giovedì 26 ottobre 2017

MAIS VALE… Paolo Pasquini



Pedimos aos alunos do segundo nível do Instituto Português de Santo António em Roma para escreverem sobre alguns provérbios portugueses, que têm em comum a sua expressão inicial: «Mais vale...».
Paolo Pasquini escolheu «MAIS VALE UM POBRE ALEGRE QUE UM RICO APAIXONADO (e outros provérbios arriscados)»
Obrigado, Paolo!



Ha uma convicção difusa que nos provérbios está uma sabedoria secular ou, deveras, a “Verdade”(qualquer sentido isto tenha).
 Mas a verdade é que diversos provérbios populares se fundam em distorções cognitivas, falsas crenças e mitos.
E necessário defender-se para proteger a própria saúde mental, talvez bastante precária. Por exemplo, o provérbio “Confiar é bom, desconfiar é melhor” é muito insidioso porque, incluindo alguns elementos de verdade, é sugestivo, mas, tomado a letra, leva à psicopatologia: suspeita exagerada ou até, qual extrema consequência, paranoia.
Na realidade, é mais verdadeiro o contrário: “Desconfiar é bom, confiar é melhor” porque isto é mais saudável. O preço a pagar é aquele de possíveis erros de ingenuidade ou confiança mal reposta, o que é mais compatível com o bem-estar e muito melhor do que a suspeita permanente que representa um obstáculo às boas relações (= relações sem medo), que são o fundamento da saúde mental.
Seja como for, com base em crenças desta natureza tem diferentes postulados ocultos, vários erros de lógica, como por exemplo, a petição de princípio-nominalismo, varias ditorções cognitivas, como, por exemplo, o pensamento dicotómico, o qual é somente uma maneira de simplificar o nosso pensamento e a comunicação, mas tende a falsificar a realidade na sua articolação e complexidade.
O provérbio: “Mais vale um pobre alegre que um rico apaixonado”, é tambem uma asseveração não desprovida de alguns elementos de verdade, mas a uma análise mais atenta, é evidente que esta é uma afirmação que se funda num postulado oculto entre os mais catastróficos para os seres humanos. Em todas as épocas, muitos sofrimentos se originaram de epidemias, carestias, guerras, injustiças, catástrofes naturais, violências, desigualdades, ignorância e imbecilidade. Mas se há uma coisa que foi, é e será o princípio mais poderoso da infelicidade humana, este é o conceito mesmo de felicidade, que leva a cair em ratoeiras, como, por exemplo:
“Porque é que eu não sou feliz?” (talvez tenha em mim mesmo qualquer coisa errada – a culpa é minha – tristeza),
“Porque eu ainda nao sou feliz?” (preciso de fazer mais ou diferente > “mais é melhor”> trabalhos forçados > cansaço, descontentamento, desassossego),
“Todos os outros são felizes” (> inveja, raiva,ressentimento, rancor, maldade, malícia). 
Há muitas variações do mesmo tema, todas fundadas no mito da felicidade e todas levam à infelicidade.
Se o problema neste provérbio fosse somente aquele do estereotipo do “pobre feliz” (parecido àquele do “bom selvagem”) não seria mais terrível.  A catástrofe está no postulado escondido (um mito poderosíssimo):
- a felicidade existe (“tem um nome, deve exister... como Deus!”)
- precisamos e devemos persegui-la (de qualquer maneira: amor sem sofrimento (ah,ah!), dinheiro sem ou com pouco sofrimento, sem dinheiro e sem sofrimento (o “pobre alegre”), poder, fama, cultura, inteligência, sucesso (?)...
- se eu não sou feliz, eu sou um falido e ninguém me apreciará (= me amará). O “rico apaixonado” aparece como um caracter patético, se não ridículo, um que perdeu. Pelo contrário “o pobre alegre” aparece simpático, astuto, vencedor.
A sugestão, implicita mas muito potente, da necessidade de perseguir a felicidade (nunca definida!) representa a melhor garantia de infelicidade entre as muitas maneiras de complicar a vida que o homo sapiens, na sua insípida superioridade evolutiva, conseguiu encontrar.
Duas perguntas:
1.            Mas vocês conhecem mais pessoas felizes ou infelizes?       
2.            E se as pessoas felizes fossem aquelas que cessaram de perseguir a felicidade?
Certamente, se por “pobre alegre” nós entendemos isto, e por “ricos apaixonados” entendemos aquelas pessoas que perseveram na procura da felicidade (a segurança do inferno na terra), então eu posso estar de acordo com este provérbio.
Mas eu acho que o perigo de reforçar, duma maneira ou de outra, a catástrofe ideológica da felicidade, um falso ídolo, existe sempre e nós temos a obrigação moral de  proteger as pessoas que amamos e nós mesmos do perigo da felicidade, um conceito perverso.
                               Felice lo dici a tua sorella!

PAOLO PASQUINI

mercoledì 25 ottobre 2017

Campo dei Fiori

Poesia de José Tolentino Mendonça, no bordado de Benhy Bradshaw Costello - uma das peças presentes na exposição “Agulhas Falantes: ‘lenços de namorados’ e altri ricami rivisitati", patente na Galeria do Instituto Português de Santo António em Roma, até ao fim deste mês.




Não sei que tempo duram as frésias
a rendição de um corpo
é sempre tão inesperada


 JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, “Campo dei Fiori” in De igual para igual (2000)


 


La rivisitazione dei fazzoletti di corteggiamento portoghesi costituisce il nucleo della mostra. Elementi iconici della cultura popolare del Portogallo, i “Lenços de namorados” o “lenços de pedido” erano ricamati con frase d’amore e disegni ingenui da ragazze in età di sposarsi e usati come simboli del loro amore per il fidanzato non ancora dichiarato oppure partito in mare. Benhy Bradshaw Costello rivisita il genere inserendo citazioni letterarie e giocando sull’incontro tra cultura popolare e poesia. Allo stesso modo reintrepreta il motivo d’oreficeria del cuore di Viana o ancora modifica vecchie fotografie trovate al famoso mercato delle pulci di Lisbona, la Feira da Ladra. Il lavoro di Benhy si incentra sulla rilettura delle figure del passato e le diverse parti della mostra sottolineano la ricerca di riappropriazione della tradizione, con una svolta talora comica talora, al contrario, più seria ed elevata.

La mostra rimarrà aperta fino al 30 ottobre (tutti i giorni dalle 17.00 ale 20.00, IPSAR, Via dei Portoghesi, 6).



Universidade Católica comemora 50 anos

in RADIO VATICANA: http://www.news.va/pt/news/portugal-universidade-catolica-comemora-50-anos


Com o lema “Construir a Cultura do Encontro”, a Universidade Católica Portuguesa assinala este domingo os 50 anos da sua criação.
A sessão solene comemorativa deste ano decorreu esta sexta-feira em Lisboa, durante a qual foram entregues as cartas doutorais a 75 novos doutores de 2016 e as medalhas de prata aos colaboradores que completam 25 anos na academia, e atribuídos títulos de beneméritos da instituição a Alexandre Soares dos Santos, António Pinheiro Torres e, a título póstumo, Joaquim Silva Torres.
Na sua intervenção, D. Manuel Clemente, Magno Chanceler da “Católica” reafirmou a missão da Universidade, ideia que reafirmou depois aos jornalistas considerando que “se a UCP puder ser o laboratório de uma cultura integrada, presta um enorme serviço à sociedade portuguesa”.
Já a reitora da “Católica” Isabel Capeloa Gil sublinhou a importância de uma cultura do encontro e anunciou que vão ser apresentados dois estudos por ocasião dos 50 anos da instituição: Um sobre a História da Universidade Católica Portuguesa, coordenado e dirigido por Manuel Braga da Cruz, e o ‘Católica 50’, encomendado ao CESOP, sobre o “contributo efetivo da UCP para a criação de riqueza em Portugal”.



De Lisboa, a reportagem do correspondente Domingos Pinto in http://www.news.va/pt/news/portugal-universidade-catolica-comemora-50-anos

Universidade Católica Portuguesa em audiência com o Papa no 50.º aniversário da instituição



http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/vaticano-papa-vai-receber-responsaveis-da-universidade-catolica-portuguesa/

Lisboa, 09 out 2017 (Ecclesia) - O Papa Francisco vai receber em audiência uma delegação da Universidade Católica Portuguesa (UCP), a 26 de outubro, no Vaticano, por ocasião dos 50 anos da instituição académica.
O encontro decorre no primeiro dia da peregrinação da UCP a Roma, por ocasião do seu cinquentenário, adianta a página da universidade na internet, que divulga o programa comemorativo.
A audiência está prevista para as 12h00 de Roma (menos uma em Lisboa), seguindo-se, pelas 16h00, uma sessão comemorativa na Pontifícia Universidade Gregoriana, cujo reitor é o jesuíta português padre Nuno Gonçalves.
A igreja de Santa Ana, no Vaticano, acolhe a 27 de outubro a Missa de Ação de Graças pelos 50 anos da Universidade Católica Portuguesa; às 18h30 decorre um concerto de Órgão na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, seguido da receção oferecida pela UCP.
O Centro Regional de Braga da UCP vai associar-se às celebrações no dia 13 de outubro, com uma sessão solene na Aula Magna da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, a partir das 14h00.
A 15 de outubro, pelas 17h00, a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, recebe o concerto comemorativo dos 100 anos das Aparições de Fátima e dos 50 anos da Universidade Católica.
Dois dias depois, o cardeal-patriarca e magno chanceler da UCP, D. Manuel Clemente, inaugura o Ciclo de Grandes Conferências ‘Futuros Globais’, em Lisboa, com uma intervenção subordinada ao tema ‘50 anos de Ciência para um Futuro Global’, a partir das 17h00.
A UCP é reconhecida pelo Estado como “instituição universitária livre, autónoma e de utilidade pública”.
A criação da Universidade Católica data de 1967 e o reconhecimento oficial de 1971.

Octávio Carmo in  http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/vaticano-papa-vai-receber-responsaveis-da-universidade-catolica-portuguesa/

venerdì 20 ottobre 2017

Portugal é MÁTRIA: Christine Vitali



Pedimos aos nossos alunos de nível avançado do Instituto Português de Santo António em Roma para escreverem sobre algumas mulheres notáveis da cultura portuguesa. Christine Vitali escolheu SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN.
Obrigado, Christine!



Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de julho de 2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante prémio literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1998. E recebeu também o prémio ibérico Rainha Sofia, que recompensa autores de língua espanhola e portuguesa, em 2004 - quer dizer, só um ano antes da morte.

O seu apelido ANDRESEN vem do bisavô dinamarquês que, chegado jovem ao Porto para fazer negócios com o vinho do Porto, casou com uma rapariga da aristocracia portuguesa e nunca voltou no país de origem.

A Sophia cresceu na quinta dos avós, rodeada dum grande parque, que no futuro se tornaria no jardim botânico do Porto. Teve uma infância feliz numa família de crença católica com valores tradicionais, que apoiava o rei e era contra a ditatura salazarista. 

Já aos 12 anos, Sophia iniciou a escrever os primeiros poemas ispirados no parque da quinta e na praia onde fazia as férias com a família. Portanto, o tema do mar foi a sua ispiração principal no famoso livro A MENINA DO MAR que escreveu quando já era mãe, oficialmente para satisfazer os desejos dos seus filhos.

Na juventude, Sophia estudou filologia e colaborou com revistas de poesia. Casou com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, e teve 5 filhos.

No total escreveu 37 livros, de quase todos os géneros de escrita: poesia, peças de teatro, contos infantis, traduções, literatura. O seu interesse espalhava-se por assuntos ligados à natureza, à infância, à juventude, à literatura clássica grega, sem esquecer o seu empenho político na luta contra o regime ditatorial. 

O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014.

Eis algumas opiniões sobre a obra da Sophia, pelos mais importantes críticos literários portugueses:  uma sensibilidade de poeta, uma sobriedade extremamente dominada, uma rara exigência de essencialidade, um apelo generoso, uma comunhão humana, um calor de vida, uma franqueza rude no amor, um clamor irredutível de liberdade –  sem compromissos nem vacilações. Uma grande mulher.

CHRISTINE VITALI

giovedì 19 ottobre 2017

Portugal é MÁTRIA: Valeria Zimei



Pedimos aos nossos alunos de nível avançado do Instituto Português de Santo António em Roma para escreverem sobre algumas mulheres notáveis da cultura portuguesa. Valeria Zimei escolheu MARIA DE LOURDES PINTASSILGO.
Obrigado, Valeria!



Maria de Lourdes Pintasilgo foi uma mulher excecional por muitas razões, mas sobretudo por ser a primeira mulher a desempenhar o cargo de primeira-ministra em Portugal entre os anos 1979-1980. Foi também a terceira na Europa, depois da croata Savka Dabčević-Kučar e dois meses depois da tomada de posse de Margareth Thatcher no Reino Unido.
Falando sobre a biografia, ela cresceu numa família numerosa, com a qual se mudou para Lisboa quando tinha sete anos.
Com 23 anos, licenciou-se em Engenharia Química, numa época em que, ainda mais que agora, eram poucas as mulheres que escolhiam essa carreira. Já durante os anos universitários começou o seu compromisso com as questões sociais e com a divulgação da religião catolica, apesar do facto de a sua família não ser de nenhum modo religiosa.
No mesmo ano da licenciatura, trabalhou na Junta de Energia Nuclear e foi sucessivamente nomeada chefe da companhia União Fabril, empresa portuguesa do setor químico, que nunca tinha aceite uma mulher nos quadros superiores antes disso.
Nos anos seguintes desempenhou diferentes funções executivas na administração portuguesa em matérias de trabalho e previdência social, particularmente em relação à partecipação das mulheres na vida económica do pais.
Depois da revolução de 1974, foi nomeada Secretária de Estado da Segurança Social no I Governo Provisório.
Foi ministra de Assuntos Sociais, e o programa de acção concebido durante o seu cargo foi classificado “programa-modelo” por parte do Secretariado do Desenvolvimento Social para a Europa da ONU. Na mesma ONU, permaneceu como embaixadora delegada de Portugal e membro do Conselho Executivo da UNESCO até a 1979, quando foi indicada chefe do V Governo Constitucional por parte do Presidente, General António Ramalho Eanes, um governo de gestão formado para preparar as eleições legislativas daquele ano.
Foi também candidata independente às eleições presidenciais de 1986, que não conseguiu vencer por não ser apoiada por algum partido.
Por fim, entre os anos 1987 e 1989 foi deputada no Parlamento Europeu como independente, integrada no Grupo Socialista e foi também a primeira mulher a receber a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. 

VALERIA ZIMEI