mercoledì 12 novembre 2008

Ainda Giuseppe Carlo Rossi

Imagem do quotidiano de Nápoles por Conceição Praia. Quadro presente na exposição "Napoli, una passione", na galeria do Instituto Português de Santo António em Roma.


Palavras da Professora Doutora Maria Luisa Cusati (Facoltà di Lettere dell’Università L’Orientale di Napoli) a respeito do convénio que organizou no fim do passado mês de Outubro, em Nápoles, para homenagear a memória do primeiro lusitanista italiano, Giuseppe Carlo Rossi.


Noticiado em Via dei Portoghesi:
http://viadeiportoghesi.blogspot.com/2008/10/homenagem-ao-primeiro-lusitanista.html


"A nossa iniciativa resultou interessante para muitos que colaborarão na realização dum livro que permita não esquecer quem teve a capacidade de iniciar.
O português inicialmente era uma língua que se estudava dentro das actividades da Filologia Românica ou da Língua e literatura espanhola; com ele começou a ganhar dignidade propria e creio que, além de outras, esta seja uma boa razao para nao o esquecer."

Site da Associazione Italia-Portogallo
http://www.lusomondo-italia.it/

martedì 11 novembre 2008

"A Corte do Norte" VIII - por Isabel Sperl

Comentário de uma aluna de Português ao filme "A Corte do Norte" de João Botelho, visto em grupo na passada sexta-feira, dia 31 de Outubro.

É um filme misterioso que trata de várias gerações duma família que vive na Madeira em casas grandes e lugares magníficos ao longo das costas da ilha. Uma menina jovem é obcecada com o saber a história verdadeira duma mulher nobre, sua antepassada, e indaga sobre o destino de outras mulheres: uma enforca-se, outra manda-se ao mar (?) e desaparece, outra ainda é uma prostituta … ou é uma actriz famosa?; no total creio que são cinco, todas representadas por uma única actriz, Ana Moreira.

O filme move-se através do tempo e das gerações. A cenografia: quadros de muitas pessoas em vestidos ornamentais evocando as pinturas do século XVII, estilo claro-escuro. A luz é dramática; a música é clássica. Seguir toda a trama é bastante difícil, sobretudo se não se conhece a novela. As legendas são muitas e longas. Parece-me que os mistérios restam mais ou menos obscuros. A actuação excelente e admirável da Ana Moreira foi o que me impressionou mais deste filme.

ISABEL SPERL

"A Corte do Norte" VII - por Rocco Costantino

Comentário de um aluno de Português ao filme "A Corte do Norte" de João Botelho, visto em grupo na passada sexta-feira, dia 31 de Outubro.

O filme “A corte do Norte” de João Botelho é difícil, importante e poderíamos descrevê-lo como um “filme literário”. A maneira de o fazer, às vezes estática e obscura, lembra-me os filmes góticos de Pete Greenaway.
As coisas que me pareceram mais significativas são as seguintes: -a natureza; - a actriz; - o significado da história.
Natureza é a ilha de Madeira, sempre vista como selvagem e hostil. O mar nunca é imagem de serenidade e de paz, mas de violência e até mesmo de morte.
A interpretação de sete diferentes personagens por Ana Moreira é assombrosa e constitui o grande atractivo e valor do filme.
A história do filme pode ser avaliada de diferentes maneiras:
- a história de uma paixão e de uma energia transmitida de geração em geração por várias mulheres
ou
- a história das tentativas de gerações de mulheres de uma sua fuga da condição de inferioridade social e cultural (esta é a interpretação que prefiro).
Seja qual for a interpretação da história, o que não muda é o papel dos homens, sempre perdidos por paixões e vícios ridículos, mestres ou escravos de mulheres, das quais não têm nada a dizer.

ROCCO COSTANTINO

venerdì 7 novembre 2008

Magusto em Santo António dos Portugueses


Questa Domenica, dopo la messa domenicale presieduta dal Rev. P. Jeremy Rodrigues, ordinato sacerdote il 28 Giugno scorso, avrà luogo nel cortile dell’Istituto Portoghese di Sant'Antonio il tradizionale MAGUSTO (castagnata), occasione di convivio tra la comunità portoghese e tutti gli amici romani che vorranno parteciparne.

Ma... che cos’è un MAGUSTO e a che tradizione si collega?
Il magusto è una festa popolare, le cui espressioni cambiano leggermente a seconda delle diverse regioni del Portogallo. Di solito, gruppi di amici e famiglie si concentravano intorno al fuoco dove si arrostivano le castagne, che si mangiavano poi accompagnate dalla “jeropiga” (vino dolce) o vino novello. Insieme al pasto si cantava e si giocava – un’occasione per mantenere unita la comunità.
È possibile, come sosteneva il grande etnografo portoghese Leite de Vasconcelos, che il magusto sia un lontano successore dei sacrifici che si facevano per onorare i morti. Però, intimamente associata alla celebrazione di San Martino, il magusto ricorda anche la leggenda secondo la quale un soldato romano, passando a cavallo vicino ad un vagabondo quasi nudo, e non avendo nient’altro da dargli, ha tagliato a metà la sua cappa con la spada. Il giorno, che era di pioggia e freddo, diventò luminoso e caldo, e per questo, in Portogallo, a questi giorni più miti intorno al 11 novembre, sono tradizionalmente definiti “estate di San Martino”.
IN

"A Corte do Norte" VI - por Massimiliano Rossi

Comentário de um aluno de Português ao filme "A Corte do Norte" de João Botelho, visto em grupo na passada sexta-feira, dia 31 de Outubro.

João Botelho intriga mas não envolve. Suscita interesse mas não entusiasma. Falta alguma coisa ao filme "A Corte do Norte", algo que não é fácil de definir, quase como acontece à(s) protagonista(s): ela também sente a falta de qualquer coisa mas não sabe exactamente do quê.
Constrangida à ilha da Madeira, Rosalina fica presa num matrimonio que lhe dá a possibilidade de conhecer a alta sociedade (a sua admiração pela princesa Sissi tornar-se-à numa ambígua obsessão) mas que limita demais a sua vontade de partir para conhecer o mundo. Ou até partir o próprio mundo hipócrita com as suas ideias feministas ante litteram.
O ritmo é lento, mas adequado ao ambiente aristocrático que se pretende narrar, dando também a sensação do tempo que passa inexorável. Genial, de qualquer maneira, a escolha de Ana Moreira como única interprete das personagens que, na realidade são, nada mais nada menos, que as diferentes caras da mesma protagonista: Sissi-Rosalina-Emília-Águeda-Rosamunde. Esplêndida a fotografia de João Ribeiro, quase irreal, como irreal deve ter parecido (ou melhor "aparecido") a ilha da Madeira aos navegadores portugueses que ali se instalaram no século XV, com as suas paisagens de cortar a respiração e a sua flora exótica. Fica adúvida se o digital foi propositadamente escolhido para realçar a frieza das ondas do Atlântico e melhor representar a frieza das pessoas que rodeiam a baronesa, em contraste porém com a referência pictórica à pintura de Caravaggio, caracterizada pelo sábio uso da luz do pintor italiano. Uma luz quente que queima a tela.Talvez seja isso o que falta aos filmes de Botelho para brilhar e obter o "diploma": a queima das fitas...mas aquelas do cinema!
MASSIMILIANO ROSSI

giovedì 6 novembre 2008

Faleceu Milú, a menina bonita do cinema português

Os alunos que participaram, no ano passado, nas actividades de sábado da Faculdade de Letras da Roma Tre, assistindo ao ciclo de cinema português "a preto e branco", lembram-se certamente dela: a "menina bonita" do cinema português, Milú, faleceu ontem, em Cascais.



Como nos diz a notícia publicada na edição de hoje do Diário de Notícias, de Maria João Caetano, Milú foi uma precursora e uma verdadeira estrela popular. Aqui fica o artigo e a nossa saudade.


Chamava-se Maria de Lurdes de Almeida Lemos mas todos a conheciam como Milu, a primeira vedeta do cinema português. Tinha 82 anos e uma beleza rara, que manteve até ao dia da morte, que aconteceu ontem, na sequência de uma infecção respiratória.

A primeira vez que aparecia em O Costa do Castelo já trazia um sorriso aberto e uma voz cantada com que anunciava "bom dia". Estava tudo lá. O olhar lânguido num rosto ingénuo, corpo de formas perfeitas numa personagem de menina bem comportada. Milu, que tinha apenas 16 anos, tornou-se imediatamente uma figura popular, e sua voz ficaria para sempre associada aos temas Cantiga da Rua e A Minha Casinha.

Mas a sua carreira tinha começado muito antes. Desde miúda que trabalhava na Rádio Graça e na Rádio Sonora, fazia recitais e jogos florais, gravava discos. Em 1938, aos 11 anos, estreou-se no palco do Eden-Teatro como vedeta da revista infantil O Preto Mazalipatão. No cinema, participou, com outras crianças, em A Aldeia da Roupa Branca. E, em 1939, já era uma das vozes principais da Emissora Nacional. A sua fotografia publicada no Século Ilustrado, em 1942, em que era apresentada como "a mais bela flor da rádio" despertou a atenção dos dirigentes da Tóbis Portuguesa e do realizador Artur Duarte, que a chamaram para fazer a Luisinha em O Costa do Castelo, ao lado de António Silva, Maria Matos e Curado Ribeiro.

José de Matos-Cruz, historiador do cinema português, recorda-a como "um verdadeiro animal de câmara", como havia poucos naquela altura. "A espontaneidade, o olhar irradiante, o sorriso, a beleza, a maneira como se movimentava, a vibração com a câmara, a Milu tinha uma cinegenia natural."

Abriram-se portas. Fez publicidade, foi capa de revista, derramou glamour em mil entrevistas. Depois de filmar Doce Lunas de Miel chegou a ter convites para trabalhar mais em Espanha e até em Hollywood mas recusou sempre. Tinha 17 anos e muito medo de sair do País. Além disso, estava prestes a casar-se.

Quatro anos depois, desfeito o casamento, regressa em grande. Foi o tempo de O Leão da Estrela (1947, também de Artur Duarte), A Volta do José do Telhado (1959), O Grande Elias (1950), Vidas Sem Rumo (1956), Dois Dias no Paraíso (1958). Também fez teatro, embora tenha assumido que preferia a câmara ao palco. Em 1961 nova interrupção. Emigrou para o Brasil com o segundo marido.

Em momentos decisivos da sua carreira, lembra Matos-Cruz, Milu "preferiu sempre a vida pessoal, sacrificando a carreira que poderia ter tido um outro fulgor". Voltou oito anos depois para fazer mais filmes, várias peças e algumas revistas. Mas os problemas de saúde e as contingências do mercado não favoreceram a sua carreira. Viveu sempre com a sensação de que deixou escapar o seu tempo. No cinema, o seu último papel foi em Kilas, o Mau da Fita, de José Fonseca e Costa (1981).

O corpo de Milu vai estar em câmara ardente na igreja de São João do Estoril e o funeral realiza-se hoje, às 1 6.00, para o cemitério daquela localidade.


IN
http://dn.sapo.pt/2008/11/06/artes/milu_a_primeira_vedeta_cinema_portug.html

VER também

89 anos de Sophia, e 4 sem ela...

Recordação de uma das mais altas vozes do século XX português, Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6.11.1919-Lisboa, 2.7.2004), no dia em que faria 89 anos...


Os gregos

Aos deuses supúnhamos uma existência cintilante
Consubstancial ao mar à nuvem ao arvoredo à luz
Neles o longo friso branco das espumas o tremular da vaga
A verdura sussurrada e secreta do bosque o oiro erecto do trigo
O meandro do rio o fogo solene da montanha
E a grande abóbada do ar sonoro e leve e livre
Emergiam em consciência que se vê
Sem que se perdesse o um-boda-e-festa do primeiro dia

Esta existência desejávamos para nós próprios homens
Por isso repetíamos os gestos rituais que restabelecem
O estar-ser-inteiro inicial das coisas -
Isto nos tornou atentos a todas as formas que a luz do sol conhece
E também à treva interior por que somos habitados
E dentro da qual navega indicível o brilho


In Obra Poetica III, Caminho, 1991

VER
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sophia_de_Mello_Breyner