venerdì 16 aprile 2010

Amanhã às 19h00: pianista Filipe Pinto-Ribeiro toca em S. António dos Portugueses


ISTITUTO PORTOGHESE DI SANT'ANTONIO IN ROMA


Sabato 17 Aprile 2010, Ore 19:00

Via dei Portoghesi, 2I-00186 Roma


Pianista: Filipe Pinto-Ribeiro (Portogallo)


Patrocinio:INSTITUTO CAMÕES


ANIMA RUSSA


Programma:
Borodin“No Convento”
Balakirev “Berceuse”
CuiPrelúdio Op. 64 N. 8
Rimsky-Korsakov“Pesenka”
Mussorgsky“Quadros de uma Exposição”




Filipe Pinto-Ribeiro, PianistaFilipe Pinto-Ribeiro è nato a Porto nel 1975. Ha studiato al Conservatorio Tchaikovsky di Mosca allievo della famosa Professoressa e pianista Liudmila Roschina, conseguendo con il massimo dei voti il Dottorato in Performance Musicale – Piano. Ha inciso diversi C.D.’s che hanno ottenuto un grandissimo successo da parte del pubblico e della critica musicale. Svolge un’intensa attività concertistica, abbracciando un vasto repertorio che va dal Barocco ai nostri giorni. In alcuni concerti è stato accompagnato da musicisti di valore come José Van Dam, Gérard Caussé, Pascal Moraguès, Tatiana Samouil, Pavel Gomziakov, Philippe Graffin o Christian Poltéra. È direttore artistico dello Schostakovich-Ensemble, Ensemble stabile al Centro Culturale di Belém. Suona frequentemente come solista accompagnato da diverse orchestre e maestri, tra cui ricordiamo l’Orchestra Filarmonica della Slovacchia, l’Orchestra Filarmonica dell’Armenia, l’Orchestra Nazionale di Porto, l’Orchestra Metropolitana di Lisbona, l’Orchestra da Camera del Cremlino, sotto la direzione, tra gli altri, dei Maestri John Nelson, Charles Olivieri-Munroe, Misha Rachlevsky, Roman Brogli-Sacher, Luis Izquierdo e Marc Tardue. Dirige frequentemente Master-Classes ed è Professore di Pianoforte alla “Escola das Artes” dell’Università Cattolica Portoghese, a Porto.

Falando, fabulando - de Stefano Valente


Mais um belíssimo texto do nosso aluno Stefano Valente. Obrigado, Stefano!



Falando, fabulando

Da inteira România – o território que corresponde às línguas directamente descendentes do latim –, apenas na Península Ibérica se manteve o verbo fabulare (de fabula: ‘discurso, conversa, fala, conto mito, lenda, fábula’). De facto, só nas áreas do castelhano e do galego-português, para exprimir e significar o sentido do acto de falar, se desenvolveu esse termo latino (port. Falar, cast. hablar), enquanto que no resto dos idiomas neolatinos prevaleceu o verbo tardio parabolare (de parabola – veja-se o francês parler, o catalão parlar, o italiano parlare, etc.).
Poderia aparecer-nos um fenómeno casual, uma simples coincidência nas histórias linguísticas do panorama românico ou neolatino. Contudo, não é possível não reflectirmos e não interrogarmos: porque é que apenas nos extremos ocidentais do que foi o Império Romano perdurou – e até venceu – a dimensão do conto, da fabulação (isto é: da invenção) mais do que da palavra estabelecida, fixada pelos pensamento e pela doutrina, antes de mais religiosos?; será que, afinal, na Ibéria e na Lusitânia, a imaginação derrotou o ensino oficial, as fórmulas institucionalizadas, o mesmo Credo?
Trata-se de uma hipótese, certamente. Porém tudo acaba para se reincorporar, uma vez ainda, no jeito “periférico” de ver a realidade – e de se apresentar ao mundo – que bem caracteriza o ser e o pensar ibérico e nomeadamente lusófono.
Essa compreensão diferente, “outra”, do que está próximo – um próximo que, de facto, se torna sempre um “longínquo”, um “alheio” – não é talvez a mesma que levará a pequena faixa de terra posta no extremo Oeste da Europa a reinventar-se na Ásia, na África, nas Novas Índias? Não é, essa eterna tentativa de olhar além – e de existir além – a mesma necessidade pela qual Fernando Pessoa resolver-se-á sempre a ser outro/s? A mesma que leva o heterónimo engenheiro naval Álvaro de Campos a escrever na Ode Marítima?:

...
O Cais Absoluto por cujo modelo inconscientemente imitado
Insensivelmente evocado,
Nós os homens construímos
Os nossos cais de pedra actual sobre água verdadeira,
Que depois de construídos se anunciam de repente
Coisas-Reais, Espíritos-Coisas, Entidades em Pedra-Almas,
A certos momentos nossos de sentimento-raiz
Quando no mundo-exterior como que se abre uma porta
E, sem que nada se altere,
Tudo se revela diverso.
Ah o Grande Cais donde partimos em Navios-Nações!
O Grande Cais Anterior, eterno e divino!
...

Hipóteses. Perguntas. Fascinações. A Península Ibérica de fabulare – e, sobretudo, este Portugal que fa(bu)la, que nunca se cansa de contar o longe, o diferente – ensina-nos a riqueza preciosa, única da marginalidade.
Portugal.
Terra (ou talvez lenda) jamais desembarcada.
Nação-caravela.
E então, por último, o pensamento vai para a A Jangada de Pedra (1986), o romance em que José Saramago imagina que a península de Espanha e Portugal se destaque do resto da Europa, e comece a navegar pelos oceanos...



STEFANO VALENTE

Padova, 19 aprile: Cattedra Manuel Alegre


A Padova, il giorno 19 aprile ci saranno due cerimonie in onore di Manuel Alegre, ovvero:

- la prima, l'inagurazione della Cattedra Manuel Alegre, all'Università degli Studi di Padova

Cattedra Manuel Alegre
Giornata inaugurale lunedì 19 aprile 2010,
Archivio Antico, Palazzo Bo

L’Università degli Studi di Padova, suggellando una più che trentennale collaborazione con l’Instituto Camões, ha istituito nel Dipartimento di Romanistica della Facoltà di Lettere e Filosofia una Cattedra finalizzata allo studio della Lingua, letteratura e cultura portoghese che viene intitolata a Manuel Alegre, poeta e romanziere, uomo politico e intellettuale di spicco del Portogallo contemporaneo.
Nella ricca e complessa traiettoria artistica di Manuel Alegre emergono inscindibili due caratteri, quelli del poeta civile e del cantore della libertà. Il suo linguaggio poetico, intessuto di lirismo e di nostalgia dell’epopea, è in continuo rinnovamento. Se le poesie degli anni Sessanta lo “consacrano” come “poeta da resistência”, sconfitta la dittatura e chiusasi definitivamente, con la Revolução dos Cravos Vermelhos del 25 aprile 1974, l’età coloniale, Manuel Alegre passa a istanze più corali ed ampie, come quelle sul senso dell’esistenza e sull’intima natura della parola poetica, dando voce ai “sinais mágicos da palavra. Os sinais da essência do mundo que por
vezes se revelam na palavra poética”. Senza mai rinunziare all’impegno politico egli esplora, nel segno di una continua forte originalità, ambiti tematici universali, come quello dell’erranza, giacché “todos somos exilados de Florença”. E sempre nel solco della grande tradizione libertaria risalente in Portogallo alla “lusitana antiga liberdade” di Luís Vaz de Camões, particolarmente cara anche alla Universa Universis Patavina Libertas.

Programma
11.00 Saluto delle autorità accademiche e cittadine e delle autorità diplomatiche
Giuseppe Zaccaria, Rettore dell’Università degli Studi di Padova
Michele Cortelazzo, Preside della Facoltà di Lettere e Filosofia
Furio Brugnolo, Direttore del Dipartimento di Romanistica
Flavio Zanonato, Sindaco di Padova
Fernando d’Oliveira Neves, Ambasciatore del Portogallo a Roma

intervengono
Sandra Bagno, Università di Padova
Manuel Alegre, Lectio magistralis
Giulia Lanciani, Università di Roma Tre

- la seconda, il conferimento a Manuel Alegre, da parte del Sindaco Flavio Zanonato, del Sigillo della Città di Padova; cerimonia che si svolgerà apartire dalle h. 16.30 presso la Sala Livio Paladin di Palazzo Moroni, Viadel Municipio.

7 de Maio: Stegagno Picchio recordada na Sapienza






Luciana Stegagno Picchio vai ser lembrada a 7 de Maio em Roma na Universidade La Sapienza, onde a reputada especialista italiana de Estudos Portugueses e Brasileiros, falecida em 2008 com 88 anos, foi professora emérita.
A evocação terá lugar durante a jornada de estudo ‘Itália, Portugal e Brasil: objectivos e perspectivas da pesquisa universitária internacional’, organizada pela cátedra Padre António Vieira – criada em 2004 em resultado de um protocolo entre a universidade e o Instituto Camões –, integrada no Departamento de Estudos Europeus e Interculturais da Faculdade de Ciências Humanísticas de La Sapienza.
Luciana Stegagno Picchio, filóloga, historiadora da cultura e crítica literária, chefiou durante várias décadas o Departamento de Língua e Filologia Românica da Universidade de Roma La Sapienza e foi fundadora e responsável durante 11 anos da revista Quaderni Portoghesi. Publicou cerca de meio milhar de trabalhos na área da cultura de expressão lusófona.
Foi também professora visitante em vários países, entre os quais Portugal, Brasil e Estados Unidos, tendo neste último país colaborado em Boston com o linguista Roman Jakobson em estudos de literatura medieval e moderna portuguesa (Fernando Pessoa).
Destacou-se ainda pela sua postura activa em defesa da liberdade e da democracia, nomeadamente em Portugal.
A jornada de estudo, a que assistirá a Presidente do Instituto Camões, a professora universitária Ana Paula Laborinho, contará com duas sessões de trabalho; a primeira, de manhã, na sala do Senado Académico da Reitoria, com a presença dos reitores da La Sapienza, da Universidade de Lisboa e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além dos embaixadores de Portugal e do Brasil.
Na ocasião, segundo o responsável da cátedra, Silvano Peloso, serão ilustradas as actividades de pesquisa e de difusão da língua e da cultura portuguesa e brasileira, assim como os trabalhos realizados através da Cátedra Padre António Vieira.
Serão igualmente apresentadas as pesquisas e os trabalhos realizados em parceria com universidades brasileiras e portuguesas, nomeadamente a próxima saída da edição completa da Clavis Prophetarum de António Viera com base no manuscrito706 da Biblioteca Casanatense de Roma.
Na segunda sessão, de tarde, na Biblioteca Angelo Monteverdi, serão apresentados os livros publicados com o patrocínio do Instituto Camões/Cátedra Pe. António Vieira, numa mesa-redonda relativa à cultura dos dois países estrangeiros envolvidos.

O Carnaval de Veneza por Valentina Maggi


A nossa aluna Valentina Maggi, escrevendo acerca das tradições italianas, faz-nos um relato histórico sobre o Carnaval de Veneza. Aqui o transcrevemos, agradeceno à Valentina.



O Carnaval de Veneza é seguramente o Carnaval mais conhecido pelo fascínio que exercitou nos últimos 900 anos desde o documento que faz referência a esta famosíssima festa pela primeira vez. O documento oficial que declara o Carnaval uma festa pública é de 1296, quando o Senado da República declarou feriado o último dia da Quaresma.
Entretanto o Carnaval tem tradições muito mais antigas, que evocam os cultos presentes em todas as sociedades como os Saturnalia latini. De facto, o espírito que animava as classes dirigentes latinas é o mesmo que tinham aquelas de Veneza. As classes mais humildes tinham também a ilusão de tornar-se semelhantes aos potentes, porque tinham a permissão de zombar com os ricos em público, usando uma máscara.
No passado, o Carnaval era muito mais longo e começava a partir do primeiro domingo de Outubro, para se intensificar no dia 7 de Janeiro, e culminar nos dias anteriores à Quaresma. Hoje, o Carnaval dura dez dias e coincide com o período anterior à Páscoa.
Para além disso, os habitantes de Veneza, deixavam as suas ocupações para se dedicar totalmente às diversões. Eram construídos palcos nos campos principais, ao longo da “Riva degli Schiavoni”, na pequena praça e na praça de São Marco. A gente apinhava-se ao redor das atracções como os malabaristas, os saltimbancos, os acrobatas. Os ambulantes vendiam fruta seca, castanhas e doces de todos os tipos.
Os artesãos que fabricavam as máscaras, eram chamados “mascherieri” até ao período do “doge Foscari” e tinham um seu estatuto, datado no Abril de 1436. Pertenciam à franja dos pintores e eram ajudados pelos “targheri” que gravavam rostros pintados em cima do estuque. A máscara não era usada somente no periodo do carnaval, mas em muitas ocasiões durante o ano. A máscara era permitida também no dia de Santo Estêvão, que marcava a data do início do Carnaval de Veneza, onde os venezanes se concediam todas as transgressões que queriam, usando dois diferentes tipos de máscaras : a “Bauta” para os varões e a “Moretta” para as mulheres.
Veneza, grande cidade comercial, já há muito tempo que tem um enlace privilegiado com o Oriente: por esta razão nunca falta, nas edições do Carnaval, algo que continua a ligar esta festa à legendária viagem de Marco Polo em direcção à China, à corte de Qubilai Khan, onde viveu por 25 anos.
Um dos Carnavais que passou à história, é aquele de 1571, na ocasião da batalha do exército cristão em Lepanto, quando no domingo de Carnaval foi preparado um desfile com carros simbólicos: a Fé em cima do trono com o pé sobre o dragão encadeado, seguida das Virtudes Teologais e a Vitória sobranceira à Morte com a foice entre sus mãos, para significar que triunfou ela também.
O Carnaval de Veneza teve um momento de imobilidade depois da queda da República de Veneza, porque foi mal visto por parte dos austríacos e dos franceses. A tradição conservou-se nas ilhas Burano e Murano, onde se continuou a festejar. Somente em 1979 os cidadãos e as associações cívicas se empenharam para que o Carnaval fosse novamente comemorado. Hoje em dia, o Carnaval de Veneza é uma festa na que estão envolvidas redes televisivas e fundações culturais, que chamam uma multidão de gente.

VALENTINA MAGGI

Prof.ªs Zulmira Santos e Fatima Marinho na Roma Tre

A Profª Fátima Marinho, ilustrando o modo particular de unir história e literatura de José Saramago.

Os estudantes de Português da Facoltà di Lettere di Roma Tre.

A Profª Zulmira Santos explicando as ideias subjacentes ao discurso do "Velho do Restelo", n'Os Lusíadas.

A Profª Giulia Lanciani apresenta as Convidadas.

Duas belíssimas lições, com ampla participação de estudantes, ontem, na Facoltà di Lettere da Roma Tre. Introduzidas pela Profª Giulia Lanciani, a Profª Zulmira Santos, da Universidade do Porto, ilustrou os alunos italianos de Português acreca do episódio do Velho do Restelo, de Camões. A Profª Fátima Marinho, da mesma Universidade, veio ilustrar Saramago como um "historiador pervereso" a partir da sua obra O Memorial do Convento.

Aqui deixamos quatro imagens deste evento.

Ontem: Ivana Bartolini e Cristiano Cirillo - lição sobre o fado




Ontem Ivana Bartolini e Cristiano Cirillo brindaram-nos com uma belíssima lição dialogada sobre o Fado. Por coincidência havia uma máquina fotográfica à mão e por isso aqui ficam duas imagens, com os nossos parabéns aos excelentes alunos de Português!