domenica 8 maggio 2016

Christine Vitali, A PRISÃO DE PENICHE

A nossa aluna CHRISTINE VITALI escreveu este texto, emocionante e emocionado, que introduziu com estas palavras:
 
"Quando ho visitato la prigione di Peniche, ho pensato che DOVEVO scrivere qualcosa sull'argomento. Il periodo di dittatura che ha attraversato il Portogallo nel XX secolo è per me un'incognita totale da imparare e non riesco nemmeno ad concepire che persone che ora hanno solo 43 anni siano nate sotto questo regime. Poi però non ho trovato l'ispirazione giusta, perché mi sembrava che io non avessi il DIRITTO di parlarne, perché questa Storia non mi appartiene."
 
Por sorte, apesar de o fazer de forma combatida, a Christine decidiu escrever este texto que aqui temos o grande gosto de publicar, a que juntou a fotografia da fortaleza, "in quel giorno di pioggia e vento che l'abbiamo visitata, ad aprile."
 
Muito obrigado, Christine, pelo belíssimo texto!


A PRISÃO DE PENICHE
Nos nossos dias, a cidade de Peniche é muito conhecida pela atividade de surf nas praias brancas da sua península.
Mas por tantos anos do século XX, o lugar chamado “Peniche” tinha outro significado, muito mais obscuro. De fato, a praça-forte que domina o antigo porto tornou-se uma prisão política de segurança máxima. Foram encarcerados os opositores do regime fascista, desde o ano de 1934 até ao dia 26 de abril de 1974. As terríveis histórias dos prisoneiros durante as suas estadias naquele espaço fortificado são ilustradas no museu que agora ocupa uma parte da fortaleza.
O visitador entra pela ponte sobre a ribeira do mar e logo penetra no parlatório, zona reservada aos prisioneiros, onde recebiam a família e os amigos, quando as visitas eram autorizadas. A sala é pequena e desprovida de qualquer intimidade. Além disso, os guardas estavam presentes e ouviam todas as conversas. Tinham o direito de interrompê-las quando julgavam que a censura devia ser aplicada.
As cartas também estavam censuradas e por anos as famílias nunca receberam noticias do parente encarcerado. Às vezes, cartas para as crianças, com uma fabula e/ou um desenho, eram proibidas. Essas eram simples possibilidades para o prisioneiro expressar a sua solidão e o seu sentimento para com a família.
Alguns prisioneiros tentaram de escapar, sem sucesso.
Na tarde de 25 de abril de 1974, o dia da revolução dos cravos, o forte foi rodeado pelo povo da cidade de Peniche, junto às familias dos prisioneiros, que esperavam à saída os encarcerados. No final, isso aconteceu no dia seguinte, a 26 de abril, sob os flashes dos fotógrafos e reporters do todo o país. Saíam jornalistas, intelectuais, escritores que tinham sofrido torturas na fortaleza por anos. Era o fim do pesadelo.
O perfil da praça-forte relembra um passado doloroso e não tão longínquo.
Felizmente, agora, a cidade está a sorrir ao futuro.
 
CHRISTINE VITALI

1 commento:

nicola alberto barone ha detto...

muito interessante querida christine
nicolao