mercoledì 6 maggio 2015

La parola allo studente: Matteo Canale, "Em Abril, águas mil, canta o carro e o carril"

Ainda falamos de Abril, neste início de mês de Maio. Um texto de Matteo Canale, nosso aluno do 1º nível.Cheio de humor, como sempre!
 Obrigado, Matteo!



Em Abril, águas mil, canta o carro e o carril

Embora estejamos no meio de Abril, ainda não posso compreender se este “é o mais cruel dos meses” ou “o mês encantado”, como lemos nos versos do T. S. Eliot (porquê tão crítico? talvez alérgico aos lilases?) ou no romance de D. Elisabeth von Arnim (seguramente alérgica ao marido).  

Uma coisa é certa: tenho poucas ideias, mas muito confusas. 

Então, entre uma gripe e o primeiro fim de semana do ano sob o sol escaldante da praia, não sei se é mais útil ter em atenção os poetas e as rimas deles, onde sempre se oculta um pequeno grão de verdade, ou se é melhor abandonar os versos para cultivar o nosso espírito com as ciências verdadeiramente exatas: a leitura da mão, o voo das aves, a comparação quotidiana dos horóscopos (que é quase uma meteorologia, mas muito mais sentimental.)  

Então, em Abril, tudo se vai confundir. Cruel ou encantado? 

Tento expressar-me e peço perdão se às vezes - na explicação - vou abrir o meu chapéu de chuva ou tossir e espirrar: estas são as desvantagens das estações... 

Acho que Abril é o mês da máxima dúvida, por consequência é um mês muito sábio: como um filósofo oriental, Abril ensina-nos - com os factos só e nenhuma teoria - a não desperdiçar o nosso tempo e a viver o momento neste exato momento! 

Um mês generoso e feroz: traz consigo uns dias cheios de luz poderosa, típica do verão, que nos doura como os camarões; mas, de repente, o céu traduz-se num telhado de chumbo e vai cair uma chuva bíblica, que então não perdoa. 

Abril é um mês muito musical: tudo é acompanhado para uma percussão constante, de tom seco e baixo: um tapete rítmico, muito mais silencioso que uma prece cantada numa procissão longe demais. Mas, subitamente, Abril manifesta-se com uma descarga életrica, que ninguém espera. Então Abril é o mês mais imprevisível que os outros no ano: tudo pode acontecer. 

No domingo, de manhã, o céu está tão azul e imperturbável que em frente das suas flores incrédulas você pode decidir levar para o sótão todas as roupas quentes: adeus ao cachecol do avô, às luvas ásperas ao tacto, perfeitas para a próxima viagem ao Pólo Norte: o inverno já acabou! Neste domingo gordo de sol e de nuvens brancas, vai convidar os seus amigos para andar de bicicleta pela cidade e finalmente vai vestir-se com os seus calções curtos e a camisinha leve, que  comprou naquela loja há seis meses. Mas, poucas horas depois, um vento rancoroso começa a atacar as suas costas e o seu pescoço; ao meio-dia o céu benevolente oferece-lhe uma espécie de ultimato, mas você tem poucas possibilidades: é preciso procurar as copas das árvores ou um restaurante onde proteger-se, mesmo se  tem uma chaminé e se você terá de ler numa ementa só as sopas da tradição russa… 

Ó meu querido Abril: porque não duras quinze dias só?

MATTEO CANALE

João Louro rappresenta il Portogallo alla 56ª Biennale di Venezia

http://www.roma.embaixadaportugal.mne.pt/it/l-ambasciata/notizie/592-l-artista-joao-louro-rappresenta-il-portogallo-alla-56-biennale-di-venezia.html



"I Will Be Your Mirror / Poems and Problems” è il progetto che il Padiglione del Portogallo presenta alla Biennale Arte di Venezia All the World's Future.

Con l’Alto Patrocinio del Governo de Portugal, Secretário de Estado da Cultura e la Direção-Geral das Artes, la rappresentazione ufficiale nell'edizione portoghese d'Arte Biennale di Venezia del 2015 conta anche con la partecipazione della Fondazione EDP.

La curatrice è la critica d’arte María de Corral della Fundação EDP

Istituto Veneto di Scienze, Lettere e Arti - PALAZZO LOREDAN

​Campo Santo Stefano 2945
9 maggio -  22 novembre

João Louro è nato nel 1963, a Lisbona, la città dove vive e lavora. Ha studiato architettura presso l'Università di Lisbona Architettura e pittura alla Scuola AR.CO.


Nel 2005 João Louro ha partecipato alla 51 ° edizione della Biennale di Venezia, con la mostra "L'esperienza dell'arte" presso il Padiglione d'Italia.

Il suo lavoro abbraccia pittura, scultura, fotografia e video. Con particolare attenzione alle avanguardie, partendo dalla minimal art e all’arte concettuale, il lavoro di João Louro si presenta inscindibile dell’orizzonte culturale della modernità e della società post-industriale. Minimalismo, concettualismo, cultura pop, strutturalismo e post-strutturalismo, e autori come Walter Benjamin, Guy Debord, Georges Bataille, Blanchot o artisti come Donald Judd o Duchamp, formano la trama espressiva di João Louro.

La sua opera è presente in diverse collezioni pubbliche e private: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Colecção António Cachola, Elvas; Fundación ARCO, Madrid; Margulies Collection, Miami; Jumex Foundation, Mexico; Fundação de Serralves (MACS), Porto; Coleção BES, Lisboa; MACRO Museo d’Arte Contemporanea Roma, Roma. Museu do Caramulo, Caramulo; Coleccion Helga de Alvear, Madrid; Coleccion Purificacion Garcia, Madrid. In Porotgallo il suo lavoro è rappreesentato dalla Galeria Cristina Guerra Contemporary Art, di Lisbona, negli Stati Uniti dalla Christopher Grimes Gallery di Los Angeles.

martedì 5 maggio 2015

Todos nós temos Amália na voz

Diz-se que conforme a língua que falamos, assim a nossa voz se modifica, adquirindo um timbre específico.
Quem aprende Português - diz-nos António Variações - tem por força de ter Amália na voz!





Fiz dos teus cabelos a minha bandeira
Fiz do teu corpo o meu estandarte
Fiz da tua alma a minha fogueira
E fiz, do teu perfil, as formas d’arte

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

Dei o teu nome à minha terra
Dei o teu nome à minha arte
Dei a tua vida à primavera
Dei a tua voz à eternidade

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

Fiz das tuas lágrimas a despedida
Dei aos teus braços a minha dança
Dei o teu sentido à minha vida
E o grito dei-o ao nascer de uma criança

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

As tuas mãos ao meu destino
O teu olhar ao horizonte
Dei o teu canto à marcha do meu hino
Dei a tua voz à minha fonte

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz

A voz de todos nós

La parola allo studente: Alessandro Paoloni, "Na primavera... não bebas com o estômago vazio"

Agradecemos o texto divertido ao nosso aluno Alessandro Paoloni, que estuda Português no 1º nível do Instituto Português de Santo António em Roma.



Na primavera...não bebas com o estômago vazio

“Boa tarde senhor, quer algo para beber?”
“Um cuba libre, faz favor.”

...Ah como gosto da primavera!

Às sete da tarde o céu em Roma ainda está colorido de rosa e parece que as dias não terminam mais. A gente põe vestidos frescos e mais coloridos do que no inverno: t-shirts, saias curtas, camisas em linho, vestidos de manga curta... e as raparigas na primavera... woow!!!

“Faz favor, traga-me outro, mas menos forte que aquele de antes. Ainda não tomei o meu jantar.”

...Neste fim de semana vamos à praia de Ostia. Saímos cedo de casa, pomos uma toalha no saco e partimos no carro do meu primo. (Vou dizer-te um segredo: a praia de Ostia na primavera é estupendíssima. Não há muitas pessoas, o ar está fresco e as bebidas nos cafés são menos caras do que no verão.) Se gostas de fazer deporto, há muitos espaços dedicados a ele, campos de ténis e de voleibol de praia.)

“Toma outra bebida?”
“Sim, o último cuba libre e depois traga-me a conta, faz favor”.

O que é que estava dizendo?
Ah, sim... a primavera... quando andas pelas ruas de Roma sentes os cheiros de flores misturados àqueles da cozinha... e ouves música de rua e mil línguas que vêm de todas as esquinas do mundo.

“Obrigado... fogooo! 20 euros de cuba libre!!!”

Que boa é a primavera, mas também cara!

Deixo o dinheiro, levanto-me da cadeira, ponho o copo em cima da mesa e vou passeando até casa. Antes de chegar quase caio no chão... bebi talvez demais... mas como é boa a primavera.

Alessandro Paoloni

lunedì 4 maggio 2015

Recordar Mário Feliciano

a 20 anos da sua morte


MÁRIO FELICIANO (1951-1995)

Bolseiro da Fundação Gulbenkian em Roma, onde estudou encenação teatral com Orazio Costa na Accademia Silvio d'Amico e trabalhou com Luca Ronconi, recentemente desaparecido, Mário Feliciano foi um importante construtor de pontes entre Portugal e Itália. À Bienal de Veneza de 1980 trouxe, pela primeira vez, um texto de António José da Silva, que ele mesmo traduziu, e foi também o tradutor e introdutor do teatro de Pasolini em Portugal. No ano em que passam 20 anos sobre o seu desaparecimento, recordamos Mário Feliciano em Via dei Portoghesi.

João Moita dedicou-lhe este poema:

Ao Mário Feliciano 

Altos foram os ritos,
distribuindo a perda e a loucura
pelas horas de assombração.
Alta foi a miragem,
as lunações de deus,
o horto onde amadurecem
as rosa brancas
que a tua mãe plantou
antes de partires.

Tu soubeste tão depressa como só o efémero
se inscreve nessa ordem superior
dos veios da terra e dos punhais.

Alta é esta terra de blasfémia
e prolongada espera.
Assim o teu talento,
brumoso e crepuscular.

Tu sabes como são aqui os dias de chuva –
o vento pelos eucaliptos,
a barragem dilatada,
a vala,
os campos à mercê
da melancolia e da solidão.

Tu sabes que cruéis foram os ritos,
altos e cruéis.
Cruéis foram as miragens,
as lunações de deus,
os seus oráculos,
o horto que a tua mãe ainda trata,
cortando-se nos espinhos,
para que ao menos a tua ausência não doa
onde se cravam.
João Moita


INFOPEDIA
Encenador português, Mário Feliciano nasceu em 1951. Desde cedo demonstrou especial apetência e interesse pela arquitetura. Foi, no entanto, a encenação que marcou a sua curta vida profissional. Partiu para Itália, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1973. No ano seguinte ingressa no curso de encenação da Accademia "Silvio d'Amico", em Roma, onde foi aluno do encenador Orazio Costa. Apresentou, como exame final do curso, a peça A Casa de Bernarda Alba de Federico Garcia Lorca. Em 1978 e 1979 foi assistente de encenação de Luca Ronconi, um dos mais marcantes encenadores europeus, colaborando na apresentação das peças Papagallo Verde e La Torre. Em finais de 1981 regressou a Portugal, desenvolvendo atividade como encenador de teatro e ópera. Trabalhou alguns textos fundamentais do teatro do século XX, nomeadamente de Pier Paolo Pasolini e de António Patrício, dois dos seus autores preferidos. Encenou a ópera de Maria de Lurdes Martins As Três Máscaras (1983), no Teatro Nacional de S. Carlos. No Teatro S. Luís encenou a peça de Luigi Pirandello Seis Personagens à Procura de um Autor (1985). Mário Feliciano demonstrou em todos os espetáculos que realizou uma grande capacidade inventiva na criação de espaços cénicos e na direção de atores. Algumas das suas encenações conheceram certa polémica pela radicalidade das opções estéticas. Desde 1987 foi professor da disciplina de Representação Cénica do curso de Canto da Escola Superior de Música de Lisboa. Realizou também algumas traduções de importantes peças de teatro, das quais se destaca Calderón. Foi ainda um dos sócios-fundadores do Teatro da Politécnica, em 1989, que teve vida efémera. Trabalhou frequentemente com os arquitetos Graça Dias e Egas José Vieira, responsáveis por alguns dos cenários das peças que encenou e produziu. O seu último trabalho teatral foi a encenação da peça de António Patrício Dinis e Isabel (1994). Faleceu vítima de sida em 1995.

VER também
http://atuailha.blogspot.it/2006/07/o-teatro-como-quixote-da-memria.html
http://www.artistasunidos.pt/artistas-unidos/45-publicacoes/revista/675-revista-no-16


"Bestiario Lusitano" al Salone Off di Torino - 12 maggio

IN http://www.roma.embaixadaportugal.mne.pt/it/l-ambasciata/notizie/586-presentazione-del-libro-bestiario-lusitano-al-slone-off-di-torino-12-maggio.html


La libreria "Bardotto" di Torino, nell'ambito del Salone Off in concomitanza con il Salone del Libro di Torino e la casa editrice Scritturapura presentano il volume "Bestiario lusitano", antologia di racconti firmata dai maggiori scrittori portoghesi, fra cui Teolinda Gersão, Lídia Jorge, Ana Teresa Pereira, Pedro Paixão e Miguel Torga.

LIBRERIA IL BARDOTTO
VIA GIUSEPPE MAZZINI 23
MARTEDI' 12 MAGGIO 2015 ORE 19:30

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