a base di prodotti biologici a km 0 del Gasper, Gruppo d’Acquisto Solidale di San Lorenzo.


Dalle 22:30 l'emozionante spettacolo dei MELISMA


FRAMMENTARIO REPERTORIOVIAGGIO/CONCERTO ECOSOSTENIBILE AL LUME DI RAGIONEVOLI CANDELE


OspitI d'onore:

DANIELE MUTINO dei COSACCHI nelle vesti di un cuntastorie con fisarmonica e occhiali e baffi finti.

La splendida fadista ISABELLA MANGANI, fresca fresca di una mesata in brasile...

E non si sa chi altri ancora..


Ingresso: 5 euro - 10 euro con aperitivo


info e prenotazioni: bebabis@gmail.com

Tel: 339-6374741 / 3285750390




Links artisti:


Lição da Mestre Filipa Roldão - por Vilma Gidaro


Na passada quinta-feira, 13 de Maio, aproveitando a passagem por Roma da investigadora histórica Filipa Roldão (na foto), os alunos do Curso de Língua e Cultura do Instituto Português de Santo António em Roma, puderam ouvir a Mestre falar de Portugal Medieval e esclarecer todas as dúvidas acerca da formação do nosso país.
Aqui deixamos o relatório feito pela Vilma Gidaro, a quem muito agradecemos.


Agradeço muito a lição de história da Professora Filipa Roldão, em primeiro lugar porque foi muito clara e depois porque eu gosto muito de conhecer a História. Tentarei aqui fazer um pequeno resumo.

D. Afonso Henriques, filho do conde de Portucale, iria revoltar-se contra a sua mãe D. Teresa, assumindo o governo do Condado, conquistando a Independência de Portugal e iniciando a reconquista portuguesa autonomamente.
No ano 1143 foi negociado um acordo de paz que se supõe concedesse o título de Rei a Dom Afonso Henriques. À maneira feudal Afonso I encomendou Portugal à Santa Sé e considerou-se (e também devia ser para o seus sucessores, mas não sempre foi assim) vassalo lígio do Papa.

A conquista continuou de Norte para Sul até o Algarve. Muitas foram as batalhas e foi um processo de sucessos e revezes. Os muros perdiam e reconquistavam os territórios com força e devastações.

A política externa, além da luta contra os muçulmanos e o reino de Leão, consistia numa acção diplomática de casamentos, como o da Infanta Matilde com o conde Filipe de Alsácia, na Flandres, o do Infante Fernando com a condessa Joana e o casamento do Infante herdeiro, Afonso com Urraca filha de Afonso VIII.

Em 1249 com a ocupação do território até o Algarve - a “reconquista cristã” - as fronteiras estabilizaram-se, De grande importância foi a linha de Lisboa. Foram construídas muitas fortalezas e castelos para defender as zonas conquistadas e, castelo após castelo, o poder político do Rei português fortificou-se.

Foi um período de guerra, mas também de povoamento.
O território de Portugal dividia-se em:
Senhorios: terras doadas à nobreza. Consistia numa doação hereditária, como pagamento por serviços prestados ou como recompensa por méritos adquiridos, e com privilégios e jurisdição.
Coutos: terras ocupados pelos eclesiásticos.
Concelhos: territórios urbanizados, com uma estrutura própria. Governado através duma Carta de Foral, documento real de concessão de aforamento ou foro jurídico próprio, isolado, diverso, aos habitantes medievais de uma povoação.

Economicamente o Reino dividia-se em zonas: mais rural no norte e no interior, e mais urbanizado no litoral - zona onde o comércio e a finança eram as actividades de mais relevo.

A Corte até 1385 foi itinerante e a cidade onde ela estava tornava-se a mais importante. Na cidade onde permanecia a Corte, estabeleciam-se também todas as instituições centrais, como o Tribunal e a Casa do 24 (que era a antiga Câmara onde reuniam-se os 24 representantes dos vários ofícios da cidade).Dom João I, em 1385, escolheu Lisboa como capital estável do Reino.

VILMA GIDARO

"Lectio" da Profª Lanciani - vista por Ivana Bartolini


A nossa aluna Ivana Bartolini assistiu e comentou a Lectio Magistralis da Professora Giulia Lanciani. Aqui deixamos a sua impressão, que agradecemos.


Ho assistito ieri alla "Lectio Magistralis" tenuta dalla Professoressa Giulia Lanciani. Era la seconda volta che la sentivo parlare e devo dire che sono stata rapita dal suo modo pacato e dolce di esporre i contenuti.
Ho appreso cose interessanti relative allo studio della filologia applicata ai testi letterari e alla capacità da parte degli studiosi per ricostruire la loro forma originaria arrivando a dare una interpretazione la più corretta possibile.
Grazie Professoressa Lanciani per avermi trasmesso tutto questo e per aver stimolato in me la curiosità per lo studio delle parole.


IVANA BARTOLINI

mercoledì 12 maggio 2010

Lectio Magistralis da Professora Giulia Lanciani

A Professora Giulia Lanciani e o Professor Giuseppe Tavani

Lectio Magistralis


Prof. Giorgio de Marchis lendo as palavras do Prof. Ivo Castro

O Reitor da Università degli Studi di Roma Tre

O Director do Departamento de Literaturas Comparadas.

A Presidente do Colégio Didáctico de Línguas e Culturas Estrangeiras.

A Presidente da Faculdade de Letras e Filosofia.

Fotografias da lectio magistralis desta manhã, na Sala de Conferências Ignazio Ambrogio da Faculdade de Letras da Universidade Roma Tre.

lunedì 10 maggio 2010

Giulia Lanciani: Lezione Magistrale - mercoledì 12 maggio 2010,Sala Conferenze "Ignazio Ambrogio"

Otello Lottini
Direttore del Dipartimento di Letterature Comparate

ha il piacere di invitare colleghi e studenti
alla Lezione Magistrale della

Prof. Giulia Lanciani
C'è un futuro per la filologia?


SALUTI

Guido Fabiani
Rettore dell'Università degli Studi di Roma Tre

Francesca Cantù

Preside della facoltà di Lettere e Filosofia

Marinella Rocca Longo
Presidente del Collegio Didattico in Lingue e Culture Straniere


INTERVENTO

Ivo Castro
Università di Lisbona

"Giulia Lanciani lusitanista"


Mercoledì 11 maggio 2010
ore 11.00

Sala di Conferenze "Ignazio Ambrogio"
Dipartimento di Letterature Comparate
via del Valco di San paolo, 19 - Roma

Dois poemas traduzidos por Ivana Bartolini

Cecília Meirelles
A nossa aluna Ivana Bartolini enviou-nos as belíssimas traduções da sua autoria de dois poemas em língua portuguesa:
Trova do vento que passa, de Manuel Alegre
As mãos que trago, de Cecília Meirelles
Muitos parabéns e muito obrigado, Ivana, por partilhar com os leitores de Via dei Portoghesi este trabalho de grande sensibilidade.

Poesia del vento che passa
di Manuel Alegre
Traduzione: Ivana Bartolini

Domando al vento che passa
notizie del mio Paese
e il vento tace sulla infelicità
il vento niente mi dice

Domando ai fiumi che portano via
tanto sogno alla superficie delle acque (à flor das águas ?)
e i fiumi non mi tranquillizzano
portano via sogni e lasciano tristezze

Portano via sogni e lasciano tristezze
Ah fiumi del mio Paese
mia Patria sull'acqua
dove vai? Nessuno parla

Se il verde trifoglio sfogliato
chiede notizie al quadrifoglio
e gli dice
che muoio per il mio Paese

Domando alla gente che passa
perchè cammina guardando in basso
Solo silenzio è tutto quello che ha
chi vive in schiavitù

Vidi fiorire i verdi rami
diritti e rivolti verso il cielo
e a chi piace avere dei padroni
gli vidi sempre le spalle curve

E il vento non mi dice niente
nessuno dice niente di nuovo
vidi la mia Patria inchiodata
con le braccia in croce del popolo

Vidi la mia Patria al margine
dei fiumi che vanno verso il mare
come chi ama il viaggio
ma deve sempre rimanere

Vidi navi partire
(mia Patria sull'acqua)
vidi la mia Patria fiorire
(verdi foglie, verdi tristezze)

C'è chi ti vuole ignorata
e parla di patria in tuo nome
io ti vidi crocifissa
nelle braccia nere della fame

E il vento non mi dice niente
solo il silenzio persiste
vidi la mia Patria ferma
lungo le sponde di un fiume triste

Nessuno mi dice niente di nuovo
se chiedo notizie
nelle mani vuote della gente
vedo la mia Patria in fiore (vi minha pátria florindo?)

E la notte cresce dentro
agli uomini del mio Paese
Chiedo notizie al vento
ma il vento niente mi dice

Ma c'è sempre una lanterna
dentro alla propria disgrazia
c'è sempre qualcuno
che semina canzoni
al vento che passa

Perfino nella notte
più triste
in tempo di schiavitù
c'è sempre qualcuno
che resiste
c'è sempre qualcuno
che dice di no.


Le mani che ho
di Cecilia Meirelles
Traduzione di Ivana Bartolini

Furono le montagne? Furono i mari?
Furono i numeri? Non so
fu per molte circostanze che
non ti incontrai.

E ti aspettavo, e ti chiamavo
e dentro i cammini mi persi
Fu la nuvola nera? La marea selvaggia?
e io ero per te

Le mani che ho, le mani sono queste
soltanto loro ti diranno
se il mio cuore viene a morte o a festa

Così come sono, non ti invito
ad andare per dove andrò

Tutto quello che ho è aver sofferto
per il mio sogno alto e perduto
e per l'incantesimo pentito
del mio amore

Colombo alentejano: excelente e divertida lição de Alessandro Cannarsa


O nosso aluno Alessandro Cannarsa fez-nos, no final da semana passada, uma excelente e divertida lição sobre Cristóvão Colombo... aqui fica um guião do que se passou na aula.
Parabéns, Alessandro, e obrigado!


Cristóvão Colon era Português?

O enigma.
Não obstante a fama, a figura de Colombo (o melhor: Colon, como diziam os espanhóis) continua a manter o mistério: no passado falou-se duma sua possível origem espanhola, judia, vaticana (como filho do Papa!), e também italiana, mas não genovesa.
Este relatório quer apresentar a hipótese que ele fosse português; de facto, está provado que desde1474 estava em Portugal (em Porto Santo), e que de 1479 morou em Lisboa, onde também estava o seu irmão Bartolomeu, cartografo.
Sabe-se que casou uma mulher portuguesa de família nobre e que ele falava português, e também espanhol, mas com sotaque português.
Parece que, durante anos, tentou convencer o Rei D. João II da possibilidade de chegar à Ásia pelo ocidente, e que no fim desistiu e dirigiu-se à Rainha Isabel que acreditou nele.
E aqui está a pergunta fundamental: porque é que a coroa de Portugal não se interessou por um projecto que naquela altura era coerente com o maior esforço do estado?

O que é certo…

O ponto de partida de cada hipótese tem de ser uma séria consideração dos factos bem provados:
1) Diz-se que Colon fosse o único que cria que a terra não fosse plana, mas isto é falso: todos sabiam que era redonda. Foi o Eratóstenes que, no segundo século antes de Cristo, calculou o raio terrestre com um erro só de 5%, sem falar das referências de Tomás de Aquino, de Dante e de muitos outros.

2) O presumido erro de avaliação do geógrafo Toscanelli sobre a distância a percorrer, que teria convencido o Colon (através do canónico Fernão Martins de Reriz) do êxito da viagem é absurdo: a distância real entre Portugal e o Japão é de 20.000 km, cinco vezes mais da que um navio da época pudesse enfrentar. Um erro de avaliação desse género por parte dos portugueses do século XV é impossível (mas se falarmos dos espanhóis…).

3) Portugal tinha de enfrentar a crescente ameaça de Espanha recém-unida após o casamento entre Isabel de Castela e Fernando de Aragão; pela sua própria independência em primeiro lugar, mas também pela possibilidade de ter (num futuro próximo, porque naquela altura a potência naval portuguesa era ainda maior) um temível concorrente nas explorações ultramarinas.

Os descobrimentos.

A exploração portuguesa do século XV foi a primeira tentativa consciente e sistemática de globalização do mundo, e foi sustentada por uma grande sabedoria náutica, técnica e geográfica.
O alvo da empresa foi chegar ás Índias, desde o tempo do infante D. Henrique, e neste sentido as ilhas oceânicas e a costa do Brasil tinham importância só como pontos de apoio.
Todos os descobrimentos foram dirigidos pelo governo e realizados pela nobreza, e neste sentido não se compreende como um presumvel genovês, Colombo, de origens humildes, pudesse esperar liderar uma empresa como a que sugeria ao rei (e também como tivesse podido casar uma mulher nobre, filha de um italiano sim, mas Governador dos Açores).

O que é provável…

Há indícios de que as necessidades da política internacional tenham criado os prefácios para um grande engano:

1) Provavelmente os portugueses já conheciam a existência das novas terras desde as primeiras décadas do século: talvez tivesse sido Terranova pelos baleeiros, talvez as Antilhas de que falava a ”Lenda dos sete bispos” (a propósito: ”Antes Ilhas” é uma expressão portuguesa); talvez a mesma costa do Brasil: a presença dos alísios fez com que provavelmente as naus já tivessem atingido a costa do novo continente, talvez nos anos ’80.

2) Bartolomeu Dias descobriu o Cabo da Boa Esperança em 1488: o caminho marítimo para a Índia estava aberto e os portugueses não necessitavam dum novo continente por explorar. Talvez houvesse a ideia de fazer com que os espanhóis, bem dirigidos, descobrissem, ou melhor, acreditassem descobrir a nova terra, e entretanto estivessem convencidos de ter chegado à Ásia.

3) As relações entre Portugal e Castela ficavam reguladas pelo Tratado de Alcáçovas, que obviamente não tinha em conta os novos descobrimentos e a diferente situação politica da península ibérica. Talvez houvesse a necessidade de pensar num novo acordo politico e num projecto de divisão das áreas de influência, e só depois, com as empresas de Colon pela parte espanhola, e de Cabral pela parte portuguesa, “fingir” a descoberta do novo mundo.

A crise de 1492.

Foi neste ano que a Espanha, através de um “golpe internacional”, concretizava o projecto de se tornar a primeira potência mundial.
Com a queda do Reino de Granada completava a “reconquista” e acabava de vez com o problema dos “mouros”; com a ocasião expulsava também os hebreus e introduzia a Santa Inquisição.
Por acaso, o Papa que tinha encarregado o famoso Tomás de Torquemada chamava-se Inocêncio (!) VIII, e era o mesmo que era o hipotético pai de Colon (e de outros quinze filhos ilegítimos, facto pelo qual lhe chamavam de verdadeiro “pai dos romanos”!).
Não aguentava mais: uma noite se deitou-se na cama e estranhamente nunca mais despertou, o que permitiu subir ao trono o ainda pior cardeal Rodrigo Borja y Borja, valenciano por acaso, com o nome de Papa Alexandre VI.
Aproveitando da morte de Lourenço o Magnífico (e da sua “politica di equilíbrio”), os espanhóis prepararam-se para contender os franceses na conquista de Itália, também através das obras dos filhos do Borja: o simpático César (chamado “Valentino”) e a mortal Lucrécia.
Neste contexto internacional, estreou a representação do “descobrimento” do novo mundo (ora essa!).

O que é possível…

1) Cristóvão Colon era na realidade Salvador Fernandes Zarco (“Chamo-me Bond, James Bond”), um pequeno nobre (talvez com sangue Judeu) nascido numa aldeia do Alentejo que ainda agora se chama de “Cuba” (sim, o nome da segunda ilha descoberta além do Oceano!);

2) Para ganhar crédito junto do Rei (naquele tempo era fácil cair em desgraça), aceitou ser usado para ajudar (mas também espiar) os espanhóis, numa empresa financiada em parte, não por ele mesmo, como se disse e como não era possível, mas sim pela coroa portuguesa.

3) dois anos depois, pelo Tratado de Tordesilhas, os portugueses deixavam aos espanhóis, que estariam convencidos de terem atingido em qualquer ponto da costa da Ásia, quase todo o continente sul-americano (quase, porque estranhamente a costa brasileira ficava para Portugal!), e o Tratado de Saragoça, anos depois, completou a operação no oriente.

O nome adapto.

Podiam os espanhóis aceitar a ajuda de um português?
”Business is business”, de certo, mas também o orgulho tem os seus direitos: o Zarco tinha de mudar de nome.
E o que é que era melhor de um nome genovês: Génova, pátria de grandes navegadores, e ainda por cima fidelíssima aliada da Espanha contra os franceses desde os tempos de Andrea Doria.
Os espanhóis achavam-se astutos, mas …

…pronto: Portugal enganou Espanha!

Há provas desta hipótese ?

Como se tratou de um complicado “enredo internacional”, não é fácil reconstruir o que aconteceu realmente, ainda mais porque, pela parte portuguesa, o terramoto de 1755 e o incendio que se seguiu destruiram quase todos os documentos.
Uma coisa interessante é que no epitáfio de Inocêncio VIII foi escrito que, durante o seu reino, foram descobertos “Novos Mundos”: de facto, ele tinha morrido uns meses antes da proeza de Colon, o que faz pensar que os acontecimentos foram em todo o caso diferentes dos que nos conta a versão oficial.
Há mais um relato, do humanista português Rui de Pina, que acho muito interessante: no regresso da primeira viagem da América, os navios foram aos Açores, e daí saíram rumo a Lisboa.
Colon chegou ao Restelo a 4 de Março de 1493 e pediu falar com o Rei, que o recebeu cinco dias depois em Vale do Paraíso, próximo da Azambuja; passou três dias com ele e, quando partiu, não regressou à nau, mas foi primeiro a Santarém abraçar os velhos amigos, e depois visitar a Rainha, com quem esteve até a noite, em Vila Franca de Xira.
Foi dormir a Alhandra e voltou de manhã para embarcar, mas fez uma nova etapa em Faro, onde ficou uma noite; chegou a Palos o 15 de Março: onze dias pois de ter voltado.
Estranho, não é?, com a tripulação espanhola que devia estar ansiosa por regressar de tal viagem!

Um filme interessante.

E assim devia pensar o grande Manoel de Oliveira, que em 2008 rodeou um filme (Cristóvão Colon – O Enigma), baseado no livro de dois emigrantes portugueses nos Estados Unidos, Manuel Luciano da Silva e a sua esposa, Sílvia Jorge da Silva, que defendiam a portugalidade de Colon e que reuniram provas documentais desse facto. O filme foi apresentado em oito Festivais Internacionais (na bienal de Veneza também) e obteve prémios.
A quem perguntava ao realizar se estava convencido da portugalidade do Colon, ele respondeu:
“Não sei… O navegador foi italiano para os italianos, espanhol para os espanhóis e agora é português para os portugueses. Mas nenhum destes países é mais internacionalista do que Portugal”.

Uma derradeira curiosidade, que acho particularmente comovente: a grande empresa de Colon custou realmente pouco, o equivalente moderno de uma soma entre 20.000 e 50.000 euros.

Ás vezes a história é muito barata!
ALESSANDRO CANNARSA