lunedì 14 marzo 2016

Dia de anos de Celeste Rodrigues: a alegria da música

Hoje a grande fadista CELESTE RODRIGUES faz 93 anos de vida!

Vida longa, vida rica, cheia de emoções, que a fadista soube sempre transmitir, através da sua arte e do seu modo de estar perante as coisas da vida.

Nesta curta entrevista concedida a Anabela Mota Ribeiro diz como nunca pensou ser artista e como a música a acompanha em cada momento, transmitindo-lhe alegria!

https://vimeo.com/105430883

Bem-haja, CELESTE por estes anos longos e brilhantes, em que tem enchido as nossas vidas, com a sua voz e com o que ela desperta nas almas. É com grande emoção que Via dei Portoghesi, os seus leitores e amigos e um grupo de admiradores seus em Roma lhe dá os parabéns, de todo o coração.
E lhe deseja uma vida muito longa ainda e muito feliz!



 http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=375

Celeste Rodrigues é uma fadista tradicional das mais conceituadas do universo musical português, considerada uma referência pelas mais jovens gerações de intérpretes.
Maria Celeste Rebordão Rodrigues nasceu no Fundão a 14 de Março de 1923. Quando tinha 5 anos os seus pais vieram para Lisboa e estabeleceram-se no bairro de Alcântara. Celeste Rodrigues frequentou a Escola Primária da Tapada e recorda a sua infância como igual à de tantas outras crianças, com a excepção de se reconhecer como uma "maria rapaz", traquina, embora tímida e envergonhada. Quando não quis estudar mais, empregou-se numa fábrica de bolos. E, mais tarde, junto com a irmã Amália, trabalha num ponto de venda de artigos regionais na Rocha Conde de Óbidos (cf. “Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967).

A sua carreira é impulsionada pelo empresário José Miguel, à data proprietário de várias casas típicas, que depois de a ter ouvido cantar, entre amigos, na Adega Mesquita, insiste na sua profissionalização como fadista.
Celeste Rodrigues estreia-se em 1945 no Casablanca (actual Teatro ABC) e, dois meses depois, ingressa numa Companhia teatral e parte para o Brasil, acompanhando a irmã Amália Rodrigues na representação da opereta "Rosa Cantadeira" e da revista "Bossa Nova". Esta digressão acaba por durar cerca de 1 ano. Ao longo da sua carreira Celeste Rodrigues receberá diversos convites para integrar peças de teatro, mas recusa sempre.
No regresso a Lisboa dá continuidade à sua carreira de fadista, apresentando-se no elenco de diversos espaços de fado como o Café Latino, o Marialvas ou a Urca (na Feira Popular). Mais tarde, transita do Luso para a Adega Mesquita, onde se mantém por 4 anos. Posteriormente integra os elencos da Tipóia e da Adega Machado.
No início da década de 1950 a fadista regressa ao Brasil, desta feita para actuar na rádio, na televisão e no restaurante Fado, de Tony de Matos, sempre com assinalável êxito.
Aos 30 anos casa-se com o actor Varela Silva, com quem tem duas filhas. É contratada para cantar na casa Márcia Condessa e, em Janeiro de 1957, torna-se proprietária do restaurante típico A Viela, um espaço privilegiado para a convivência de poetas, intelectuais, cantores e de longas tertúlias, mas ao qual renuncia 4 anos mais tarde, confessando não sentir “queda para o negócio” (cf. Álbum da Canção, 1 de Maio de 1967).
Na década de 1950 Celeste Rodrigues era já uma figura ímpar no universo do Fado, levando-o além fronteiras, para países como o Brasil, Espanha, Congo Belga, África Inglesa, Angola e Moçambique. E, em território nacional, era também uma fadista consagrada, conforme revela à revista “Álbum da Canção”, foi das primeiras “a actuar no período experimental da RTP, no teatro da Feira Popular (…)” e “a primeira a enfrentar as câmaras, quando os estúdios do Lumiar passaram da fase de experiências para as emissões regulares.” (cf. “Álbum da Canção”, 1 de Maio de 1967), actuações em espaços bem demonstrativos da sua grande popularidade.
Continuando a pautar o seu percurso profissional pelas apresentações nas casas de fado de Lisboa, Celeste Rodrigues integra o elenco da Parreirinha de Alfama no início da década de 1960, e aí permanece por mais de 10 anos, altura em que João Ferreira-Rosa a convida para o elenco da Taverna do Embuçado, onde faz actuações ao longo de 25 anos. Posteriormente actuará nas casas Bacalhau de Molho e Casa de Linhares. A fadista concretiza uma carreira de sucesso, com actuações nas casas típicas, em programas de rádio e televisão, nacionais e internacionais. No auge da sua carreira artística, celeste Rodrigues foi também convidada a gravar para a BBC em Londres, a convite de Richard Engleby. E, no decurso de todos estes anos de actividade intensa, teve oportunidade de passar por algumas das maiores cidades do mundo.
Apesar das sucessivas comparações com Amália Rodrigues, sua irmã, Celeste Rodrigues possui uma autenticidade única, uma forma singular de interpretação, patente nos temas do seu repertório, como os populares “A lenda das algas” (Laierte Neves – Jaime Mendes), “Saudade vai-te embora” (Júlio de Sousa), “O meu xaile” (Varela Silva), ou o tema de Manuel Casimiro “Olha a mala”, que se tornou o seu maior êxito de vendas, entre os quase 60 discos que gravou.

Corre o ano de 2005 quando Ricardo Pais, director do Teatro Nacional São João, a desafia a participar no espectáculo "Cabelo Branco é Saudade" ao lado de outras três grandes vozes do Fado: Argentina Santos, Alcindo de Carvalho e Ricardo Ribeiro. Com este espectáculo a fadista teve a oportunidade de percorrer vários palcos nacionais e internacionais.
Mais recentemente, um dos momentos altos da sua carreira é a edição do álbum “Fado Celeste”, editado em 2007 na Holanda, e que reúne fados tradicionais e inéditos com letras de autores contemporâneos, como Helder Moutinho e Tiago Torres da Silva.
Nesse mesmo ano, em Outubro, decorreu no auditório do Museu do Fado uma homenagem à fadista, iniciativa da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, num reconhecimento da “voz bonita, capacidade interpretativa e a regularidade de uma carreira.” (declarações de Julieta Estrela de Castro, presidente da APAF à agência Lusa).
Actualmente Celeste Rodrigues vive entre Lisboa e Washington, onde residem as suas filhas e os seus netos, mas mantém uma actividade fadista regular, participando em diversos espectáculos e actuando pontualmente em casas de fado de Lisboa. Como a própria revelou, em 1970: “a idade influi grandemente na maneira como se canta. Sentimos o que cantamos, com maior sensibilidade e emoção.” (cf. “Rádio & Televisão”, 11 de Novembro de 1970, in “Cabelo Branco é Saudade”, programa do espectáculo, 2005). E é certamente essa sensibilidade e emoção que todos continuamos a registar nas suas interpretações.




Fado Celeste
Tiago Torres da Silva / Pedro Pinhal

Quando a manhã desperta
A janela entreaberta
Deixa-me ver a cidade;
E p'ra não sofrer à toa
Não dou um nome a Lisboa
E só lhe chamo saudade

Há tanta gente a passar
Que às vezes chego a escutar
O pregão duma varina
Sei que a vida continua
Mas vejo passar na rua
Os meus tempos de menina

Olho outra vez a cidade
Mas quando o vento me invade
E a solidão me agarra
Fecho de vez a janela
Peço à saudade, cautela
E abraço uma guitarra



2 commenti:

mtt ha detto...

...con quale nonchalante envergure D. Celeste parla di sua madre e testimonia l'esistenza di un'epoca in cui cantare, semplicemente cantare, faceva parte della naturalezza del vivere... Muitos Parabéns! Prosperidade sempre!

via dei Portoghesi ha detto...

Celeste é o sol, como a Amália era a lua. Dia e noite num magnético suceder-se. Sombra e luz que brotaram do mesmo seio, da mesma voz de Mãe: duas vozes tão diversas e tão belas, que parecem uma única: a voz de Portugal.