martedì 24 giugno 2008

O segundo santo popular: São João do Porto

Festas do São João - Porto
Foto de Rui Farinha




ALFREDO MENDES
JOAO PAULO COUTINHO
no Diário de Notícias de 23.06.2008
http://dn.sapo.pt/2008/06/23/centrais/profeta_decapitado_borga_pedestal.html


A par de muitas celebrações pagãs absorvidas pelo cristianismo, os festejos de São João relacionam-se com o assinalar do solstício do estio, e daí a volúpia e a foliaria, juntando-se-lhes brejeirice, sensualidade e tributos às águas, ao fogo e às ervas bentas

Grande festa pagã com reminiscências gregárias ignora mártir


De muito longe vêm os festejos orgiásticos que assinalavam a morte do Inverno, o fantástico, o fecundo solstício do Verão, com o florescimento dos campos e das vontades humanas. A maior noite do ano, noite de sonho - a de 24 de Junho.


A data, o posicionamento do astro-rei, de acordo com o calendário juliano, pré-gregoriano, coincidiam com esse milagre da natureza ou dos deuses. E por isso faziam vingar e vicejar toda a pujança gregária, toda a seiva da vida.


Com a Idade Média, a celebração seria cristianizada. Porém, de tal maneira se procedeu o acolhimento que o povo jamais relacionaria a vida e a morte do profeta com a foliaria sem freio: desregrada, permissiva, brejeira, sensual, em calorosa veneração à volúpia. São João Baptista, o anunciador do Messias. O que no deserto "nem comia, nem bebia", o caminhante que se alimentou de gafanhotos, vejam a praga! São João Baptista, o que baptizou Cristo no rio Jordão, o que relegaria beldades, como a vistosa Salomé. O Santo mártir que seria decapitado.


Festejado um pouco pela Europa, idolatrado no Brasil, principalmente no nordeste, com as festas juninas e os seus arraiais, em Portugal o santo ficaria como símbolo de festança de arromba, de instantes pandegueiros, de amores que se desejam amores-perfeitos. Ao jejum do primo de Jesus, as comezainas, sardinha e borrego e vinhaça gorgomilos abaixo. À sua abstinência sexual, trovas insinuosas, prenhes de malícia. Até porque, casamenteiro e maroto, "São João era bom santo/ Se não fosse tão gaiato/ Levava as moças à fonte/ Iam três e vinham quatro".


E de muitas formas em todo o País e ao longo dos tempos se rogava ao santo que desencantasse moço ou moça à altura dos arfares e dos fulgores. Enquanto isso, na noite reinadia, abafadiça e tentadiça, ciosa de folguedo, o fálico alho-porro lá ia percorrendo a curvatura dos corpos femininos.


Depois, o culto das águas purificadoras. Nas cascatas, nos repuxos, a água do baptismo, as águas onde se põem papelinhos, ora ovos, para se desvendarem paixões e demais emoções. Águas e aguardente para a sossega, mal assomassem as orvalhadas.


Ah, as fogueiras rosmaninhas que se saltam, "vais tu,vou eu", permitindo descortinar as pernas das raparigas. É a crença no fogo, na chama durante a magia da noitada.


Para completar a trilogia, a fé nas ervas bentas, ervas odoríferas que mandam às urtigas os caprichos do diabo e do mau-olhado: manjerico, trevo, alcachofra, cidreira, alecrim, alfazema, sabugueiro, dedadeira, erva do monte, véu de noiva. A convir.
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1 commento:

Ruka ha detto...

Grazie per aver scelto la fotografia e il suo uso corretto, indicando la fonte e l'autore.

Orgogliosi di condividere la mia "passione" fotográfica nel tuo blog.

Grazie,

Rui Farinha