lunedì 29 novembre 2010

Patrícia Schmarzeck comenta poesia de Sophia: "Brasília"


Brasília



Brasília
Desenhada por Lúcio Costa, Niemeyer e Pitágoras
Lógica e lírica
Grega e brasileira
Ecuménica
Propondo aos homens de todas as raças
A essência universal das formas justas

Brasília despojada e lunar
como a alma de um poeta muito jovem
Nítida como Babilônia
Esguia como um fuste de palmeira
Sobre a lisa página do planalto
A arquitetura escreveu a sua própria paisagem

O Brasil emergiu do barroco e encontrou o seu número
No centro do reino de Ártemis
- Deusa da natureza inviolada -
No extremo da caminhada dos Candangos
No extremo da nostalgia dos Candangos
Atena ergueu sua cidade de cimento e vidro
Atena ergueu sua cidade ordenada e clara como um pensamento

E há nos arranha-céus uma finura delicada de coqueiro

in Sophia de Mello Breyner Andresen GEOGRAFIA (1962)

Comentário ao poema BRASÍLIA de Sophia Andersen

No poema Brasília, Sophia Andersen canta uma majestosa capital brasileira. A grandiosa cidade das modernas linhas e intensa luminosidade é comparada à Atenas das históricas colunas, berço da cultura clássica ocidental. Esta aproximação verificada na leitura dos versos deve-se tanto as suas linhas geométricas quanto à idéia de Brasília como cidade símbolo de um país cuja formação é resultado da união de diversas culturas, línguas e credos.
Para a poetisa a Brasília paradisíaca nasce do desenho preciso do arquiteto que, por sua vez, provém dos números exatos do matemático; sendo, portanto, um dos resultados mais impressionantes da cultura ocidental. Mas a cidade concretiza-se longe do Olimpo, no coração árido do território tupí-guaraní, como uma miragem. É o desejo dos deuses e, por isso, não pode ser outro que lugar mitológico. E é ali onde chegaram os pioneiros construtores que Ártemis edifica o emblema da modernidade sem que este perca a sua identidade tropical. A capital tem a lógica no corpo de formas sem excessos, amplo e luminoso, e a lírica na alma, que é aquela de um jovem poeta, curioso e romântico.
Por sua vez, a construção da capital dos anos 60 significa a passagem, no Brasil, do Barroco ao Modernismo, ou seja, a passagem do velho ao novo, do escuro ao claro, do excesso à leveza. Essa mudança permite sobretudo o vislumbrar de um futuro prometedor.
Sem duvida Brasília é um hino de admiração à grandeza da obra de idealização e de realização deste sonho urbano. É a descrição poética de uma paisagem que merece ser sonhada além de admirada.


Patricia Schmarczek


1 commento:

Juliana ha detto...

Uma poesia que deixa qualquer brasileiro orgulhoso de sua capital!

Excelente a comparação com Atenas.

Um abraço